quarta-feira, maio 26, 2004

Jornada ao Centro da Terra

Encontrei esses poemas do Chacal no Jornal de Poesia (link ao lado)
Impossível publicar um só!

Na porta lá de casa

Na porta lá de casa
tem dizendo lar romi lar
uma bandeira de papel
na porta lá de casa
as crianças passam
e se atiram no chão
e se olham por dentro
das bocas das palavras
na falta de qualquer espelho
na porta lá de casa
passa o amor o calor
de cada um que passa
na porta lá de casa.

Rápido e Rasteiro

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.





quinta-feira, maio 20, 2004

Fita verde no cabelo - João Guimarães Rosa




(...)
Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:

- "Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!"

- "É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...? " a avó murmurou.

- "Vovozinha, mas que lábios, ai, tão arroxeados!"

- "É porque não vou poder nunca mais poder te beijar, minha neta...? " a avó suspirou.

- "Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?"

- "É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha...?" a avó ainda gemeu.

Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.

Gritou: - "Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!"

Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

In: Ave, Palavra



segunda-feira, maio 17, 2004

Insônia

Eu tenho milhões de coisas pra escrever: sonhos, idéias, fofocas.
Mas o tempo é tão curto, o cansaço anda vencendo o ânimo.
As vespinhas, no entanto, continuam aqui, aguardando o melhor momento para usar seus ferrões! Alegria e cansaço não se misturam. Felizmente.




quinta-feira, maio 13, 2004

Notícias do Front

Cof..Cof... Saindo da trincheira para dar notícias...

O serviço está apertando...

O Kenji tirou carteira! ÊÊÊÊÊ!

O ap continua uma bagunça, mas já começa a ter ares de casa:
Tem fogão?
Teeeem.
Tem amassador de latinha?
Teeeem.
Tem posters na parede?
Teeeem.
Tem internet?
Teeeem.
Tem Telecine?
Teeeem.

Tem caixa vazia?
Teeeem.
Tem caixa cheia?
Teeeem.
Tem poeira no chão todo?
Teeeem.
Tem roupa sem passar?
Teeeem.
Tem comida na geladeira?
Nãããão.

Tem Coca Cola Music sábado???
Teeeem!!!!!!






sexta-feira, maio 07, 2004

As Horas

Hoje é aniversário do meu pai e da minha irmã Jade. (thanx, mamy!)

Amanhã é a mudança. Veja isso!

Eu quero reunir todas as minhas forças para beber com a galera, porque eu estou morrendo de saudade.

Minhas borboletas estão alvoroçadas como vespas!

To fill a Gap

To fill a Gap
Insert the Thing that caused it –
Block it up
With Other – and ‘twill yawn the more –

You cannot solder an Abyss
With Air


Emily Dickinson – Fifty Poems
(thanx, K.)




quarta-feira, maio 05, 2004

Brincando nos campos do senhor

Tenda Espírita

Resolvo qualquer problema.
Faço qualquer trabalho.
Trago a pessoa amada de volta.





segunda-feira, maio 03, 2004

Imensidão Azul
ou
Que mistérios tem Clarice
Ou
Para quem entende japonês tão bem quanto eu

Iruka (Golfinho)

irukairuka Há golfinhos?
inaikairuka Não há golfinhos?
inaiinaiiruka Não, não há golfinhos!
itsunarairuka Quando virão os golfinhos?
yorunarairuka Será que virão de noite?
matakitemiruka Os golfinhos voltarão de novo?

irukainaika Há golfinhos?
inaikairuka Não há golfinhos?
iruiruiruka Há, há golfinhos!
ippaiiruka Um monte de golfinhos!
neteiruiruka Os golfinhos estão dormindo!
yumemiteiruka Bons sonhos, golfinhos!

Autor: Shuntarou Tanikawa
Tradução livre: Ricardo Bittencourt
(Domo Arigato Gozaimashita, Ric-San!)





domingo, maio 02, 2004

Eles não usam black-tie

Essa noite sonhei com o Eduardo Galeano. No sonho, ele dizia que quando “As veias abertas da América Latina” foi lançado, ele realmente acreditava que o livro poderia mudar mundo, que as pessoas o leriam e, informadas, iriam para as ruas, mudariam o sistema.

Ontem foi primeiro de maio. Do carro de som que passou aqui no centro da cidade, eles gritavam no microfone:
Eu já falei, vou repetir,
O Lula é vendido, pro FMI


Em São Paulo, dois milhões de pessoas lotaram as manifestações da CUT e da Força Sindical. Claro, além de shows com Wanessa Camargo, Sandy e Júnior, Daniel, eles sortearam até apartamento.

Meu sonho fala um pouco de desilusão. O tom do Eduardo Galeano era de “olha que bobagem...”. E no fundo é uma bobagem mesmo. Mas a bobagem é minha, de me deixar envolver por essa superficialidade que hoje impera em algumas esferas da vida política. Por mais que as políticas públicas adotadas pelo governo Lula e a sua inércia sejam uma enorme decepção, por mais que movimentos sociais organizados, que apresentam uma estrutura tradiconal, como o sindicalismo não nos diga mais absolutamente nada, nem tudo está perdido. Em outros lugares, através de novas configurações, na maioria das vezes distantes da mídia, muitos ainda se reúnem, atuam, planejam, desenvolvem ações. Nesses espaços novos, onde uma nova mentalidade está sendo formada, permanece ativa a possibilidade de mudança, de participação e de desenvolvimento social.

Eu sei que um único livro não pode mudar o mundo. Agora, seria possível mudar qualquer coisa no mundo, se os livros não fossem escritos?







sexta-feira, abril 30, 2004

A Streetcar Named Desire

Você, sozinha, passeando por livrinhos à toa. De repente, esbarra numa coisa dessas:

ESTUPOR

Esse súbito não ter
Esse estúpido querer
Que me leva a duvidar
Quando eu devia crer


Esse sentir-se cair
Quando não existe lugar
Aonde se possa ir


Esse pegar ou largar
Essa poesia vulgar
Que não me deixa mentir


E pensa. É, tem uma coisa que a lógica não alcança: o desejo.




quinta-feira, abril 29, 2004

Irmão sol, irmã lua

Sem os radicalismos da Rosi, mas bem que o tímido solzinho que saiu hoje de manhã podia vingar.

Estou com saudade.

Saudade do povo da gaita.
Saudade de sair da casa do Max depois de sete horas da manhã.
Saudade da Obra.
Saudade do Paco na Álvares Cabral.
Saudade do domingo feliz.
Saudade de Santos. (do Gonzaga, do Orquidário, do meu mar)
Saudade dos meus irmãos.
Saudade da Carine, da Raquel, da Clara, da Mariana, da Fernanda, do Odilon.
Saudade da pizza da dona Maria José.
Saudade da minha joboticabeira.

Todas essas coisas me fazem muito bem.





terça-feira, abril 27, 2004

A volta dos mortos vivos

Antes que esse blog morra:

- Eu estou bem melhor, mas bronquite e sinusite ao mesmo tempo, ninguém merece.
- Curitiba é Laranja Claumann.
- Eu adoro viajar com a Clarice e a Rosi.
- Eu adoro conhecer pessoas bacanas como o Ricbit.
- E também é ótimo adorar uma viagem, voltar para casa e beber no Maleta.
- Eu não sou nerd.
- Quando eu comecei a disciplina da Rousiley o objetivo era clarear meu projeto. Até agora, no entanto, tudo está me parecendo cada vez mais confuso. Ainda não sei se isso é bom ou ruim.





sábado, abril 17, 2004

Fame



Dois shows do Deja Blue seguidos!
Além de ouvir música de primeira qualidade é muito bom ganhar camiseta de tiete, estar entre amigos, tirar fotos , tomar muita cachaça e bater altos papos.
Para a banda eu só posso dizer: Cavanha, Juliano, Kenji, Raquel e Zeferino, eu sou fan de vocês!!!
E para quem não assistiu nenhum dos shows, insisto: não perca a próxima oportunidade, porque por aí vem mais, com certeza.


quarta-feira, abril 14, 2004

Mar em Fúria

Sonhei que estava numa casa com o Kenji e um dos cômodos era o mar. Então, chegou a Adrianinha para nos visitar e nós três fomos assistir TV no quarto que ficava em alto mar.

Tinha uma TV, um sofá e alguma coisa mais alta (um banco, talvez, ou uma janela) onde o Kenji estava sentado, e tudo boiava tranqüilamente. Nós assistíamos um seriado de ação onde os protagonistas eram o Kleiton e Kledir (lembram?). A Adrianinha olhou o seriado, achou meio chatinho e resolveu dormir no sofá. O Kenji estava adorando o programa na televisão e eu resolvi pegar umas ondas.

Peguei uma prancha de surf amarela e fui nadando até onde as ondas quebravam. Como o quarto ficava em alto-mar não havia ondas (provavelmente para as coisas não balançarem muito). Eu consegui me equilibrar em algumas delas. Cheguei até a ficar em pé na prancha e fui me aproximando da praia. Quando eu já estava bem perto da areia, olhei para trás e tinha uma onda gigantesca atrás de mim. Em cima da onda, um ônibus, 9204, lotado. Eu pensei: vou me abaixar para a onda não me machucar e o ônibus passar pela minha cabeça. Fechei bem os olhos e quando abri o ônibus estava do meu lado, com as rodas totalmente enfiadas na areia.
Eu pensei: putz, escapei por muito pouco.
Quando as pessoas começaram a descer do ônibus, todas reclamavam do perigo que haviam passado, eu vejo a minha prima Mariana entre elas. Conversei um pouquinho com ela, queria saber se ela estava bem. De repente a minha prima Mariana se transformou na minha prima Daniela de São Paulo.

A Daniela me levou para uma cozinha onde meu tio Nino, pai dela, fazia alguma coisa com tomates e cebolas (não parecia uma salada, como se poderia imaginar). Ela então começou a fazer um mingau de neném e a reclamar do meu tio Nino. Nisso, chega meu pai, que fica indagando porque ela estava fazendo um mingau, já que não havia nenhuma criança ali. Quanto mais nós perguntávamos sobre o mingau, mais a Daniela reclamava do pai.
Aí eu pensei com meus botões: é, a minha prima ta doida mesmo. E foi isso.

Agora, será que quem está doida sou eu??





domingo, abril 11, 2004

Sonhos Molhados

Lavras Novas é, foi e sempre será:

- Úmida pra cacete. Você coloca uma peça de roupa pra secar, ela fica mais molhada.
- Cerveja, cachaça, vinho e rum.
- Angu com quiabo. (Meninas, eu quase trouxe um marmitex de carne de panela só para vocês)
- O Kenji detonando na gaita, tocando Mercedes Benz e impressionando a Carla Picorelli, que acompanhou no violão.
- Chuva, neblina, chuva e neblina.
- Casinhas coloridas, gente muito simpática, hippies e barracas.
- Uma cruz no início da rua, uma igreja no meio, um buteco no final.
- Uma das viagens mais bacanas que eu fiz na vida.





quinta-feira, abril 08, 2004

I Confess (ou A tortura do Silêncio)

Algumas declarações de fundo emocional-ressaquístico:

Só há um profissional no qual você pode confiar sua vida: o garçom.
Eu tenho dois, de minha total confiança, o Tião da Obra e o Dionísio do Xoc-Xoc.
Eu estou toda arregaçada, mas a Obra ainda é um lar para mim.
A internet é definitivamente um excelente lugar para se fazer amigos.
Isso não significa que você deve aceitar encontros obscuros marcados por icq, percebe?
Água é um santo remédio.
O mais divertido disso tudo: hoje tem mais!





segunda-feira, abril 05, 2004

Meu querido Presidente
Ou
Porque hoje acordei mais vermelha.

Eu estou com vontade de fazer uma campanha de outdoor, lá em Brasília, com os seguintes dizeres:

Lula,
Não tenha medo de ser feliz!

Alguém topa dividir comigo?

Aproveito a proximidade da semana santa e deixo um trecho do poema “O operário em construção” do Vinicius de Moraes:

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
— Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro de seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

— Loucura! — Gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
— Mentira! — disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Como o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.






sábado, abril 03, 2004

Samba Canção

Desde que o Samba é Samba..
Caetano Veloso

A tristeza é senhora.
Desde que o samba é samba é assim;
A lágrima clara sobre a pele escura,
À noite a chuva que cai lá fora.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.

O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou,
O samba não vai morrer,
Veja, o dia ainda não raiou.

O samba é pai do prazer,
O samba é filho da dor,
O grande poder transformador.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.

O samba é pai do prazer,
O samba é filho da dor!

A tristeza é senhora.
Desde que o samba é samba é assim;
A lágrima clara sobre a pele escura,
À noite a chuva que cai lá fora.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.

O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou,
O samba não vai morrer,
Veja, o dia ainda não raiou.

O samba é pai do prazer,
O samba é filho da dor,
O grande poder transformador.

A tristeza é senhora.
Desde que o samba é samba é assim;
A lágrima clara sobre a pele escura,
À noite a chuva que cai lá fora.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.
Cantando eu mando a tristeza embora.
Cantando eu mando a tristeza embora.



sexta-feira, abril 02, 2004

Nova Poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida.

O poema dever ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelhecem sem maldade.

Manuel Bandeira




quarta-feira, março 31, 2004

Um sonho distante

Essa noite sonhei que estava trabalhando em algum lugar e precisava pegar um avião e um navio para chegar e para voltar. Apenas a viagem levava um dia inteiro, então eu agendava meus compromissos sempre contando com dois dias: um para ir e outro pra voltar.

O fato é que ontem eu voltei a estudar na Federal.





segunda-feira, março 29, 2004