Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu A gente estancou de repente Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar Mas eis que chega a roda viva E carrega o destino prá lá
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há Mas eis que chega a roda viva E carrega a roseira prá lá
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração
A roda da saia mulata Não quer mais rodar não senhor Não posso fazer serenata A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa Viola na rua a cantar Mas eis que chega a roda viva E carrega a viola prá lá
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira Que um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa Faz força pro tempo parar Mas eis que chega a roda viva E carrega a saudade prá lá
Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração.
Tem dias que não tem jeito, só uma música pra expressar.
Estava eu no blog da Ivana Arruda Leite, minha autora viva preferida (link ao lado), quando me deparei com o seguinte texto:
BANDIDO O amor nos deixa doente, fora do juízo, nos faz fugir de casa, renegar nossos pais, nossos amigos, nossos velhos amores. O amor nos obriga a abrir conta conjunta, a assinar procuração em branco e passar tudo para o nome dele. O amor não tem a menor compostura. Devia ser preso o amor. 12 Novembro, 2008 by doidivana
Aí eu lembrei da coitada da Suzana Vieira. Ninguém merece o que ela está passando, muito menos passar por isso com o Brasil inteiro olhando, sabendo, tendo pena. Acho que as pessoas deveriam deixá-la em paz.
O jornalista Sérgio Dávila publicou um podcast com o título "Onde você estava quando Obama foi eleito?". Para Dávila nossos filhos nos farão essa pergunta daqui a 40 anos. Bom, para lembrar, escrevo.
Em 4 de novembro de 2008, quando os Estados Unidos elegeram o seu primeiro presidente negro (e que eu particularmente preferiria que tivessem elegido sua primeira presidente mulher), eu estava trabalhando muito, no início do quinto mês de gravidez, sentindo um calor horroroso, com o pé direito distruído por uma bolha estourada e minhas preocupações eram, basicamente: os efeitos da crise financeira no meu bolso em 2009, os testes que os físicos estão fazendo com um acelerador de partículas gigante na Europa, a péssima qualidade da imprensa brasileira, a péssima qualidade do ensino no Brasil (inclusive das escolas particulares).