segunda-feira, setembro 27, 2010

No susto


Acabei de surrupiar do Marcelo Belico a gracinha acima. Por que? Porque é livro, porque é lindo e porque eu e Teresa merecemos. Saiba mais

quarta-feira, setembro 22, 2010

Conto Africano




Devidamente lido para Teresa uma noite dessas. É mais ou menos assim:

A história da GATA ou como os gatos se tornaram domésticos
(vejam bem, ninguém disse que eles foram domesticados...)

Era uma vez uma gata selvagem que cansou de ser sozinha. Aí ela encontrou um gato selvagem e pensou: esse gato selvagem é o animal mais bacana da floresta! E foi viver com ele.

Num belo dia, um leopardo apareceu e deu um surra no gato selvagem. A gata pensou: oh, o leopardo é o animal mais incrível da selva! E trocou de parceiro.

Evidentemente, em outro dia, apareceu o leão e a história se repetiu. E depois do leão, veio o elefante, que pisou na cabeça do rei das selvas, e passou a ser o querido da gata.

Numa manhã ensolarada, a gata que ronronava na orelha do elefante, ouve um estrondo e vê o elefante tombar no chão. Tentando entender o que havia acontecido, encontra o homem e sua espingarda. Mais uma vez, a gata pensa: está aí o animal mais admirável da floresta e o segue até sua aldeia. Chegando lá, deita na palha que serve de telhado para a choupana do homem e fica por lá caçando os ratos da redondeza.

O tempo passa e quando tudo parece bem, a gata ouve uma gritaria na casa do homem. São as vozes do homem e sua mulher. Em seguida, o homem sai da choupana e cai estendido na terra.

'Finalmente! Encontrei o animal mais incrível da natureza: a mulher'. Assim, a gata entra na casa, aninha-se próximo ao fogareiro e nunca mais vai embora.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Desmame - como fazer

Para encerrar o assunto, acho que vale a pena deixar uma dica sobre como desmamar sem sofrer com leite empedrado no peito para aquelas que desmamarão um dia. Essa informação, infelizmente, não encontrei em lugar algum e só depois de ligar para a minha ginecologista que a coisa melhorou.

Bom, primeiro os fatos. Mesmo amamentando com um peito só, eu ainda produzia uma quantidade de leite boa quando decidi desmamar a Teresa definitivamente. A pediatra havia sugerido, meio por alto, que eu deveria parar de uma vez, enfaixar o peito e colocar compressa fria (gelo) para diminuir a produção do leite.

Eu entendi que apenas a compressa fria estava relacionada com a produção de leite e deduzi que a faixa seria apenas para diminuir o acesso do bebê ao peito. Como a Teresa não ligou muito, eu pulei a parte da faixa e fiquei só com a compressa fria. Erro um. Também fui orientada a não ordenhar o leite que fosse produzido porque é o leite 'parado' no peito que inibe a produção de mais. Segui essa orientação à risca e esse foi o meu segundo erro.

O que aconteceu foi que o meu peito lotou de leite, empedrou e eu fiquei uns três dias morrendo de dor. Além do desconforto de ter a nítida sensação que a mama havia sido substituída por uma prótese de concreto, qualquer coisa que encostasse nela me fazia gritar de dor. Pensei até em tomar uns remédios para suprimir a produção de leite e liguei para minha ginecologista. Essa foi a salvação da lavoura.

Ela me explicou que as compressas frias eram boas mas não seriam o suficiente (até porque não dá para ficar o dia inteiro com gelo no peito em dia de expediente, né?), que deveria esvaziar o meu peito (porque muito da dor era causada pelo leite parado), e enfaixar, para dar sustenção ao peito e inibir a produção (sim, a faixa também ajuda nesse processo. Arrá!). Como o meu peito ainda doía muito, tomei um banho quente (a água quente ajuda na circulação da mama e por isso 'amolece' o leite
empedrado e facilita horrores na hora da ordenha), tirei o máximo de leite que consegui, enfaixei as mamas bem firmes e ainda coloquei um bustiê para dar mais sustentação.

Aí foi batata. A dor diminuiu e o peito realmente não voltou a produzir aquela quantidade de leite. Por isso, mamães, a minha dica na hora de desmamar é:

Amamente pela última vez. Com o peito vazio enfaixe firme. Quando sentir o peso do leite, utilize a compressa de gelo para ajudar. Se começar a pesar muito e empedrar, ordenhe. Realmente, o leite 'parado' diminui a produção, mas também causa dor. Então, não sofra sem necessidade, retire o leite que está incomodando. A faixa e a compressa vão diminuir a quantidade naturalmente.


É super simples e se eu tivesse feito dessa forma desde o início teria me poupado de
um bocado de dor. Portanto, fica a dica. :-)

quarta-feira, setembro 08, 2010

Desmame

Eu queria começar esse texto com um ponto. Assim: .
Uma coisa meio Clarice Lispector, sabe?
Porque é o que estou sentindo nesse momento. Um ponto final no meio do peito, com o alívio e a melancolia que isso traz.
A sensação de missão cumprida, de liberdade e a certeza que funcionou ajudam.
A Teresa não demonstrou falta alguma, está ótima e eu respiro aliviada.
Mamãe, mamãe não chore, a vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui.

O resto é comigo. Porque agora, que acabou, eu digo.
Ainda estou machucada, enfaixada, sentida. Não pretendo mentir nem esconder.
Mas a vida é assim. Aprende, mamãe.
Aprende a conviver com esse sentimento tresloucado que envolve um orgulho imenso e essa saudadezinha safada daquilo que não volta.

Aí eu penso no quanto a gente é instinto, bicho. Toda mãe é meio vaca, meio galinha. No sentido bacana mesmo, de ter peito (no sentido literal ou não) para nutrir e asa para agasalhar. Só que aí me lembro de que a gente também não pode ser só instinto, só vaca ou só galinha. Temos que ir além, respirar e deixar crescer, entregar para o mundo, com limites e valores. E isso demanda racionalidade, estudo, exercício.

Dizer que é fácil não dá, mas enriquece. Eu acho. Mesmo em dias como esse, que mesmo pais, ficamos menores que nossos filhos.

quinta-feira, julho 29, 2010

Um tapinha não dói? Em quem?

Tenho percebido na mídia que o tal projeto da "Lei da palmada" dividiu as opiniões. Enquanto alguns blogueiros progressistas como a Lola Aronovich e o Leonardo Sakamoto aplaudem a iniciativa, figuras que contam com meu respeito, como o Ricardo Kotscho, consideram a ideia uma grande bobagem. Fiquei surpresa quando li a opinião da Tania Zagury, autora de dois livros que eu adorei 'Limites sem trauma' e 'Sem padecer no Paraíso'. Para ela, a lei seria 'redundante, invasiva e inócua', mesmo com a ressalva de não aprovar a palmada. No texto, a autora chega a dizer que 'daqui a pouco, haverá filho ameaçando denunciar o pai, usando isso para coagí-lo a fazer o que quer. Já estamos em um momento de falta de limite. Realmente, isso me preocupa bastante".

Aí nesses casos eu acho que alguma coisas têm que ser colocadas. A primeira delas é que o tal projeto de lei é, de fato, uma mudança, um upgrade no Estatuto da Criança e do Adolescente, que tem o objetivo, sim, de aumentar a punição no caso de "castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante". Óbvio, que as advertências e punições deverão ser proporcionais à gravidade do castigo. Será que realmente alguém acha que teremos casos e mais casos de 'pobres pais' sendo enviados para a cadeia porque deram um puxão de orelha no filho? Agora, é justo em função desse medo eu ter que suportar meu vizinho batendo e maltratando o filho na minha frente todo dia (mesmo que seja só um tapa na orelha por dia, não mais que isso) e não poder fazer nada?

Essa discussão me lembra uma outra, quando virou lei o uso do cinto de segurança. Lembro que à época ouvi muita gente falando que era um absurdo, que o Estado não tinha o direito de obrigar ninguém a usar cinto, já que a pessoa teria o direito de colocar a sua própria vida em risco, que isso prejudicava apenas quem usava ou não cinto, que era uma lei intrusiva, blá, blá, blá. Bem, o fato é que eu não conheço ninguém que foi parar na cadeia porque não usou cinto de segurança e principalmente: a utilização do cinto de segurança pode ter diminuído até 50% o número de mortes no trânsito. Vale ou não vale a pena?

É a mesma coisa. Agora porque tem pai que não sabe dar limite para o filho, porque vai ser difícil aplicar, porque a lei pode ficar no papel, porque é trabalhoso, porque tem gente que pensa diferente, porque nunca vamos conseguir impedir totalmente que role os tapas educativos...a gente não pode evoluir? A gente não deve aprovar uma lei que visa tornar nossa sociedade um lugar mais seguro para as crianças? Ou aqui todo mundo acha que o mundo é cor de rosa e que papais e mamães são seres perfeitos, não perdem a cabeça, não precisam de controle, inclusive social?

O artigo 3o da Constituição Federal diz que entre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil estão constituir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Bem, convenhamos, nenhum desses objetivos foi alcançado até hoje e olha que já são 22 anos de promulgação da nossa atual carta magna. Vamos convir também que isso não foi alcançado porque é difícil. Quase impossível, diriam alguns. E aí? Vamos jogar a Constituição no lixo por causa disso? Culpá-la toda vez que um dos seus objetivos não for alcançado ou alguém tentar abusar do seu conteúdo? Pior, vamos dizer que Constituição não serve pra nada, já que não conseguiu alcançar todos os seus objetivos, e voltar para um Estado autoritário, de exceção?

Não acho que é por aí. As leis estão aí para fazer a sociedade avançar. E são apenas o primeiro passo. Agora, se não permitirmos que pelo menos esses passos sejam dados, nós vamos andar para onde? Para trás?

Pra terminar, um texto muito bacana que eu achei no site da ong Não bata, eduque.

terça-feira, julho 27, 2010

Onjó do Sapujo

Olha que bacana, o Sapujo, o grande pai da pequena Sara, abriu uma loja de instrumento de percussão virtual, a Onjó Angoma. Lá tem caixa, berimbau, cajón, bongô, agogô, caxixi e muitos outros instrumentos.

Eu que já brinquei muito de tocar pandeiro, que tenho uma saudade fudida da galera do pandeiro mineiro, achei a ideia o máximo.

Vale lembrar que muitos anos atrás, o Onjó do Sapujo era dividido com o Kenji. Epocazinha boa, lúdica, quando eu e Sheila éramos ilustres convidadas naquele apê aconchegante onde a gente se divertia as pampas.

Acho que todo mundo que eu conheço e que eu já conhecia naquela época, se divertiu ali. Aliás, os domingos felizes foram, de certa forma, projetados no apê da Rua Timbiras.

Dá um saudade danada. Acho que até hoje, se a vida fosse um pouco mais simples do que a realidade a faz, eu convidaria o Sapujo e a Sheila para comprar uma casa em Santa Luzia, para dividirmos as despesas e criarmos nossas crianças juntas, com pé na terra, calcinha suja de terra, muita música e capoeira.

Mas isso é só delírio, deixa eu voltar para o mundo real. :-)

segunda-feira, julho 26, 2010

"Fez porque é machista"

Entrevista imperdível com a promotora de Justiça Luiza Eluf

Achei esses trechos fantásticos:

"A lei permite que se prenda o sujeito que ameaça a vida da mulher. Mas os juízes não mandam prender."

"Para eles as mulheres que estão na fatia decaída da sociedade são lixo. Eles, que tanto as procuram, têm ódio e desprezo por elas. Vamos continuar dividindo a sociedade entre as mulheres honestas e as decaídas? Essa divisão prejudica todas as mulheres, tem de acabar. Como? Trazendo as prostitutas para o lado bom da sociedade. É preciso enfrentar e dignificar a prostituição, porque ela não vai acabar."

"O espaço público é perigoso para os homens, que são 90% das pessoas assassinadas na rua. Mas o espaço doméstico é perigosíssimo para a mulher. Ela é atacada em casa. É vítima do marido, do pai, do irmão, do padrasto. São os homens que vivem em volta dela que batem, espancam, estupram e matam."

O melhor de todos:

O Pimenta não sabia que não podia matar a Sandra Gomide? Ele fez isso porque passava fome quando era pequeno ou porque apanhou dos pais? Não, fez isso porque é machista.


Entrevista publicada pela Revista Isto É da semana passada.

quinta-feira, julho 22, 2010

Palavrinha Mágica

Por favor? Obrigada? Com sua licença? Não, OUVIDORIA.


Estava eu no Banco do Brasil tentando resolver alguns problemas de uma conta recém aberta. Alguns deles, segundo o rapazinho do atendimento, somente o gerente poderia resolver e o gerente tinha 'saído pro almoço'.

Eu perguntei: mas não tem ninguém que possa resolver isso no momento? Qualquer pessoa?

A resposta foi: 'Não, houve uns probleminhas, uma pessoa teve que sair para fazer compras, a outra foi almoçar... você não poderia voltar outro dia?'

Eu retruquei: 'Tudo bem, você tem o telefone da Ouvidoria do Banco do Brasil?

Depois de uns três segundos, seguidos de um longo suspiro, eu pude anotar em um papel o telefone da Ouvidoria.

(Detalhe: nesse momento eu nem achava que resolveria o problema. Apenas pensei em avisar a ouvidoria que os gerentes não estavam ficando na agência no horário de almoço para não perder a viagem, outra vez, quando tivesse que voltar)

Liguei do celular e uma voz metálica me pediu um número de protocolo. Novo embate com o rapazinho do atendimento:

- Estão me pedindo o número de um protocolo.

- Não, não, não tem número de protocolo nenhum.

- Veja bem, eles estão me pedindo 'o número de protocolo da central de atendimento BB'

Mais um longo suspiro se seguiu depois dessa frase. O número em questão estava estampado no crachá do rapaz. Este, inclusive, após o último diálogo, saiu em disparada para dentro do Banco.

Antes de acabar de digitar o número do meu CPF, conforme solicitação da voz metálica, ele voltou: 'Ludmila, consegui. Nós vamos resolver o seu problema'. E me convidou para ir ao segundo andar da agência.

Chegando lá, para minha (grata?) surpresa, não havia apenas um gerente para me atender. Mas TRÊS gerentes me atenderam. Aliás, nunca fui tão bem tratada em toda a minha vida dentro de um banco. Evidentemente, todas as pendências foram resolvidas e eu saí de lá inclusive com vários cartões e indicações de investimento.

Portanto amiguinhos, anotem a dica: atendimento ruim de banco? Ouvidoria neles!

quarta-feira, julho 21, 2010

O perigo da Americanas Express


É que tudo na loja fica pertinho. Aí é um tal de aproveitar oferta... Hoje eu estava lá e vi uma promoção de 6 copos a menos de dez reais. Quase comprei. Mas pensei, opa, peraí, eu ainda tenho que andar até a escolinha, passar no banco, voltar pro serviço, tudo carregando sacola mais 6 copos de vidro? Sem contar que. Por acaso eu preciso de mais 6 copos em casa?

É sempre um risco. ;-)

segunda-feira, julho 19, 2010

Quem manda aqui?

Eu gosto de ir à pediatra da Teresa, a ótima Valentina, porque em toda consulta ela me lembra que na nossa relação, minha com a Teresa, quem manda sou eu. E é assim que tem que ser, para o bem da filhota, já que ela precisa de orientação e firmeza para se sentir segura. Isso parece muito simples e muito óbvio, mas é difícil pra caráleo. Sabe por que? Porque os bebês são lindos. E além de lindos, nós, os pais, os amamos profundamente. Como resistir?

Sabe aquele tipo de cara, lindo, inteligente, que tem o poder de fazer o que quiser com você?
Você sabe que ele está te enrolando, você sabe que não vai sair nada dali, mas ele é tão bonito, tão inteligente e você gosta tanto dele... Aí você acorda no outro dia, o celular dá fora de serviço ou desligado e você pensa: filho da puta, me enrolou de novo!

É assim com os bebês. Eles fazem beicinho, dão aquelas risadinhas deliciosas que só os bebês sabem dar, choram lágrimas sentidas e chamam mamãe... Mas você não pode ceder, porque eles só querem engalobar você.
Tem que cortar a unha, tem que andar de mão dada, tem que escovar dente e lavar atrás da orelha. Parece fácil, galera, mas cada item é uma luta diária.

Isso tudo pra dizer que depois de uma boa conversa com a Valentina combinamos que eu vou desmamar a Teresa nos próximos 90 dias. Concluímos que os benefícios da amamentação já foram todos aproveitados, ela está com peso e tamanho ótimos e já com quase 18 meses de vida. Portanto, move on, é pra frente que se anda. O prazo alargado, de fato, é para mim, não para Teresa. Como disse a Valentina: 'quem manda no peitão é você. Então prepare-se, e no dia que estiver pronta, simplesmente corte a amamentação. Ela vai reclamar um pouquinho, não vai querer a mamadeira, mas quando a fome apertar, tudo estará resolvido'.

Por isso estou aqui, me preparando emocionalmente para mais esse passo. Para resistir ao beicinho, ao choro, ao meu bebê querendo mais de mim e eu negando. Negando por ela, para que ela cresça e se desenvolva ainda mais. É assim que funciona, eu a incentivando a crescer por um lado e ela apresentando os desafios e me botando pra frente também.

sexta-feira, julho 16, 2010

Susto do dia

Eu li mal ou o Ruy Castro falou na Folha de S. Paulo de hoje que o Bruno (sim, o goleiro) é um "ex-cidadão"? Colo o texto aqui, citando a fonte - a Folha de hoje - para averiguação dos leitores.



São Paulo, sexta-feira, 16 de julho de 2010

Caderno Opinião


RUY CASTRO

Ex-tudo



RIO DE JANEIRO - Em 1994, o ídolo do futebol americano O.J. Simpson foi acusado de matar a facadas, por ciúme, sua ex-mulher, Nicole, que ele já atacara fisicamente três vezes, e Ronald Goldman, que suspeitava ser amante dela.Simpson fugiu, foi perseguido pela polícia por 96 km, trancou-se durante horas em seu carro e só então se entregou, tudo isso em rede nacional de TV. Seu julgamento, transmitido ao vivo, foi outro carnaval -somente a sessão do veredicto, em 1995, foi assistida por 20 milhões de pessoas. O júri o absolveu.Onze anos depois, para faturar com a própria história, Simpson publicou um cínico pseudo-romance, "If I Did It" ("Se Eu Tivesse Matado"), em que conta como foi à casa de Nicole, matou Goldman com dezenas de facadas e aplicou outras tantas à sua ex-mulher que quase lhe separou a cabeça do corpo. Como nos EUA não se pode ser julgado duas vezes pelo mesmo crime, ele estava tranquilo para confessar.Era inevitável que, com essa onipotência, Simpson se metesse em novas encrencas, o que aconteceu em 2007: um assalto à mão armada a uma joalheria, em Las Vegas, para roubar besteiras. Só que, desta vez, o júri o mandou para a cadeia por nove anos. Deve ter sido um choque para O.J.: heróis de milhões, como ele, não podem ser condenados, nem ficam presos. Mas ele foi e ficou.O caso de Bruno tem óbvias semelhanças. Até hoje ele parece não ter se dado conta de sua situação. Seu alheamento ao que lhe acontece, visível nas fotos e declarações, antes e depois de ser preso, indica que ainda não percebeu que já não é apenas ex-goleiro do Flamengo. É ex-goleiro, ex-cidadão, ex-tudo. Acabaram-se suas imunidades.Não vê que, além de preso, já está condenado e a um passo do linchamento. E que o fato de ser tão famoso só lhe complicou a vida -fosse goleiro do Ibis, sua história já teria saído do noticiário. (grifos meus)





Cada dia que passa essa história fica mais absurda. Tem gente que tem o displante de culpar a vítima pela própria morte. O que é um absurdo. Agora, tentam tirar do réu seus direitos de cidadão e colocá-lo 'a um passo do linchamento'. O que é isso? O Ruy Castro, gente, dizendo que um réu já está condenado (por quem, cara pálida?). Na Folha. Onde foi parar o direito de defesa, onde foram parar os princípios da Justiça, da legalidade?



É assim que a gente se defende de uma injustiça, de um ato bárbaro? Instigando e provacando outro?


Pôxa Ruy, me explica porque eu fiquei sem entender essa...






terça-feira, julho 13, 2010

Cabelo

Estava eu ontem na cozinha de casa e ouvi as seguintes frases:

'É incrível como as mulheres se importam com os seus cabelos. Cabelos e sapatos, as extremidades'.

Bom, eu na verdade não ligo muito para sapatos. Mas cabelo? Ah, cabelo é diferente mesmo.

Tem coisa que diz mais sobre a personalidade de uma pessoa, e até sobre o momento que ela está vivendo, que o cabelo? A cor, o corte, o comprimento?

Alguém consegue imaginar alguma mocinha tímida e frágil com os cabelos vermelhos fogosos? Aliás, qual a cor do cabelo de mocinhas tímidas e frágeis? Louro, claro.

Eu, por exemplo, sou uma morena por necessidade e convicção. A única cor possivel para o meu cabelo, seja em função da minha pele, dos meus traços, da minha personalidade, é preto. Não tem alternativa.

Da mesma forma que conheço algumas ruivas que não poderiam ser nada além de ruivas, como a Lori e a Marcela. Tô mentindo, garotas?

Lembrei de uma coisa linda que vi num daqueles filmes iranianos muito tristes mas que todo mundo deveria assistir.

A mãe paupérrima traveste a filha de 10 anos de menino para que ela possa trabalhar e conseguir algum dinheiro ou elas morreriam de fome. Para tanto, corta as suas tranças. A menina fica desolada e 'planta' as trancinhas em um vaso. Em vários momentos do filme a menina rega as tranças para que elas continuem crescendo (sorry, mas não lembro o nome do filme).

Metáfora linda sobre resistência e sobre o que faz de nós sermos o que somos. Talvez seja isso, o nosso cabelo diz muito sobre quem somos. Isso inclusive serve para homens também, eles apenas não prestam muita atenção.


Adoro tranças

sábado, julho 10, 2010

sweet home


Pois bem. Abri as janelas, tirei a poeira, troquei alguns móveis de lugar.
As coisas agora, 16 meses depois, estão mudadas.
Arrastamos a mesinha de centro para dar espaço para o tapete colorido de E.V.A. e brinquedos.
Os porres e sessões de cinema diminuíram bastante. Os programas agora são diurnos.
Mesmo assim ainda tem muita diversão, muita coisa para dividir.
Por isso voltei. Uma tentativa tímida de manter contato com aqueles que sempre foram
a força motriz desse espaço: sonhos.


sexta-feira, março 06, 2009

Sobre bebês e dinheiro

Então, demorei mas voltei para falar do lance da grana. Se alguém me perguntar se ter filho é caro eu vou dizer que certamente é. Mas como tudo na vida, tem os dois lados da moeda. E é sempre bom ter em perspectiva que o que educa uma criança são os valores passados não a estrutura em torno dela. Porque até comida a gente consegue na pastoral da criança que distribui uma farinha super nutritiva que está acabando com a subnutrição infantil no Brasil (uma revolução silenciosa, que ninguém dá valor, mas absolutamente efetiva e bem sucedida).

Diante disso, a gente começa a refletir sobre o que realmente importa. E eu vou dizer, pressão externa não falta. Eu estava na Baby outro dia e perguntei o preço de toalha para bebê. A vendedora me respondeu 42 reais e me mostrou uma toalha linda, toda felpudinha. Mas achei caro, vi outra toalha e perguntei o preço. A resposta foi excelente:

- Vinte quatro reais. Mas essa é muito mais áspera. Você não vai comprar uma toalha áspera para sua filha, vai?

Óbvio que eu não comprei. Nem uma nem outra. Comprei por 15 reais na Av. Paraná. Aliás, dica: A Av. Paraná é o que há. Preços muito melhores, o pessoal dá desconto e negocia para não perder venda. O lance é bater perna e pechincar, porque funciona.

Mas voltando às chantagens do mundo consumista em que vivemos, o importante nesses momentos, e aí não é só na gravidez, mas sim na hora de comprar qualquer coisa, é ter bom senso e, principalmente, ser racional e não permitir que o emocional domine.

Outro exemplo que eu vivi foi o berço. Quando a gente foi comprar o conjunto berço e cômoda, na Av. Silviano Brandão, onde a quantidade grande de lojas especializadas garantem variedade e preço, eu me encantei com um berço na primeira loja que entramos. Eu não queria berço branco, queria madeira. Esse era de madeira maciça, virava uma cama de solteiro (não mini-cama, que é mais comum) e vinha com um baú e um pequeno gaveteiro embutidos. Uma beleza que custava 1.700 reais. Se comprássemos à vista, depois de muita conversa com a vendedora, sairia a 1.400.

Como era a primeira loja, fomos pesquisar os outro preços, mas na minha cabecinha já estava garantido: provavelmente, somando o valor do berço + cômoda poderíamos comprar o super berço que já tinha um gaveteiro. Ledo engano. Alguns quilômetros andados depois e muitas lojas visitadas, conseguimos comprar o conjunto por 630 reais. Sim, berço, cômoda e colchão (que não estava incluído antes) por menos da metade do preço do super berço. E tudo branco. Por que? Porque a indústria de móveis para bebê assim o quis. Não era a minha primeira opção, mas como a oferta de móveis brancos é muito maior e consequentemente o preço menor, abri mão da madeira, comprei um material de qualidade e mais acessível.

Tenho muitos outros exemplos. Aquele conjuntinho de potes que pode chegar até o preço absurdo de 150 reais em algumas lojas, mas que custa em torno de 50 reais na feira hippie, por exemplo, eu substituí por potinhos comprados no Mercado Central por 4,90 reais e uma bandeija muito bonitinha de 15 reais. Ou seja, o total foi de menos de 20 reais. Com a diferença comprei a garrafinha térmica de 16,90 e o potinho de cerâmica de 5 reais.

Claro que essas pecinhas não são tão lindas como o conjunto da Giovanna Baby. Nem consegui que tudo fosse do mesmo tom, muito menos da mesma cor. Agora, alguém vai me dizer que a Teresa, que é quem realmente importa nessa história toda, vai lembrar da cor do potinho de cotonete que nós usamos quando ela tinha menos de um ano? Vai fazer diferença na vida dela, de verdade, se os pais estiveram presentes, se deram carinho, se trocaram a fralda, se estavam disponíveis e se deram a devida atenção quando ela chorou. O resto é maquiagem.

Sem contar que uma postura menos consumista pode ser educativa também. Quem sabe, com exemplos assim, ela aprenda a valorizar menos a aparência e mais a intenção e o cuidado envolvidos. Talvez ela se torne uma cidadã melhor, mais preparada para a vida. Pelo menos é assim que eu espero educá-la para o mundo. :-)

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Atualizando

O chá de fralda foi um absoluto sucesso, além da presença dos amigos, estamos ganhando pacotes de fraldas até hoje. Isso é ótimo.
Agradeço imensamente a ajudinha dos amigos para garantir um bom estoque de fraldas!

O quarto da Tetê foi pintado e os móveis montados. Ainda bem que nós não compramos a tal cadeira de amamentação, porque não caberia. Agora falta pouco para ficar igual um quarto de bebê de verdade.

Minha prioridade no momento é a mala da maternidade. Tenho que comprar camisolas com abertura na frente, sutiãs de amamentação, etc.

Hoje a Zen vai fazer uma cirurgia. Vamos fazer uma ligadura do ducto torácico para ver se resolve. Os veterinários acreditam que o problema dela é realmente um quilotórax, um rompimento nesse ducto. Espero que resolva, porque vai se estressante para ela. Quase dois inteiros na clínica. Vamos torcer para que tudo saia bem.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Ela é grande pra idade dela

Diante do incentivo das amigas, mantenho meu tema preferido: minha filha Teresa.

Hoje de manhã fiz um ultrassom e, felizmente, os resultados foram todos positivos. Tetê tem todas veias, artérias, ossinhos e números mágicos de médicos dentro da normalidade. A única alteração é que ela é um "feto grande". Estou entrando na 30a semana e aparenta estarmos na 31a/32a. Porém tudo dentro da normalidade, segundo o doutor. Hoje a Teresa já pesa 1493g (ou seja, quase um quilo e meio!) e mede 38 cm. Ela é grande para a idade dela!

Outro tema que não posso deixar de comentar, até porque não deixa de estar relacionado, é que a Zen, nossa gata primogênita, não está legal. Sábado a levamos na veterinária, fizemos uma radiografia e descubrimos uma efusão pleural (água na pleura, a membrana que cobre os pulmões).

Foi muito ruim por dois aspectos. O primeiro foi a necessidade de punção. Foram dois veterinários, uma estagiária, eu e o Kenji para dar conta do recado de segurar a Zen, enfiar uma agulha enorme no peito dela e retirar mais de dez seringas grandes de líquido. Foi muito estressante, duro mesmo de ver a minha gata sofrer desse jeito.

Aí veio a segunda notícia ruim: a punção não resolve a parada, apenas ameniza. Temos ainda que descobrir o que causou o acúmulo de líquido e tratar, se for tratável. Pode ser um problema incurável. Depois de tudo, ouvir esse tipo de informação da Márcia, veterinária de confiança, derruba qualquer cristão. Amanhã teremos o resultado de alguns exames.

E aí por mais que você tente evitar esse tipo de raciocínio, vem a questão. Se na sua gatinha já é horrível desse jeito, imagina se fosse a sua filha. E o pior é que você sabe que um dia vai acontecer. Não existe nenhuma criança no mundo que não tenha adoecido e a maioria delas acaba passando pelo menos um 'susto' de verdade nos pais. Ou seja, o máximo que é possível fazer é preparar o espírito e a cabeça. Tanto pela Zen como pelas próximas dores de cabeça que virão. E é claro, acreditar, sempre, sempre, sempre que tudo vai dar certo no final.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Pra não dizer que não falei...

Não tenho escrito muito por aqui porque estou absolutamente monotemática. Diria mais, estou barrigocêntrica. E tenho a impressão que o tema interessa apenas a mim e a mais ninguém. De qualquer forma, vamos lá.

Sabe aqueles documentários batidos tipo 'a volta ao mundo em 180 dias' ou 'a incrível viagem pelos mistérios da mente humana'? Pois é, poderiam chamar a gravidez de '40 semanas de revoluções por minuto: assim nascem os bebês'. Quando as pessoas falam em nove meses pode parecer muito tempo, mas são milhões de coisas acontecendo e tudo é muito rápido.

Apenas para se ter uma idéia, em 2000 eu pesava mais ou menos 45 quilos e em 2008, quando descobri a gravidez, pesava 49. Ou seja, em um período de 8 anos uma variação de 4 quilos. Hoje, 5 meses depois da revelação, peso 58. Ou seja, em 5 meses eu ganhei 9 quilos. Não se trata de uma questão estética e sim da relação com o seu próprio corpo. Ganhei em 5 meses 18 vezes mais do que estava acostumada a ganhar em 1 ano. Essa mudança talvez esteja entre as mais visíveis, mas inclusive está, também, entre as mais irrelevantes do processo. Sim, engordar aínda é o de menos.

Além disso, tem os enjôos, os hormônios, a retenção de líquido, as variações no metabolismo, que, por exemplo, causam muito calor. Além desses efeitos físicos inevitáveis, tem a sua relação com o mundo. O que você come, bebe, inala, afeta não apenas você, mas o bebê também. Você se torna duplamente responsável. Sem contar que com isso vem o terror: o grande e insidioso medo de fazer - ou ainda pior - ter feito, alguma coisa errada.

E não faltam fontes para o terror. O chá verde é um exemplo. Até o 4o mês eu bebia chá verde normalmente e até numa quantidade razoável. Um belo dia, lendo uma daquelas revistas genéricas tipo "Meu Bebê" encontrei um artigo que não recomendava tomar chá verde, nem branco, nem preto, nem mate, porque todos eles são a mesma erva que, teoricamente, pode ter um efeito abortivo. Pronto. Por mais que racionalmente eu considere uma bobagem, não tomei mais chá verde. Nem um copo. Porque a gente nunca sabe...melhor evitar... E é sempre assim. Remédio então, não passo nem pomada.

O lance é que existem milhões de informações espalhadas pelo mundo sobre como garantir uma gravidez perfeita. Desde a internet até a sua tia de 82 anos, passando pelos periódicos especializados, livros, amigos, amigas que já foram mães, parentes. E todos dão palpite. Todos, invariavelmente. Eu prefiro me informar. No início os livros ajudaram muito principalmente a me situar na nova condição. Mas também é necessário tentar, quando possível, não enlouquecer com tanta informação. Não vou negar, as vezes é difícil.

Isso tudo não significa que não é bom. Pelo contrário, é realmente muito bom. Eu nem sei dizer o quanto é bom e muito menos porque é tão bom. Mas é. Imensamente. E nada melhor do que "passar de fase". Cada mudança, cada evolução, cada ultrassom é festejado com uma alegria gigante, quase boba. Ouvir de um médico "está tudo bem" ou "o neném está ótimo" ou "os exames estão todos perfeitos" é outra maravilha, que enche você de orgulho e satisfação.

Até agora, na verdade, só escrevi sobre os efeitos físicos da gravidez. Nem toquei em duas outras questões que também ocupam horas e horas da vida de uma gestante. O preparo psicológico para receber um bebê e o preparo financeiro.

Mas não vou entrar nesses assuntos agora porque esse post já está suficientemente grande. :-)


Uma barriga de sêxtuplos (essa é Kate, do programa John e Kate + 8)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Mais!

Aí ontem eu descobri, não sabia, que o poema de ontem, Teresa, de Manuel Bandeira, faz referência a esse, do Castro Alves.
Reparem no primeiro verso de cada poema.

Então lá vai, mais um poema para a minha Teresa, que já é cultura. ;-)

O "adeus" de Teresa
Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquesta
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"



Castro Alves, não por acaso o poeta preferido de meu pai

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Pra minha filhinha:

Teresa
Manuel Bandeira

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.