sexta-feira, agosto 03, 2012

Locomotiva

Tenho fogo dentro de mim.
Arde, alastra, arrefece, esquenta outra vez.
Às vezes cresce até a pele e chega a iluminar.
Mas dói.E machuca quem toca.
Não tem rosto nem nome esse fogo.
Eu não rezo para ele.
Não apaga nunca. Mesmo que eu queira.
Vai embora, diabo, me deixa!
Não mata. Mesmo que eu peça.
Termina logo com isso, trem.
Não é bom. Mas é necessário.
Ele me ajuda a levantar e a querer.
A continuar seguindo, trilhando e gritando.
Como uma locomotiva.

quarta-feira, outubro 12, 2011

A furadeira de fazer papá – ou sobre marketing, dia das crianças e até Giselle

Como profissional de marketing, reconheço que somos treinados para identificar tendências e padrões. O objetivo é agregar valor aos produtos que vendemos. Quanto mais um produto (seja um pedaço de plástico, um sabonete, um avião, ou um componente de computador) ganhar ‘valor’ subjetivo por meio do marketing, melhor. Para fazer isso identificamos na sociedade padrões e valores que nos auxiliam nesse intuito. Sim, administração e marketing são ciências sociais e suas ações interferem, impactam, transformam e consolidam papéis na realidade social. Até aí tudo bem. Vivemos em uma sociedade capitalista e convivemos com as dores e delícias dessa realidade.

E como sociedade, temos que aprender mesmo que a duras penas. Com a indústria tabagista, por exemplo, aprendemos que limites são necessários. Há 50 anos a indústria do cigarro fazia todo tipo de publicidade, patrocinava Hollywood, fazia um marketing perfeito: vendia desejo, status, prazer. As mais de mil substâncias tóxicas envolvidas no papelzinho branco eram meros detalhes. A dependência química, quando descoberta, foi motivo de alegria e não de preocupação. Hoje pensar nisso nos parece uma loucura não? Voltando ao exemplo, o fato é que o número absurdo de mortes e o descaso da indústria com os “efeitos indesejáveis” de seu produto dos sonhos fez com que a sociedade se mobilizasse. Através do Estado, que mudou suas leis, informou a população dos riscos e cobrou na justiça, hoje a indústria tabagista é regulada. Fuma quem quer, mas a festa da propaganda acabou.

Gosto desse exemplo porque ele serve para duas reflexões importantes. A necessidade de regular os abusos mercadológicos da indústria alimentícia, de brinquedos, de cosméticos que não se constrangem em focar deliberadamente nas crianças, é uma delas. A outra é o papel da sociedade nessa batalha.

E aí me lembro da Giselle e a tal propaganda de calcinha. Será que os profissionais de marketing vão continuar virando as costas para a sociedade e fingindo que é legal tratar a mulher como idiota? Será que eles não percebem que se a Secretaria de Políticas para as Mulheres tomou uma atitude foi porque a sociedade assim solicitou? Por mais que os reacionários e comprometidos com as gordas verbas publicitárias bradem que não, gritem e esperneiem como baratas submersas no Detefon, isso é um fato.

Não adianta tapar os ouvidos, os movimentos sociais existem. E sim, eles também interferem no mercado. Os profissionais de marketing deveriam saber disso. Todo produto pode ser vendido com inteligência e ética. O desafio que fica é justamente descobrir os padrões e tendências certos. Não porque isso é louvável, mas porque é necessário para atender as demandas da sociedade. Isso vale para vender veneno em doses homeopáticas, comida, sutiã ou brinquedos.

E aí finalmente chegamos ao dia das crianças. Tudo que foi colocado aqui se aplica, infelizmente, ao bombardeamento que as crianças sofrem para consumir. E nessa data específica, o recado permanece para o mercado, mas é mais importante para os pais. Estamos no meio da batalha para não transformar nossos filhos em meros compradores de produtos. O arsenal, quando se trata de crianças, é pesado. Mas quem define ainda somos nós. Temos que entender que não existem brinquedos de meninos e de meninas, assim como nenhuma entre dez estrelas jamais usou lux luxo na vida. Dividir as gôndolas das lojas em ‘azul’ e ‘rosa’, vender esmalte ou batons “próprios para meninas” são artifícios mercadológicos meticulosamente avaliados para otimizar vendas. Apontar para as consequências maléficas que isso causa para a construção da autoimagem das nossas crianças, é problema nosso.

Hoje, a minha filha ganhou uma mesa de ferramentas com martelo, alicate, parafusos e uma furadeira. Quando foi perguntada, ela disse que usaria o martelo para consertar a porta e a furadeira para fazer papá. Morremos de rir. É essa liberdade que aos dois anos ela precisa, de opções e liberdade para exercitar a imaginação. Pense nisso na próxima vez que comprar a primeira bobagem cor de rosa que um vendedor lhe apresentar.

Este post retira esse blog de sua tumba e faz parte de uma blogagem coletiva sobre infância e Consumo do grupo de discussão Blogueiras Feministas.

Teresa e sua furadeira de fazer papá

segunda-feira, novembro 01, 2010

Muito bom

Hoje eu tô feliz.
Primeiro porque o Brasil acaba de eleger a primeira mulher presidente da república.
Isso é tão rico, tão bacana, tem tanto a ver com sonhos de 1989.
Depois porque meu fim de semana foi ótimo.
Meu sábado foi fantástico na casa da Cyntia, do Murilo e do Max.
O passeio, o pão de requeijão e até o banho da Teresa, tudo perfeito. Adorei.
E hoje a galera de Sampa. Pudemos colocar a conversa em dia, bater papo como nos bons e velhos tempos.
Meu cooktop funcionou lindamente e pudemos comer fondue e beber vinhho aos montes. Sem contar a saudade que eu estava de uma boa e verdadeira dose de Fofinha, a melhor cachaça de todo os tempos. (Aliás, Osmar, meu amigo, se você ainda puder me
ouvir, por favor, me arrume mais algumas garrafas, ok?)
E a Teresa ainda ganhou uma camiseta rock star com uma caveirinha bordada.

Como alguém pode ser mais feliz que isso?? ;-)

terça-feira, outubro 19, 2010

Perfeito. Eu achei.

Copiei e colei na correira. Mas assino embaixo. Para quem está farto dessa campanha refletir.

O caluniador, figura da barbárie

Juarez Guimarães 15 de outubro de 2010 às 16:00h

De todas as eleições presidenciais realizadas após a redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.

A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe assegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou gonorréia em Dilma.

Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?

Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.

O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.

Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.

Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”?
O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força ?

O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida.

Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira.

A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local.
A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”. Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade.

É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum.
Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez. Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger?

O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”.

O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano.

Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres.

A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado.
É essa idéia força, que veio ganhando terreno na hierarquia do clero brasileiro a partir das perseguições à Teologia da Libertação, que agora irrompe na política brasileira, difamando Dilma Roussef. A calúnia é conveniente ao fundamentalista religioso: nesta visão de mundo, não há luz e sombra, não há e não pode haver semi-tons: quando Serra proclamou que o “direito ao aborto no Brasil seria uma carnificina”, ele estava dando a senha para a campanha difamatória da direita católica e evangélica.

O proto-fascista e seus privilégios – Todo processo político e social de democratização e de inclusão tão amplo como o que está se vivendo no Brasil provoca reações de resistência e regressão política à sua volta. Mas este também não é um fenômeno apenas brasileiro: observa-se à volta de nós fenômenos e operações muito típicas daquelas que estão sendo promovidas pela direita republicana norte-americana contra Obama ou que percorrem quase todo o continente europeu em torno ao tema dos imigrantes.

O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não que reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros.

Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles.

A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador.Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos.

Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef! (grifo meu. Os demais são do autor)

Juarez Guimarães

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/o-caluniador-figura-da-barbarie


Aproveitando para dar um recadinho: amanhã, 20/10, Dilma assina em Brasília, no Hotel Nacional, o documento "Compromissos de Dilma com o Meio Ambiente", onde se compromete com o desenvolvimento sustentável e demonstra, mais uma vez, que o meio ambiente será uma das prioridades em seu governo. Para os ambientalistas que votaram na Marina refletirem.

sábado, outubro 02, 2010

Bubuia

- Bubuia
- Bubuia filhinha, o que é?
- Bubuia...buubuia... bubuiaa
- Tá bom, filhinha, bubuia.
Dois dias depois:
- Bubuia
- Mais bubuia, Tetê?
- Bubu...ia...Bubu..ie...
- Bubuie??
- Bubu...Bubu...ie...
- ??
- Bubu...ieta! Bubuieta! (sorrisão)
Hoje no carro:
- E a borboleta, Tetê?
- Boboieta! (sorriso super seguro de si!)

terça-feira, setembro 28, 2010

Não dá

Não, não dá para passar batido.

Hoje, dia 28 de setembro, é o dia pela Descriminalização do aborto na América e Caribe.

E eu acho que todas as mulheres devem se manifestar de alguma forma.

Porque o controle do próprio corpo diz respeito a todas nós.

Porque a criminalização de um ato tão íntimo como a interrupção de uma gravidez é uma violência, uma agressão, já no seu conceito.

Porque se trata de um "crime" que apenas um dos responsáveis é punido.
(Alguém já parou para pensar que um homem dificilmente será preso por ter tido um filho abortado? Mesmo sendo também responsável pela gravidez e
muitas vezes o financiador do aborto?)

Porque essa mesma criminalização desrespeita a laicidade do Estado Democrático de Direito.

Porque ninguém é a favor do aborto e ninguém tem o direito de dizer quando ele é necessário, ou não, além da mulher que pretende enfrentá-lo.

Porque aqueles que, com ou sem motivações religiosas, discordarem, sempre terão a opção de dar segmento à gestação.

Porque a vida, a dignidade, e a saúde de uma mulher (que muitas vezes já é mãe e opta por não ter mais filhos para garantir a sobrevivência dos que ela já tem), são muito mais importantes do que discussões abstratas sobre o que é vida ou qual o exato momento do seu surgimento.

Enfim, porque legalizar o aborto é garantir às mulheres direitos fundamentais como o da dignidade e o da intimidade tão caros aos nossos legisladores mas que ainda se encontram no rol de privilégios do gênero masculino.

Para complementar, um ótimo post sobre o assunto.