Encontrei esses poemas do Chacal no Jornal de Poesia (link ao lado)
Impossível publicar um só!
Na porta lá de casa
Na porta lá de casa
tem dizendo lar romi lar
uma bandeira de papel
na porta lá de casa
as crianças passam
e se atiram no chão
e se olham por dentro
das bocas das palavras
na falta de qualquer espelho
na porta lá de casa
passa o amor o calor
de cada um que passa
na porta lá de casa.
Rápido e Rasteiro
Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
(...)
Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
- "Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!"
- "É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...? " a avó murmurou.
- "Vovozinha, mas que lábios, ai, tão arroxeados!"
- "É porque não vou poder nunca mais poder te beijar, minha neta...? " a avó suspirou.
- "Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?"
- "É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha...?" a avó ainda gemeu.
Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
Gritou: - "Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!"
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.
Eu tenho milhões de coisas pra escrever: sonhos, idéias, fofocas.
Mas o tempo é tão curto, o cansaço anda vencendo o ânimo.
As vespinhas, no entanto, continuam aqui, aguardando o melhor momento para usar seus ferrões! Alegria e cansaço não se misturam. Felizmente.
Cof..Cof... Saindo da trincheira para dar notícias...
O serviço está apertando...
O Kenji tirou carteira! ÊÊÊÊÊ!
O ap continua uma bagunça, mas já começa a ter ares de casa:
Tem fogão?
Teeeem.
Tem amassador de latinha?
Teeeem.
Tem posters na parede?
Teeeem.
Tem internet?
Teeeem.
Tem Telecine?
Teeeem.
Tem caixa vazia?
Teeeem.
Tem caixa cheia?
Teeeem.
Tem poeira no chão todo?
Teeeem.
Tem roupa sem passar?
Teeeem.
Tem comida na geladeira?
Nãããão.
Imensidão Azul ou
Que mistérios tem Clarice Ou
Para quem entende japonês tão bem quanto eu
Iruka (Golfinho)
irukairuka Há golfinhos?
inaikairuka Não há golfinhos?
inaiinaiiruka Não, não há golfinhos!
itsunarairuka Quando virão os golfinhos?
yorunarairuka Será que virão de noite?
matakitemiruka Os golfinhos voltarão de novo?
irukainaika Há golfinhos?
inaikairuka Não há golfinhos?
iruiruiruka Há, há golfinhos!
ippaiiruka Um monte de golfinhos!
neteiruiruka Os golfinhos estão dormindo!
yumemiteiruka Bons sonhos, golfinhos!
Essa noite sonhei com o Eduardo Galeano. No sonho, ele dizia que quando “As veias abertas da América Latina” foi lançado, ele realmente acreditava que o livro poderia mudar mundo, que as pessoas o leriam e, informadas, iriam para as ruas, mudariam o sistema.
Ontem foi primeiro de maio. Do carro de som que passou aqui no centro da cidade, eles gritavam no microfone:
Eu já falei, vou repetir,
O Lula é vendido, pro FMI
Em São Paulo, dois milhões de pessoas lotaram as manifestações da CUT e da Força Sindical. Claro, além de shows com Wanessa Camargo, Sandy e Júnior, Daniel, eles sortearam até apartamento.
Meu sonho fala um pouco de desilusão. O tom do Eduardo Galeano era de “olha que bobagem...”. E no fundo é uma bobagem mesmo. Mas a bobagem é minha, de me deixar envolver por essa superficialidade que hoje impera em algumas esferas da vida política. Por mais que as políticas públicas adotadas pelo governo Lula e a sua inércia sejam uma enorme decepção, por mais que movimentos sociais organizados, que apresentam uma estrutura tradiconal, como o sindicalismo não nos diga mais absolutamente nada, nem tudo está perdido. Em outros lugares, através de novas configurações, na maioria das vezes distantes da mídia, muitos ainda se reúnem, atuam, planejam, desenvolvem ações. Nesses espaços novos, onde uma nova mentalidade está sendo formada, permanece ativa a possibilidade de mudança, de participação e de desenvolvimento social.
Eu sei que um único livro não pode mudar o mundo. Agora, seria possível mudar qualquer coisa no mundo, se os livros não fossem escritos?