sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Em nome de Deus ou
A diferença entre o crédulo, o fiel, o ateu, o cético, o agnóstico e o incrédulo

O crédulo é aquele que acredita, que contém a chama da crença seja no que for, Deus, homens, ciência, igualde, família. Ele crê e aquilo o ajuda de alguma forma a acordar de manhã.

O fiel é o crédulo em Deus. Nem todo crédulo é fiel, mas todo fiel é crédulo. Não confundi-lo com o religioso, porque entre esses muitos são incrédulos, não vale a pena nem classificar os religiosos pois aqui estamos falando de fé.

O ateu é o crédulo na não existência divina. O ateu não só acredita que deus não existe como ele quer convencer a humanidade que de acordo com a realidade objetiva não é possível a existência de um Deus. Como se a fé em Deus tivesse alguma coisa relacionada com a realidade objetiva ou mesmo com a existência dele.

O cético não acredita em nada antes de obter alguma comprovação objetiva. O cético só não é um incrédulo porque pode ter a sorte de acreditar em alguma outra coisa. Ou seja, podem existir céticos crédulos, mas são poucos, e procuram validar de alguma forma sua fé, seja através da ciência, do idealismo, até do romantismo.

Agnóstico é o apelido do cético quando estamos falando na crença em Deus. Ele não crê na existência divina, nem na sua não existência. Como o ateu, ele não consegue conciliar a idéia de um Deus com suas observações do mundo real, porém, diferentemente do ateu, tem a necessária humildade para concordar que as suas observações podem não captar todas as respostas do universo. Outra diferença essencial entre o agnóstico e o ateu é a falta de ânimo, de prazer e de argumentos para longos debates com os fiéis sobre o tema, ânimo, prazer e argumentos que sobram entre os ateus.

O incrédulo, bem, o incrédulo não acredita, ele perdeu a fé. Costuma ser uma figura cabisbaixa, deprimida, tristinha. Ou pior, o incrédulo pode tornar-se cínico, cruel e imoral, porque se nada tem jeito, porque ele teria?

Onde você se classifica? Como anda a sua fé?

Eu, por exemplo, não passo de uma agnóstica, portanto cética, insossa e pouco crédula.


Thomas Henry Huxley

13 comentários:

enquanto dá disse...

Bom, intercruzando os blogs, eu mantenho o que disse no blog do Chico :)

Lori disse...

Depois de alguns anos sendo ateia eu acabei agnóstica... Mas não só por falta de ânimo ou de prazer para ficar discutindo. É por cair na real mesmo de "quem sou eu pra saber" e "quer saber? eu não me importo". Tanto faz mesmo, se não tá ajudando não tá atrapalhando (eu digo, a existência ou não de Deus).

Kenji disse...

o thomas huxley parece o caius baltar :-)

eu não me importo com o que as pessoas acreditem, desde que isso leve essas pessoas a praticarem a coisa certa :-)

Ludmila disse...

Gente, parece o Baltar mesmo! hahahahahahahaha!

Rosi, acho que a gente falou a mesma coisa com palavras diferentes. :-)

Lori, essa que é exatamente a questã. O agnóstico não se importa e está aberto. Eu mesma respeito muito pessoas bacanas (conheço várias) que acreditam em forças superiores e inclusive atuam de maneira ética e fraterna em função dessa fé. Eu só não acredito no que elas acreditam. Mas respeito um tantão. ;-)

Francisco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco disse...

Doido o texto, Lud! Se me perguntarem no que eu *acredito*, atualmente digo que sou ateu. Minha "feh pessoal" me sugere fortemente que deus nao existe. Mas, como sei que nunca vou saber a verdade absoluta sobre nada, e que tudo sobre o que eu falar "tenho certeza absoluta" implica em feh, como vc mesma disse, eu sei que no fundo no fundo eu sou soh um agnostico que fala que eh ateu para despertar algumas discussoes divertidas com pessoas religiosas, especialmente em ocasioes com alcool em abundancia. ;-p

Ludmila disse...

Na verdade, acho que a diferença entre o ateu e o agnóstico é justamente essa coisa da discussão, do envolvimento. Porque pensar eu acho que eles pensam igualzinho. :-) E eu inclusive acho legal, quando é feito com respeito, quando o ateu se propõe a pensar sobre o assunto, o que sempre é interessante. Acredito que o homem, a espécie, evolui assim, através do embate de idéias mesmo. :-) Mas euzinha mesmo não tenho a menor paciência para isso. :P

Lori disse...

Ah, eu não tenho mais paciência para discutir se existem ou não evidências históricas da existência de Jesus Cristo ou *insira aqui algum debate muito interessante* pq a maioria das pessoas que crêem nem se fodem para argumentar a favor do que acreditam.

E pior do que nem se fuderem para juntar argumentos pra discussão elas também nunca usam o argumento mestre que as livraria de qualquer outro "Deus é todo poderoso e por isso ele pode tudo, DUH" (com um DUH no final pra ficar mais irritante). Até pq eu acho que elas mesmas acham bem infantil se apoiar nos super-poderes de Deus, fica parecendo uma criança defendendo o Superman. Mas ainda assim seria um argumento válido.

Um lance muito bom que eu vi foi no Joan of Arcadia (a série sobre a adolescente que conversava com Deus). Ele fala pra ela que é Deus e ela pede prele provar fazendo um milagre, ele diz que já está na cara dela e dá um exemplo apontando pra uma árvore, ela:
- Mas isso é uma árvore, não é milagre nenhum.
E ele:
- Faz uma que a gente discute.


Mas fora isso eu adoro conhecer as crenças religiosas de todo mundo, especialmente quando é alguma coisa que eu desconheço (tipo hare krishnas, muçulmanos ou judeus).

Kenji disse...

eu gosto do zen :-) como vcs podem imaginar

principalmente por causa dos contos, que muitas vezes têm um certo humor irônico raro nas religiões, sempre sisudas e chatas :-)

ok, zen não é religião. religião é coisa de PÁBRE. rico tem é doutrina :-)

Ludmila disse...

Poiseh, se fosse para acreditar em alguma coisa eu acreditaria em Krishna, Shiva, Ganesh... (na verdade eu sou tão ignorante que eu nem sei o nome dessa religião.. É hinduismo? hare krishna? não sei...)
Mas voltando... Além de nomes lindos, todos homens, mulheres, crianças são super bonitos, fortes, azuis (adoro a cútis azul daqueles deuses), vivem em paraísos floridos, cheios de lótus e me parecem muito viris. :-D Acho lindo. :)

Francisco disse...

Gostei da parte do Lotus ;-p

muriloq disse...

Ah, nem, Lud, dá um desconto, chamar ateísmo de religião é como chamar careca de cor de tintura de cabelo. A impressão que dá é que as pessoas acham que é impossível não acreditar em Deus (ou em uma "força superior" ou o que quer que seja). Não é não, é fácil e dá pra viver perfeitamente depois de se chegar a essa conclusão. Eu continuo com a batidíssima "cada um tem a religião que merece". :-D

Ludmila disse...

Murilo, eu daria o desconto que você quisesse se tivesse chamado ateísmo de religião. Sem contar que tanto eu como qq pessoa que tenha comentado o post (menos a Rosi, talvez) convivem bem com a não existência de Deus. :-) Não sei não, mas eu ainda acho que esse negócio de audio book não está te fazendo muito bem. ;o)