sexta-feira, maio 18, 2007

Depois de Horas

Como o Kenji eu também queria falar sobre um monte de coisas aqui nesse blog:
do proibidão do Roberto Carlos
das mudinhas da janela
dos shows de gaita e workshops de pandeiro
do Rio de Janeiro, com os mil chopps da Lila e propagandas esdrúxulas
das Revistas que eu comprei
da aula de francês que não rolou, mas valeu a intenção
do sonho com o Zé Dirceu
E, nesse momento, da minha raiva absoluta de um funcionário da Caixa Econômica Federal

Mas não tenho tempo. Então, até a próxima e vamos tomar uma.


Mas essa eu não posso deixar passar: a melhor coisa dessa história de censura é ver o povo caindo de pau no Roberto Carlos chamando de maluco, histérico, bundão, cuzão, ganancioso e por aí vai. Bem feito. Dinheiro não compra tudo não, tremendão!

segunda-feira, abril 23, 2007

Les Temps Qui Changent

Então mudamos. Apê novo na José Cândido da Silveira, Cidade Nova. Saímos da Zona Sul, mas esse é nosso!

Ainda está uma confusão completa. Não tem fogão, o banheiro da suíte precisa de uns reparos, estamos sem telefone fixo e sem tv também. Ontem tentamos assistir com uma antena interna bastante antiga e, claro, não rolou. Essas coisinhas todas, no entanto, devem ser resolvidas super rápido, tudo muito simples.

O mais incrível é que estou achando isso tudo ótimo. Adorei a idéia de arrumar a casa desde o início, do nosso jeito. Sem contar que é incrível descobrir a loja Lar & Construção. Você sabia que existe uma aparelhinho eletrônico anti-mofo? Sabia que existem mil opções de interfone e de temporizadores de luz, com e sem sensor de presença? Eu também não. Nem poderia cogitar um dia ter uma enxada. Agora tenho e a adoro. Algumas pessoas podem até considerar certo exagero, uma vez que o que existe de terra, ou seja, de espaço para capinar efetivamente, ultrapasse por muito pouco um vaso. Mas não faz mal, não ligo para convenções sociais e estou feliz com ela.

Outro prazer é ver as gatas e a natureza agindo. Elas estão malucas pulando de um lado para o outro, tentando se adaptar a nova realidade, disputando territórios e dominância. Resumindo, estão se divertindo às pampas.

Relaxei bastante com relação às pendências. Incrível, entramos no apartamento e eu saquei o óbvio: agora temos todo o tempo do mundo. Então, sem pressa, sem pressão, sem ranger de dentes, vamos colocando as coisas no lugar. E vai ficar tudo muito bacana, tenho certeza.

Aguardem inaugurações em breve.


olha que bárbaro o breguetinho que a gente comprou para a cozinha

segunda-feira, abril 16, 2007

O Diário do Homem-Urso

Ontem, depois de muita espera assisti esse documentário do Werner Herzog sobre um homem, bem doido, que passou 13 anos de sua vida passando os verões com ursos selvagens no Alasca. Eu estava doida para assistir por dois motivos. Primeiro porque era um documentário do Herzog e segundo porque tinha ouvido em algum lugar que o cineasta, que também é bem doidão, tinha colocado a imagem do cara sendo morto por um urso. Se o segundo motivo fosse o principal eu estava lascada porque não tem nada disso. Em compensação, a primeira razão foi totalmente contemplada. O Herzog teve a manha de perceber na história do tal Timothy Treadwell muito mais coisa que a tragédia em si.

Resumindo a ópera: o Timothy era um cara meio problemático, sem muito lugar no mundo que um dia foi para o Alasca e resolveu anualmente passar o verão com os ursos pardos e filmar a experiência com o intuito de divulgar a vida selvagem para preservá-la e, teoricamente, protegê-los dos caçadores ilegais. Quando não estava no meio dos ursos (no inverno enquanto seus amiguinhos dormiam), ele ministrava palestras gratuitas nas escolas e tentava divulgar seu trabalho na TV. Até teve um certo reconhecimento, foi no David Letterman, virou uma pseudo-celebridade. Um dia já estava quase indo embora de mais um verão entre os ursos e um deles, mais velho, provavelmente faminto, comeu o Timothy e a namorada dele que justamente naquele verão resolveu ir junto. Na grande maioria das vezes ele ia sozinho.

Como todos sabem acidentes acontecem. Aconteceu com o Ayrton Senna, aconteceu com o Steve Irwin (mesmo que o Irwin morreu depois do Timothy) mas no caso do tal Homem-Urso rolou uma polêmica porque muitas pessoas acharam que ele tinha ultrapassado a barreira do bom senso. Há registros dele tentando passar a mão nos 'ursos amigos', ele dizia que queria 'ser um urso', 'viver como um urso'. Sem contar que o cara não tinha formação nenhuma, não era biólogo, nem veterinário, e mesmo essa coisa de 'defensor' dos animais era um tanto questionável porque, na verdade, ele passava os verões em uma reserva ambiental onde os 'caçadores ilegais', seus inimigos mortais, quase não apareciam. Só aí já dava para fazer um documentário bem legal.

Mas a gente tem que contar com a genialidade do Herzog. Porque ele não se restringiu àquela discussão boçal de 'ele estava certo?', 'ele estava errado?'. Mas também não fugiu da polêmica. Várias questões são tratadas no documentário inclusive essa, mas não apenas. Um ótimo exemplo de enfoque inusitado é o da morte de um cineasta. Herzog, que narra o documentário em primeira pessoa, apaixona-se pelas imagens capturadas durante esses 13 anos pelo Timothy. Tem uma cena super bonita de uma mata ao vento que na verdade é um ‘vazio’ para Timothy uma vez que a ela só existe porque o pseudo-documentarista, como viajava sozinho, ajeitava a câmera no tripé, se posicionava, depois conferia na câmera se estava bem enquadrado para voltar finalmente ao mesmo lugar e dizer seu texto. Nessa cena do 'vazio' a voz em off de Herzog diz que muito da beleza que Timothy captava ele mesmo não se dava conta. E era mesmo.

O mais bonito de tudo do documentário, no entanto, que eu inclusive deixei propositalmente para o final, foi a bem sucedida tentativa de Herzog de entender a natureza daquele homem, não a luta entre homem e natureza. A grande, brilhante, genial sacada do Herzog foi retirar das imagens, dos depoimentos, dos monólogos meio alucinados de um sujeito que estava sozinho no mato há quatro meses, a sua humanidade. Porque a conclusão óbvia seria: a natureza venceu o homem. E venceu mesmo, venceu principalmente a sua idealização, o seu desejo de ter na natureza um berço, um afago. A natureza não tem dó de ninguém. Ok, é isso mesmo. Porém – e é o olhar sensível do Herzog que mostra que há sim um porém – foi através dessa experiência, que aquele ser encontrou a sua humanidade. Na tentativa de se transformar em urso ele viveu intensamente a experiência de ser um homem. Tanto que durante as expedições Timothy Treadwell tem momentos de absoluta euforia (quando está com ursos ou raposas), emoção profunda (chora ao se despedir dos animais), de fúria (com quem eles estão pensando que estão falando, eu sou um guerreiro, eu conheço como ninguém esses ursos e essas terras e sou o protetor deles), de vaidade (ele está no meio do mato, sozinho, e pergunta para si mesmo, várias vezes, se o cabelo está arrumado, se deve usar a bandana verde ou a preta, qual é a mais sexy), de paranóia, de narcisismo, de bondade. É essa condição humana que Herzog consegue obter da tragédia e que é brilhante. Muitos críticos do homem-urso diziam que Timothy Treadwell era um idiota, que a sua relação com os ursos era muito mais desrespeitosa que bonita. Herzog mostrou, sem desmenti-los, que o ser humano é muito mais complexo para se deixar restringir apenas pelas atitudes lógicas e de bom senso e, principalmente, provou mais uma vez, para o meu deleite, que é um puta cineasta.


o doidão com seus ursinhos

sexta-feira, abril 13, 2007

Big Brother Brasil

O verdadeiro Big Brother Brasil é a camerazinha do elevador. Eu, por exemplo, só sei pensar falando e só sei falar gesticulando. Então, além de falar sozinha eu gesticulo sozinha, ando, bato palma, faço caras e bocas. Qual minha surpresa quando, ontem, saindo do serviço no elevador sozinha, chego ao térreo e encontro duas colegas de serviço dependuradas no balcão do porteiro, o cúmplice, morrendo de rir. Os três me espionavam pela câmera do elevador. E o pior é que não foi a primeira vez que me acontece.

Há cerca de uns quatro anos atrás trabalhei para uma Associação que ficava num prédio alto na rua da Bahia, pertinho da praça Afonso Arinos, com elevador e uma discreta camerazinha. Todos os porteiros me olhavam ironicamente, meio que rindo. Ainda por cima eu só lembrava da tal da câmera no meio do meu raciocínio, com a boca aberta, mãos levantadas acima da cabeça, como se proclamasse um trecho de Hamlet. Quando eu encontrava aquele olhinho preto rindo de mim, baixava o braço e tentava fingir alguma normalidade. Por uns quatro meses eu devo ter sido a diversão da portaria. Agora, instalaram essas maravilhas nos elevadores do meu atual serviço.

Eu fico imaginando se dois elevadores já garantem horas de diversão, imagina aquelas câmeras que ficam no Centro da cidade. Imagina o que tem de estagiário da Polícia morrendo de rir do povo falando sozinho, caindo, escorregando, tropeçando e xingando a pedra. Verdadeiros Boninhos que são pagos para ficar o dia inteiro assistindo video-cassetadas. Nem precisa de televisão em casa.

quarta-feira, abril 11, 2007

Filhos de Javé

Ontem eu fui pra análise puta. Trabalho, mudança, banheiro, espelho, registro em cartório, IPTU, ex-proprietário, reforma, o escambau. Falei, falei e decidi ir tocar tambor.

Foi a melhor coisa que eu fiz. Porque no tambor você desopila física e mentalmente. Une música, cultura, exercício e controle motor. Porque além de carregar um tamborzão, tem que aprender a bater no ritmo, de preferência direitinho, cantar e ainda dançar, nem que seja um passo pra frente e outro pra trás. Parece fácil, mas não é não.

E tem o Tizumba que é um fenômeno a parte. O cara ensina, dança, improvisa, você olha e fala meu, esse cara tem muito talento. O ensaio já vem com um show embutido. Além dessa proximidade com a raiz africana que é muito importante para mim. Num determinado momento o Tizumba dançou com as gungas (latinhas com sementes e chumbinho dentro) no tornozelo e me lembrei das procissões de Congado que assistia no Barreiro e que eu achava tão bonito.

A Zélia, filha do rei do Congado do Barreiro cuidava de mim quando criança e eu adorava ir até a casa dela porque além de gatinhos, tinha um quarto onde as roupas do Congado ficavam e as cores eram maravilhosas. A casa era super simples, os pilares eram feitos de lata de óleo Salada cheias de cimento. Então a entrada da casa era toda amarela, eu achava lindo. A Zélia também tinha um irmão, o Márcio que trabalhava na oficina do meu primo. Na procissão ele saía com uma roupa branca toda enfeitada e dançava com as gungas. Provavelmente um dia iria substituir o pai como rei do Congado e por isso tinha um porte meio de príncipe. Eles todos eram meio mágicos para mim, como se tratasse de alguma monarquia perdida da uma tribo africana longínqua, tipo o Nelson Mandela, sabe?

Então o tambor do Tizumba é uma espécie de reencontro com a minha infância e com as minhas raízes negras e sertanejas. E eu acho isso lindo, muito melhor que ficar brigando com gente chata, sisuda e pão-dura que insiste em me rodear e que na verdade eu quero bem longe de mim. Olorum, xô miséria!

quinta-feira, abril 05, 2007

Admirável mundo novo

Então, meu computador do serviço morreu e, como já estava mais ou menos planejado, ganhei um laptop para trabalhar. Por enquanto ele funciona como um computador normal, ou seja, nunca saiu da minha mesa. Mas vai ser bom para viagens e tal. Bem, ele tem várias vantagens. Entre as mais legais está justamente o fato de ter memória. Meu computador antigo, pasmem, tinha 256 de não sei o quê de memória. No fundo eu não tenho muita noção do que isso significa, mas eu sei que, antigamente, se eu digitasse inconstitucionalissimamente muito rápido meu computador travava.

E como ele tem memória, acho que isso animou o meu amigo Jefferson, o moço da manutenção dos computadores, a colocar uns programinhas diferentes nele. Qual é a minha surpresa quando, no segundo dia de trabalho no computer novo, abre uma janelinha no canto inferior direito do monitor com uma notícia sobre um jogo de futebol do Figueirense. Para mim, que vivo fuçando em portal de informação para ler jornal, fez pouca diferença, mas achei interessante.

Acontece que hoje eu descobri uma coisa mais legal ainda sobre esse programinha. Ele guarda os sites que eu vou com mais freqüência e manda atualizações deles! Quer dizer, na verdade, ele só fez isso com blogs, mas já é bem interessante! Foi muito bacana quando hoje eu recebi um bilhetinho do meu computador contando que o Kenji tinha escrito alguma coisa no Talk is Cheap! (link ao lado)

Mas por que ele teria essa preferência pelos blogs? A minha suspeita é que se trate de uma ferramenta de quem? Claro, do Google e como o blogspot também é do Google, as coisas se encaixariam. E por que eu suspeito que seja uma ferramenta do Google? Porque agora tem um ícone mínimo do lado do relógio do computador que chama Google Desktop.

Se eu fosse nerde eu caçava esse tal de Google Desktop e descobriria quais são as demais possibilidades dele, que devem ser muitas. Acontece que eu não sou nerde e tenho até um pouco de preguicinha dessas coisas. Mas do recadinho eu gostei. Valeu tio Larry!


Ok, ok, eu dei uma de nerde e fui procurar saber. Bom, parece que a idéia é ter um ‘buscador interno’ que ache documentos do office, tipo do word, excel e tal. Eu não entendi para que, já que o próprio computador já tem isso, mas tudo bem. Dizem até que essas duas lombrigas coloridas aí são uma alusão à janela-logo do Windows. As cores são realmente as mesmas, mas será??

quinta-feira, março 22, 2007

Dirty Pretty Things

Então, ontem fiquei de molho em casa lendo uma revistinha da Mente e Cérebro sobre filosofia. Algo do tipo Filosofia Clássica for dummies, tem Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Tomás de Aquino. Guardadas as devidas proporções e ressalvada a época em que os caras viviam e trabalhavam, tem muita coisa interessante. Principalmente se comparamos com a nossa realidade hoje.

O que será que nós fizemos com noções de bem, mal, do que é belo, do que é certo, de bem comum? Jogamos para o alto? Virou poeira cósmica?

Bem, ontem também assistimos o filme A Rainha do Stephen Frears. Um filme sutil, que discute temas atuais como verdade e versão, princípios e imagem, subjetividade e representação. Pena que uma coisa boa, a excelente interpretação da protagonista Helen Mirren, como a Rainha Elisabeth II, eclipsou o filme como um todo.

Uma coisa que chamou muito a minha atenção foi a constante presença de imagens da Diana no filme que vão ficando, no decorrer da narrativa, cada vez mais fantasmagóricas. E o que são imagens além disso? Representações do real, fantasmas. Umas das últimas aparições da Diana (o filme mistura filmagens com cenas de arquivo todo o tempo) - quando a crise já está instalada - é um olhar dela, Diana, para a câmera, como quem diz: e aí? O que você vai fazer comigo? Pareceu um filme de terror nessa hora.

E não tem nada dessa história de ‘ah, vamos mostrar a face humana da rainha’. O filme usa um episódio da história, uma situação factível, para questionar a nossa própria percepção do que é real (nos dois sentidos) e o que não é. Questionar o que são celebridades (aliás um outro filme que também toca nessa questão, e se utiliza de uma figura palaciana, é o Maria Antonieta da Sofia Copola, mas isso é outra história), o que é imagem, o que nós seres sociais desejamos e cobramos delas. Porque, se você parar para pensar, quem era a Diana? Quem e o que a matou? Quem é a Rainha Elisabeth? Quem e o que a mantém lá no trono até hoje? Não seriam as mesmas situações e as mesmas pessoas?

Aí vem o Stephen Frears e põe a gente pra pensar.


Até o cartaz já diz tudo

terça-feira, março 20, 2007

Efeito Colateral ou a via crucis do aciclovir

Como diz o Kenji, quando vem, vem junto, então hoje eu descobri que a minha herpes labial voltou. Ou seja, além de 10 dias sem beber serão, pelo menos, 3 sem beijar. Férias é isso aí!

Ainda tive a via-crucis do aciclovir. Como eu estava na dúvida resolvi ir a uma farmácia, nesse solão, confirmar com o farmacêutico se era mesmo herpes. Tudo bem, saí de casa 13h15 e fui primeiro na Drogaria Araújo do Gutierrez, cheguei por volta de 13h30. Lá eu descobri que hoje é o dia da Reunião-Geral-dos-Farmacêuticos-da-Drogaria-Araújo. Beleza, tentei, então a DrogaRaia, que fica em frente, e descobri que lá sempre ficam duas farmacêuticas, que fazem questão de almoçar no mesmo horário, ou seja, qualquer uma delas só depois de 14 horas. Tudo bem, sem pressa, tô de férias mesmo, no stress.

Vou eu andar, nesse solão, mais dois quarteirões para chegar na Drogaria Trade. Tem farmacêutico? Tem. Está em horário de almoço? Está. Volta às 14 horas? Por aí. Isso já são 13h45. Beleza, vou para a papelaria do lado e fico 15 minutos olhando papel. Às 14 horas chega a farmacêutica e vai trocar de roupa. 14h15 ela volta, exatamente com a mesma roupa que chegou e um jaleco branco por cima. Tudo bem, sem pressa, tô de férias mesmo, no stress.

Aí eu viro para ela:

- Acordei com uma feridinha na boca, mas tô na dúvida se é herp....

- É.

Na verdade, antes do ‘é’ ela ainda apertou os olhinhos por uns três centésimos de segundo fazendo uma profunda análise da minha ferida na boca. Essa praticamente consulta à farmacêutica deve ter durado, no máximo, 2 segundos. Até porque antes de eu agradecer e falar ‘ah, então a melhor pomada é aciclovir, né?’ Ela já estava do outro lado da loja.

Então eu me dirijo à vendedora da farmácia e peço uma pomada aciclovir ou zovirax, ‘o que estiver mais em conta’ como de costume. Ela simplesmente não tem. Pelo menos eu já tenho a confirmação do ‘diagnóstico’. Volto andando, nesse solão, para a Drogaria Araújo. Nisso já devia ser quase 14h30. Cheguei em casa de novo um pouco antes de três da tarde. Mais de uma hora e meia depois de pensar ‘ah vai ser mais rápido eu ir à farmácia e confirmar minha suspeita. Sem contar que tudo bem, sem pressa, tô de férias mesmo, no stress.

Rá...Rá...Rá...

segunda-feira, março 19, 2007

Vivre sa vie

Essa semana eu estou de férias! O que é muito bom para tirar alguns atrasos. Hoje mesmo fui ao médico e descobri que estou com sinusite. Na verdade eu já devia estar há algum tempo, mas como não ia ao médico, só descobri agora. O duro é ficar 10 dias sem beber, por causa do antibiótico, e ainda ter que pagar por isso! Pelo menos hoje nós temos os espetaculares genéricos! Só a caixinha de antibiótico que custa 74 reais acabou saindo por módicas 52 pratas. A soma toda, incluindo antialérgicos, foi menos de 63 reais, ou seja, mais barato que o antibiótico original.

Outra dica, quando você pressentir que os remedinhos não serão baratinhos, é pedir na Unifar (3339-2900). Eu não sei porquê, mas eles vendem os remédios com 20% de desconto e entregam em casa (sem taxa!) e ainda agendam o horário. Tipo, eu poderia receber o remédio na parte da manhã de 8h às 10h ou de 10h às 12h30. Não é muito fino? Deus salve as farmácias populares.

Também vou aproveitar essa semana para ler mais e quem sabe até cozinhar. De vez em quando um tempo à toa na sua própria cidade é bom para aproveitar promoções, comprar verdura fresca, visitar exposições. No mínimo a programação do Palácio das Artes “Encontro Marcado com Fernando Sabino” eu quero acompanhar. Vocês sabiam, caros leitores, que o Fernando Sabino foi meu primeiro grande herói?

Só não pretendo ir ao cinema porque o Kenji descobriu os prazeres do ‘vamos baixar o filme na internet’. Já vimos vários assim e eu estou adorando, até porque combina com a minha fase de absoluta austeridade fiscal.

O que me lembra um outro atraso que pretendo tirar nessas micro-férias: ir ao banco, contar as moedinhas, conversar com a gerente sobre como pagar menos tudo (taxas, cpmf, anuidades). Ir ao banco e conversar quase sempre é sinônimo de economia. Minha última descoberta foi que a Caixa, por exemplo, tem dois tipos de conta: a conta corrente e a conta poupança. Para quem não pretende usar o talão de cheques da Caixa (meu caso) a diferença entre a primeira e a segunda é que você não paga taxa nenhuma na conta poupança e ela ainda pode render alguma coisa. Depois que soube disso mudei imediatamente para conta poupança e economizei quase 20 reais por mês, ou 240 reais por ano. Isso sem fazer esforço nenhum e já dá para comprar pelo menos uns cinco livros muito bons!


Férias em BH é isso aí...

segunda-feira, março 12, 2007

O Processo

Algumas lições da semana

Pare de fumar, esse negócio faz mal para a saúde.
Faça, sempre, todos os exames.
Se você é homem apenas ouça o que a sua garota tem a dizer, na maioria das vezes é o suficiente.
Corte as garras dos seus gatos.
Confira os vazamentos, os canos e o tamanho das janelas.
Indicações podem ser tão boas quanto um mapa.
Sobrar é sempre melhor que faltar.

O mais importante de tudo: consulte um especialista antes de tomar qualquer atitude na vida. Dê preferência aos especialistas amigos.




O Encontro Marcado

Parabéns à Cíntia e ao Murilo que hoje têm muito mais que um projeto, um sonho, um ideal: têm o Max nas mãos!

segunda-feira, março 05, 2007

Minority Report

Como diria o Itamar Assumpção, venha até São Paulo relaxar, ficar relax. Foi o que fizemos, eu e Kenji. Cinco dias de pernas pro ar na minha terrinha.

A casa do Melk e da Renata é uma espécie de Pasárgada da gaita, da música, dos furões e da comida vegetariana. Eu adorei cada minuto que ficamos lá.

O festival no SESC, como sempre, foi excelente, não apenas pelas atrações, mas principalmente pelos amigos. Melhor ainda quando os amigos são as atrações, como esse ano. A Mari tocou e cantou, o Eisenger arrebentou com o trio gaita, violão e percussão e eu gostei muito, muito mesmo da apresentação do Vítor Lopes.

Também conhecemos a fábrica da Bends que fica em Ribeirão Pires, uma pequena e pacata cidade pertinho de Sampa. O Valdecir estava lá e me pareceu feliz, o que me deixou feliz também. Essa galera que dedica a vida a um instrumento, nesse caso a gaita, merece ser reconhecida.

Acho que a Bends tem tudo para dar certo e torço por isso porque o pessoal tem se esforçado um bocado para que as coisas aconteçam da maneira certa. Eu respeito pra caramba essa dedicação porque estou convencida que a perfeição só existe no campo do ideal, nada no mundo prático é perfeito, até porque a sua definição varia de cabeça para cabeça. Agora, desejar e atuar na realidade de maneira ética e responsável para alcançar o melhor resultado possível já são outros quinhentos. Acho que o pessoal da Bends tem feito isso o que já me parece bastante louvável e meio caminho andado para alcançar o objetivo.

A gente também visitou o abrigo para crianças que o pai da Renata mantém em Ribeirão Pires e foi muito legal. A meninada é linda, saudável e cheia de energia para brincar. Quem for conhecer a fábrica não deveria perder a oportunidade de ir ao abrigo também.

Enfim, conhecemos mais gaitistas e fizemos novos amigos. Como sempre.

Para fechar com chave de ouro ainda ganhamos, no show do Carlini na Livraria da Esquina, um pingüim gaitista da Beth. Eu nunca teria imaginado um presente melhor.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Rudolph

Estou me sentindo assim...



Odío quando meu nariz me prega peças.

domingo, fevereiro 18, 2007

Se meu apartamento falasse

Senhoras e Senhores,

Eu tenho a honra de informá-los que o contrato foi assinado. Em breve as gatas estarão de casa nova. E própria.

Que os anjos e a Caixa Econômica Federal digam amém. :-)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Brazil, o filme

Você sabia que o Código de Processo Civil está passando por uma reforma que começou em 2001 e culminou na aprovação de uma lei que muda quase tudo em dezembro do ano passado? Eu também não, até uns três dias atrás.
E você sabia que isso significa que qualquer processinho que você tenha que entrar na justiça tem regras totalmente novas? Incluindo comprar um imóvel, divorciar-se ou receber alguma indenização? Sabia?

E que o governador de São Paulo José Serra vetou um projeto de lei de Redução de Danos? E o prefeito da cidade de São Paulo Gilberto Kassab vetou um outro que pune a discriminação por orientação sexual na capital paulista? Alguém te contou?

E sabe quem não contou nada disso para ninguém? A mesma imprensa que nos anestesia diariamente com imagens cada dia mais chocantes de violência, com a exploração inclemente da desgraça alheia e com um repertório inacabável de desinformação, seja pelo meio impresso ou eletrônico.

Aproveito para recomendar fortemente que você entre no link ao lado do VotoLula. O Ric, tio da Clarice, seleciona e comenta notícias bastante interessantes da nossa política nacional. Aliás deveríamos renomear o site para Blog do Ric, porque pelo menos essa colaboradora está deixando muito a desejar.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Em nome de Deus ou
A diferença entre o crédulo, o fiel, o ateu, o cético, o agnóstico e o incrédulo

O crédulo é aquele que acredita, que contém a chama da crença seja no que for, Deus, homens, ciência, igualde, família. Ele crê e aquilo o ajuda de alguma forma a acordar de manhã.

O fiel é o crédulo em Deus. Nem todo crédulo é fiel, mas todo fiel é crédulo. Não confundi-lo com o religioso, porque entre esses muitos são incrédulos, não vale a pena nem classificar os religiosos pois aqui estamos falando de fé.

O ateu é o crédulo na não existência divina. O ateu não só acredita que deus não existe como ele quer convencer a humanidade que de acordo com a realidade objetiva não é possível a existência de um Deus. Como se a fé em Deus tivesse alguma coisa relacionada com a realidade objetiva ou mesmo com a existência dele.

O cético não acredita em nada antes de obter alguma comprovação objetiva. O cético só não é um incrédulo porque pode ter a sorte de acreditar em alguma outra coisa. Ou seja, podem existir céticos crédulos, mas são poucos, e procuram validar de alguma forma sua fé, seja através da ciência, do idealismo, até do romantismo.

Agnóstico é o apelido do cético quando estamos falando na crença em Deus. Ele não crê na existência divina, nem na sua não existência. Como o ateu, ele não consegue conciliar a idéia de um Deus com suas observações do mundo real, porém, diferentemente do ateu, tem a necessária humildade para concordar que as suas observações podem não captar todas as respostas do universo. Outra diferença essencial entre o agnóstico e o ateu é a falta de ânimo, de prazer e de argumentos para longos debates com os fiéis sobre o tema, ânimo, prazer e argumentos que sobram entre os ateus.

O incrédulo, bem, o incrédulo não acredita, ele perdeu a fé. Costuma ser uma figura cabisbaixa, deprimida, tristinha. Ou pior, o incrédulo pode tornar-se cínico, cruel e imoral, porque se nada tem jeito, porque ele teria?

Onde você se classifica? Como anda a sua fé?

Eu, por exemplo, não passo de uma agnóstica, portanto cética, insossa e pouco crédula.


Thomas Henry Huxley

terça-feira, fevereiro 06, 2007

A Chorus Line

Ontem recomeçaram as aulas de pandeiro. Nesse ano de 2007, começo a ensaiar em outro pandeiro, do luthier Fernando, aqui de Belo Horizonte. Trata-se de um pandeiro com o diâmetro maior, 10 polegadas, por isso mais grave, com acabamento bem melhor do que eu usava anteriormente. Na verdade eu já tenho esse pandeiro desde setembro, acontece que ele é mais pesado que o primeiro, então protelei até agora para tocá-lo. Mas depois que você pega um instrumento bom, principalmente com um som mais bonito, não quer soltar nunca mais. Agora preciso é me acostumar com ele e adquirir resistência.

Uma das coisas mais certas que o Caetano Veloso escreveu na vida dele foi "como é bom poder tocar um instrumento".

Costura Da Vida
Tambolelê. Composição: Sérgio Pererê

Eu tentei compreender
A costura da vida
Me enrolei pois
A linha era muito comprida

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar

Se na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Na linha das águas
Sou triste
Pelo fogo que um dia apaguei

Na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Mas na linha do fogo
Sou triste
Pelos mares que não naveguei

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar



Update do post anterior: o Kenji já comprou os adesivos de reciclagem, vamos aproveitar (muito ecologicamente) uns baldes de plástico do Royal Canin que estavam lá em casa sem uso. Reciclagem djá!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Day After

Ontem apagamos a a chave geral do apartamento às 19h55. Na verdade poderíamos ter ligado às 20h, mas só o fizemos às 20h40. Foi uma forma de participar do movimento 5 minutos pela Terra, organizado por um grupo de ambientalistas franceses, a Aliança pelo Planeta. No Brasil a repercussão foi ínfima, até que na França eles conseguiram alguma divulgação. Fizemos, porém, mais pela proposta em si do que por resultados objetivos. A questão é que se não começamos a participar, esse tipo de ação não irá nunca alcançar resultados.
A partir da semana que vem, também começaremos a reciclar lixo. Mesmo tendo que sair de casa para entregar o lixo reciclável em postos de coleta. Incrível, mas no Gutierrez não tem coleta seletiva da prefeitura.
Acho que já é um começo.

terça-feira, janeiro 30, 2007

O maior espetáculo da terra

A coisa mais legal do lançamento do CD do Gaita-l é a sua premissa. Ela não está escrita em nenhum papel, ninguém a solicita verbalmente, acho até que a maioria da galera a adota sem nem perceber. Mas ela sempre está presente.

Essa premissa é o desprendimento.

Desprendimento de tudo: de medos, de preconceitos, de ambições, de dúvidas.
Porque no lançamento do CD do Gaita-l não existe medo de palco, não existe lugar bom ou ruim - seja para dormir, seja para tocar - ninguém quer ganhar nada, não tem estilo musical pré-definido, não tem regra e não tem frescura. Aí o povo que vem pela primeira vez fica com aquela cara de deslumbrado, de "como pode continuar sendo tão bom".
E a única resposta é que a premissa continua valendo.
Porque quando ninguém está preso, seja a convenções, seja às suas regrinhas internas, seja à timidez, as coisas acontecem de forma genuína.
E cada coisa, por menor que seja, que cada um faz, fica enorme, porque não havia expectativa alguma, muito menos cobrança.
Manter o desprendimento e a genuinidade tanto do CD como dos lançamentos foi a melhor estratégia para fazer com que cada um deles, seja em BH, em Santos ou no Rio, fosse único.
E essa grande sacada, se foi espertamente implementada pelo Kenji, contou com a colaboração de todo mundo, absolutamente todo mundo, que algum dia já participou de algum CD ou lançamento, para funcionar. Por isso que essas pessoas são tão bacanas e fazem esses encontros momentos tão especiais.
Espero que as coisas continuem assim e tenho certeza que continuarão.
Amém.


Alguns gaitistas presentes em BH esse fim de semana

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Gattaca

Ontem tive um insight: deve existir uma explicação genética para a escolha de alguns indivíduos pelo socialismo.

Explico-me. Quanto mais eu leio, mais me convenço que o capitalismo é o sistema hegemônico no mundo exatamente porque ele é o que melhor se encaixa nas características gerais da humanidade.
Porque vejamos, enquanto o socialismo (aos liberais de plantão aviso de antemão que estou falando do socialismo ideal, e não das experiências vividas em alguns países como a Rússia, muito menos a China) almeja uma sociedade com valores mais fraternos, (igualdade, fraternidade, desprendimento, altruísmo), o capitalismo suporta bem valores, digamos, mais individualistas como a ambição, o poder, a violência, a vingança. E o fato é que para a maioria dos mortais isso está ok. Isso acontece, provavelmente, porque a sociedade é formada por pessoas ambiciosas, violentas, vingativas e com sede de poder em uma proporção que permite ao grupo em geral, aceitar essas situações e conceitos com naturalidade. Estou, evidentemente longe de dizer que todos os membros das sociedades capitalistas são ambiciosos, violentos, vingativos e têm sede de poder, teorizo, apenas, que o contato com essas características no cotidiano, nas relações subjetivas, permite que elas sejam aceitáveis no âmbito macro.

O que a genética tem com isso? Chegarei lá.

De acordo com esse raciocínio, o socialismo teria alguma chance de existência se a maioria dos integrantes de uma sociedade percebesse em sua volta, nas suas relações cotidianas uma tendência à adoção destes valores altruísticos já citados. Essa possibilidade, aqui entre nós, é bem remota.
Sendo assim, o que faria alguns indivíduos da nossa sociedade insistirem tanto na construção de uma sociedade igualitária? O que motiva esses seres a indignar-se e ruborizar diante das injustiças do mundo desde a fome, a subnutrição infantil, a guerra, a ditadura, até a destruição do ecossistema, a circuncisão feminina ou mesmo a extinção do rinoceronte branco de um chifre só? E principalmente, o que faz com que esse grupo de seres humanos acredite na tendência da sociedade em adotar seus valores?
Vamos às suas características, i. eles são minoria absoluta no mundo, ii. em algumas regiões do planeta, entretanto, é possível observar aglomerações destes indivíduos, iii. muitas vezes são vários membros em uma única família, iii. argumentos, pressões e até tortura habitualmente não conseguem dissuadi-los de seus pensamentos, o que pode demonstrar que se trata de uma coisa intrínseca ao ser, e não apenas racional iv. a idade também parece não influenciar na condição específica.

A reposta pode, perfeitamente, ser um gene. O gene da utopia social. Não há pesquisas que apontam para o gene da crença religiosa? Poderia até ser uma mutação, o gene da crença na sociedade. Podem surgir, inclusive, especulações sobre a origem do gene. Talvez Russeau, ou mesmo Marx. Não é má idéia para pesquisa. Fica a sugestão para os amigos biólogos.

(post inspirado no artigo "Sejamos Lógicos" do economista Antônio Delfim Netto, publicado no Valor Econômico de ontem - 23/01 e provavelmente pela falta do Chico Lobo que foi para a Alemanha e agora não tenho com quem dividir teorias esdrúxulas)


Eduardo Galeano é um espécime a ser estudado para comprovar, ou não, minha teoria

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Conte Comigo

O importante nesse mundo é ter amigos. Quinta agora precisava contratar um jornalista no Rio de um dia para o outro. Na mesa do boteco, a Bárbara deu dois telefonemas e estamos aí com o jornalista. Na sexta, precisei de um fotógrafo para aquela hora exata. Vem o Beto e salva o dia. Hoje não sabia exportar imagens de um arquivo Corel e o Marcelo me ensinou. Quem tem amigo tem tudo.
E não estou falando dessa história de networking. Meus amigos são meus amigos, se eles quebram galhos de vez em quando ótimo, mas eu gosto deles por milhões de motivos diversos, além deste. Esse negócio de networking me dá uma certa coceira porque parece coisa de quem não tem vida pessoal, só profissional. Sabe esse povo que come, dorme, lancha, sonha e trepa pensando no futuro profissional, nas realizações e afins? Esse tipo de gente é que constrói uma networking. Gente como eu simplesmente recorre aos meus amigos e tudo bem.