O Gabriel Garcia Marques tem um livro chamado "Crônica de uma Morte Anunciada". Sim, é possível falar de mortes, desastres, tragédias que foram anunciadas e não evitadas. É o caso do acidente com o avião da TAM que, pelo jeito, matou mais de 200 pessoas. E não há explicação que possa diminuir a responsabilidade da crise aérea nesse acidente. Não é possível dizer, não foi a obra, não foi a pista, não foram os controladores. Os atrasos, o medo, a pressão, as dúvidas, se não foram responsáveis diretos por essas mortes, têm sua parcela de culpa. Acho pouco provável que os fatos desmintam esse raciocínio. O Gilberto Dimenstein , mesmo não contando com a minha absoluta simpatia, foi no ponto certo dessa questão: falta-nos cidadania. Como essa tragédia foi anunciada, milhares de outras também o são, porém com impacto menor. O jornalista mesmo citou dois excelentes exemplos: as milhares de mortes que ocorrem nas estradas mal conservadas e a morte de pelo menos um motoqueiro todos os dias na cidade de São Paulo. Todos os dias. Pessoas, se não fizermos nada, ninguém fará. Até porque existe uma oposição e uma imprensa que não estão nem um pouco preocupadas em resolver o problema e cobrar providências. A preocupação de ambas é clara: utilizar politicamente a tragédia para fortalecer o seu projeto eleitoral. O racicínio é simples, vamos aproveitar porque a nossa sorte é que está acontecendo com o outro. Se eles estivessem no poder, seria diferente? Porque nenhum político de frente alguma organizou manifestações, cobrou resultados ou apresentou projetos e soluções técnicas até o momento? Porque eles pouco se importam se morremos ou não. Enquanto isso os responsáveis, todos os envolvidos são responsáveis, apontam o dedo um para o outro. São 200 mortos, 200 famílias. Não gosto nem de pensar. Não gosto mesmo. Só digo o seguinte: está na hora de atuar, de cobrar dos responsáveis, além das desculpas, soluções. Cobrar da dita oposição vigilância e não oportunismo e da nossa imprensa responsabilidade, para informar com objetividade e isenção os reais fatos para que tomemos as medidas que estão ao nosso alcance.