Essa noite sonhei que estava trabalhando em algum lugar e precisava pegar um avião e um navio para chegar e para voltar. Apenas a viagem levava um dia inteiro, então eu agendava meus compromissos sempre contando com dois dias: um para ir e outro pra voltar.
O fato é que ontem eu voltei a estudar na Federal.
Sonhei, sexta passada, que jogava cartas com a minha mãe. Mas era um jogo antigo, que já havia me esquecido das regras. Toda hora minha mãe fazia uma canastra, eu perguntava como e por quê e ela me respondia: “essa é regra”.
Em função disso, claro, ela ganhou a partida. Eu saí pensando: “o que eu posso fazer, não consigo me lembrar das regras”...
É um filme triste.
O galã é feio.
A trilha sonora é fraca e a música final é simplesmente hor-ro-ro-sa.
Quase ninguém faz sexo.
Se o seu pai é socialista e mulherengo, cuidado: você pode chorar.
Porque assistir:
É um filme triste.
Os atores são bons, os diálogos melhores.
Se você tem uma noção mínima de história contemporânea vai rachar de rir.
Fala-se em sexo o tempo todo.
O título é de uma sutileza tocante.
Você pode chorar.
Ah, tem uma repetição, que sempre outras vezes em minha vida acontece. Eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?
Noite retrasada eu sonhei que tinha experimentado um doce. A viagem era o seguinte: eu sentada num trono vermelho, alto, (tipo do papa, sabe?) e com o poder da minha mente eu era capaz de fazer brotar desse trono raízes de árvore muito grossas com uma seiva verde fosforescente.
Acontece, que por causa do doce eu estava má, muito má, muito brava e queria acabar com o mundo todo. Resolvi então começar meu extermínio pelo cantor Otto (sim, aquele bonitão que hoje é casado com a Alessandra Negrini). Não tenho a menor idéia porque o pobre rapaz foi vítima da minha fúria, mas eu pensava: sim, vou acabar com a carreira do Otto para começar, porque tenho certeza que com as minhas plantinhas eu posso fazer isso.
Interessante é que as coisas se misturaram na minha cabeça, o que era sonho, o quer seria a viagem dentro do sonho e acordei toda suada. Bicho, foi uma experiência.
- Oi, me vê um maço de galaxy 5?
- Acabou....
- Ué, será que eu comprei todos??
A menina do caixa ri. O gerente que estava do lado:
- O pior é que eu acho que foi mesmo...
Desde pequena eu vejo um quadro na casa do meu pai. É uma pombinha, cansada, carregando um ramo enorme de oliveira e bufando: UF...
O quadro tem uma dedicatória pro meu pai do Dom Paulo Evaristo Arns e uma frase do João Guimarães Rosa.
Hoje, lendo meu livro, encontrei a frase, no conto A hora e vez de Augusto Matraga que fecha Sagarana. E pude, finalmente, compreendê-la no seu contexto.
Agora que eu principiei e já andei um caminho tão grande, ninguém me faz virar e nem andar de-fasto!
Essa noite tive um sonho estranho. Eu morava numa casa com muitas pessoas, não sei bem se uma pensão. Lá também moravam um senhor, feio de dar dó, com um monte de algodão na boca e a Letícia Sabatella (?) que no sonho estava ruiva (aliás, no sonho, ela ficou linda ruiva... talvez funcionasse na vida real, o que vocês acham?)
O velho ficava cantando a Letícia Sabatella e ela dava a maior bola. Num determinado momento ela marca um encontro com o velho. Eu ouço e olho pra ela com aquela cara de "meu, ficou doida??? Esse cara é assustador!" Mas ela sorri pra mim e vai embora.
Tá, eu não quero interpretações psicanalíticas, ok? Fiquei com medo....
Para você que ainda não sabe, agora eu tenho um gravador de cd-room, uma impressora Hewlett-Packard e um drive de disquete novinhos.
Estou me sentindo uma pessoa tão.... tão... equipada!
Sim Branco porque essa é a cor da esperança.
Branco porque eu tenho muito a agradecer. Agradecer e saudar os novos, os velhos, os bons amigos. (principalmente à Rosi e à Clarice responsáveis por essa beleza)
Branco para festejar a vida, a luz e a renovação diária das nossas existências.
Branco porque essa é a somatória de todas as cores.
Branco porque sem sonhos a vida não vale a pena.
Branco para dizer não à obscuridade das mentes.
Branco porque esse espaço é nosso, você que está ao meu lado.
Branco para lembrar que a escuridão da noite se renova na claridade do novo dia.
Para as meninas (e os meninos), boas e fortes de coração!
Oração de Santa Bárbara
Santa Bárbara,
que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões,
fazei que os raios não me atinjam,
os trovões não me assustem
e o troar dos canhões não me abale a coragem e a bravura.
Ficai sempre ao meu lado para que eu possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida,
para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza.
Este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras.
Santa Bárbara, rogai por nós.
Depois de um mês de gemidos e ranger de dentes, correções e alterações a bichinha foi entregue, dentro do prazo previsto!
Agora é correr pro abraço e pro certificado! UHÚ!
E como diria minha colega Fernanda, vamos colocar a cabeça no travesseiro e saborear a deliciosa sensação do dever cumprido.
- Melhor um pássaro voando do que dois na mão!...
Eis a versão do provérbio, para uso dos fortes, dos capazes de ideal...
- É a versão dos otários, também.
Minha Gente, conto de Sagarana, João Guimarães Rosa
Há uns três anos atrás, comprei em Curitiba um exemplar da 5a Edição de Sagarana, do Rosa, da editora José Olympio. Com as correrias da vida, estou lendo o livro agora e descobri no miolo várias páginas coladas. (Elementar... por isso foi tão barato) Ou seja, mesmo sendo impresso em 1958, 45 anos atrás, ninguém o havia lido até hoje. Fiquei com uma pena...
Aí eu lembrei da minha vizinha no prédio da Tenente Anastácio, uma velhinha baiana que vivia com a sua irmã mais velhinha ainda. Ela era solteira e se apresentava assim:
- Muito prazer. Eu sou a Nininha, vim da Bahia e sou moça. Invicta.
Coitado do meu livro, até ontem ele também era invicto, igual à Dona Nininha.
Essa noite eu sonhei que tinha um papagaio e uma arara de estimação.