terça-feira, outubro 19, 2010
Perfeito. Eu achei.
O caluniador, figura da barbárie
Juarez Guimarães 15 de outubro de 2010 às 16:00h
De todas as eleições presidenciais realizadas após a redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.
A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe assegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou gonorréia em Dilma.
Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?
Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.
O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.
Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.
Dia a dia, de forma crescente e orquestrada, a calúnia foi indo ao centro de sua campanha, de sua mensagem, de sua fala, de sua identidade proclamada, de seus aliados midiáticos, de parceiros fanáticos (TFP) ou escabrosos (nazistas de Brasília), de sua estratégia eleitoral e de seu cálculo. “Homem do bem” contra a “candidata do mal”? Homem de uma “palavra só” contra a “mulher de duas caras”? Político “ficha limpa” contra a “candidata ficha suja”? Protetor dos fetos e dos ofendidos (como mostra a imagem na TV) contra aquela que “assassina criancinhas”, como disse publicamente sua mulher? Homem público contra a “mulher das sombras”?
O que está se passando mesmo aqui e agora na jovem democracia brasileira? Que arco é este que vai da TFP a Caetano Veloso, quem , quase em uníssomo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o presidente Lula de analfabeto e ignorante já no início deste ano? Afinal, que cruzada é esta e qual a sua força ?
O que está ocorrendo aqui e agora é uma aliança dirigida por um liberal conservador com o fanático religioso e com o proto-fascista. Cada uma dessas figuras – que sustentam o lugar comum da calúnia – precisa ser entendida em sua própria identidade e voz. A democracia brasileira ainda é o lugar da razão, do sentimento e da dignidade do público: por isso, defender a candidatura Dilma Roussef é hoje assumir a causa que não pode ser perdida.
Liberalismo conservador: o criador e sua criatura – Nunca como agora em que esconde ou quase não mostra a imagem de Fernando Henrique Cardoso, Serra foi tão criatura de seu mestre intelectual. É dele que vem o discurso e a narrativa que, ao mesmo tempo, dá a senha e liga toda a cruzada da direita brasileira.
A noção de que o PT e seu governo ameaçam a liberdade dos brasileiros pois instrumentalizam o Estado, fazem reviver a “República sindical”, formam gangues de corrupção e ameaçam a liberdade de expressão não deixa de ser uma evocação da vertente lacerdista da velha UDN. Mas certamente não é uma doutrina local.
A cartilha do liberal-conservador Fernando Henrique Cardoso é um autor chamado Isaiah Berlin, autor de um famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” e do livro “A traição da liberdade. Seis inimigos da liberdade humana”. Neste ensaio e neste livro, define-se a liberdade como “liberdade negativa”, isto é aquele espaço que não é regulado pelas leis ou pelo Estado contraposto à noção de “liberdade positiva”. Quanto menos Estado, mais liberdade; quanto mais Estado, menos liberdade. Ao confundir liberdade com autonomia, ao vincular liberdade aos ideais de justiça ou de interesse comum, republicanos, sociais-democratas, liberais cívicos e, é claro, socialistas, trairiam a própria idéia de liberdade.
É por este conceito e seus desdobramentos que Fernando Henrique mobiliza o clamor midiático contra o PT e o governo Lula. É este conceito que estrutura também o discurso de Serra, que acusa o governo Lula de ser proto-totalitário. É evidente que o conceito não é passado de forma iluminista: a mídia brasileira tornou-se uma verdadeira artista na criação das mediações de opinião, imagem e notícia que se centralizam, em última instância, neste conceito. Daí ele dialoga com o senso comum.
Seja dito em favor de Fernando Henrique Cardoso: é o lado mais sombrio de seu liberalismo que vem à tona agora, na cena agônica, quando o candidato que representa a sua herança ameaça perder pela última vez. Pois este liberalismo sempre foi de viés cosmopolita, atento em seu diálogo com os democratas norte-americanos e aos “filósofos da Terceira Via”, a certos direitos inscritos na pauta, como aqueles da liberdade sexual, do direito ao aborto legal, dos gays, dos negros, da vida cultural. Mas agora para fazer a ponte com o fanatismo religioso, ele resolveu descer aos infernos: nada sobrou de progressista na candidatura Serra, das ameaças à Bolívia à moral sexual de Ratzinger?
O liberal conservador não é o fanático religioso nem o proto-fascista, aquele que julga que a melhor maneira de dissuadir o adversário é simplesmente eliminá-lo. Mas dialoga com eles na causa comum de derrotar os “proto-totalitários” de esquerda”. Como disse bem, Jean Fabien Spitz, autor de “ O conceito de liberdade”, os ensaios de Berlin trazem o sentido e a tonalidade da época da “guerra fria”.
O fanático religioso: os frutos de Ratzinger – Se a social-democracia, o republicanismo e o socialismo são os inimigos de Berlin, a Modernidade em um sentido amplo é o inimigo central do ex-cardeal Ratzinger. O programa político- teológico que veio construindo a ferro e fogo nestas últimas três décadas é centrado na idéia que é preciso restaurar a dogmática da fé contra os efeitos dissolutivos da moral emancipadora, da racionalização científica e da secularização. Este discurso político, que se fecha no fundamentalismo religioso, como bem denunciou Leonardo Boff, é, na verdade, um discurso de poder, de recentramento do poder do Vaticano.
Neste programa, não é apenas a esquerda enquanto topografia política que é o inimigo mas principalmente o processo de emancipação das mulheres. Entre a “Eva pecadora” e a “Maria mãe de Deus” não há outra identidade possível às mulheres.
A dimensão fundamentalista desde discurso não reconhece o direito do pluralismo na política, nem mesmo na linha do “consenso sobreposto” proposto por John Rawls ( a possibilidade de convergências sobre direitos, partido de um pluralismo de fundamentos). Ou se concorda ou se é proscrito, ex-comungado ou desqualificado.
É essa idéia força, que veio ganhando terreno na hierarquia do clero brasileiro a partir das perseguições à Teologia da Libertação, que agora irrompe na política brasileira, difamando Dilma Roussef. A calúnia é conveniente ao fundamentalista religioso: nesta visão de mundo, não há luz e sombra, não há e não pode haver semi-tons: quando Serra proclamou que o “direito ao aborto no Brasil seria uma carnificina”, ele estava dando a senha para a campanha difamatória da direita católica e evangélica.
O proto-fascista e seus privilégios – Todo processo político e social de democratização e de inclusão tão amplo como o que está se vivendo no Brasil provoca reações de resistência e regressão política à sua volta. Mas este também não é um fenômeno apenas brasileiro: observa-se à volta de nós fenômenos e operações muito típicas daquelas que estão sendo promovidas pela direita republicana norte-americana contra Obama ou que percorrem quase todo o continente europeu em torno ao tema dos imigrantes.
O proto-fascista brasileira não veste camisa preta nem usa suástica no braço ( embora, é claro, ninguém duvide, redes simbolicamente ostensivas estão em ação), nem precisa ser sociologicamente configurado como “lumpen proletariado” ou “pequeno burguesia vacilante”, para lembrar as figuras de uma linguagem simplificadora. O proto-fascista brasileiro é aquele que não quer receber em sua casa comum – a democracia brasileira – estes que não que reconhecem mais o seu antigo lugar, os pobres e os negros.
Há uma violência inaudita no ato do jornal liberal “O Estado de São Paulo” em punir com a demissão Maria Rita Kehl, por escrever um artigo em prol da dignidade dos pobres. Esta violência, que está muito distante do proclamado pluralismo mesmo restrito de alguns liberais, cheira a proto-fascismo, este ato que pretende abolir as razões públicas dos pobres simplesmente negando dignidade a eles.
A força da liberdade que hoje mora no coração dos brasileiros, os braços abertos do Cristo Redentor e o que há de imaginação e magnífica pulsão de vida na cultura popular dos brasileiros são os verdadeiros antídotos contra as figuras do ódio do caluniador.Por detrás da sua máscara, o povo brasileiro há de reconhecer os centenários adversários de seus direitos.
Diante do caluniador, somos todos hoje Dilma Roussef! (grifo meu. Os demais são do autor)
Juarez Guimarães
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/o-caluniador-figura-da-barbarie
Aproveitando para dar um recadinho: amanhã, 20/10, Dilma assina em Brasília, no Hotel Nacional, o documento "Compromissos de Dilma com o Meio Ambiente", onde se compromete com o desenvolvimento sustentável e demonstra, mais uma vez, que o meio ambiente será uma das prioridades em seu governo. Para os ambientalistas que votaram na Marina refletirem.
terça-feira, setembro 28, 2010
Não dá
Hoje, dia 28 de setembro, é o dia pela Descriminalização do aborto na América e Caribe.
E eu acho que todas as mulheres devem se manifestar de alguma forma.
Porque o controle do próprio corpo diz respeito a todas nós.
Porque a criminalização de um ato tão íntimo como a interrupção de uma gravidez é uma violência, uma agressão, já no seu conceito.
Porque se trata de um "crime" que apenas um dos responsáveis é punido.
(Alguém já parou para pensar que um homem dificilmente será preso por ter tido um filho abortado? Mesmo sendo também responsável pela gravidez e
muitas vezes o financiador do aborto?)
Porque essa mesma criminalização desrespeita a laicidade do Estado Democrático de Direito.
Porque ninguém é a favor do aborto e ninguém tem o direito de dizer quando ele é necessário, ou não, além da mulher que pretende enfrentá-lo.
Porque aqueles que, com ou sem motivações religiosas, discordarem, sempre terão a opção de dar segmento à gestação.
Porque a vida, a dignidade, e a saúde de uma mulher (que muitas vezes já é mãe e opta por não ter mais filhos para garantir a sobrevivência dos que ela já tem), são muito mais importantes do que discussões abstratas sobre o que é vida ou qual o exato momento do seu surgimento.
Enfim, porque legalizar o aborto é garantir às mulheres direitos fundamentais como o da dignidade e o da intimidade tão caros aos nossos legisladores mas que ainda se encontram no rol de privilégios do gênero masculino.
Para complementar, um ótimo post sobre o assunto.
quinta-feira, julho 29, 2010
Um tapinha não dói? Em quem?
Aí nesses casos eu acho que alguma coisas têm que ser colocadas. A primeira delas é que o tal projeto de lei é, de fato, uma mudança, um upgrade no Estatuto da Criança e do Adolescente, que tem o objetivo, sim, de aumentar a punição no caso de "castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante". Óbvio, que as advertências e punições deverão ser proporcionais à gravidade do castigo. Será que realmente alguém acha que teremos casos e mais casos de 'pobres pais' sendo enviados para a cadeia porque deram um puxão de orelha no filho? Agora, é justo em função desse medo eu ter que suportar meu vizinho batendo e maltratando o filho na minha frente todo dia (mesmo que seja só um tapa na orelha por dia, não mais que isso) e não poder fazer nada?
Essa discussão me lembra uma outra, quando virou lei o uso do cinto de segurança. Lembro que à época ouvi muita gente falando que era um absurdo, que o Estado não tinha o direito de obrigar ninguém a usar cinto, já que a pessoa teria o direito de colocar a sua própria vida em risco, que isso prejudicava apenas quem usava ou não cinto, que era uma lei intrusiva, blá, blá, blá. Bem, o fato é que eu não conheço ninguém que foi parar na cadeia porque não usou cinto de segurança e principalmente: a utilização do cinto de segurança pode ter diminuído até 50% o número de mortes no trânsito. Vale ou não vale a pena?
É a mesma coisa. Agora porque tem pai que não sabe dar limite para o filho, porque vai ser difícil aplicar, porque a lei pode ficar no papel, porque é trabalhoso, porque tem gente que pensa diferente, porque nunca vamos conseguir impedir totalmente que role os tapas educativos...a gente não pode evoluir? A gente não deve aprovar uma lei que visa tornar nossa sociedade um lugar mais seguro para as crianças? Ou aqui todo mundo acha que o mundo é cor de rosa e que papais e mamães são seres perfeitos, não perdem a cabeça, não precisam de controle, inclusive social?
O artigo 3o da Constituição Federal diz que entre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil estão constituir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Bem, convenhamos, nenhum desses objetivos foi alcançado até hoje e olha que já são 22 anos de promulgação da nossa atual carta magna. Vamos convir também que isso não foi alcançado porque é difícil. Quase impossível, diriam alguns. E aí? Vamos jogar a Constituição no lixo por causa disso? Culpá-la toda vez que um dos seus objetivos não for alcançado ou alguém tentar abusar do seu conteúdo? Pior, vamos dizer que Constituição não serve pra nada, já que não conseguiu alcançar todos os seus objetivos, e voltar para um Estado autoritário, de exceção?
Não acho que é por aí. As leis estão aí para fazer a sociedade avançar. E são apenas o primeiro passo. Agora, se não permitirmos que pelo menos esses passos sejam dados, nós vamos andar para onde? Para trás?
Pra terminar, um texto muito bacana que eu achei no site da ong Não bata, eduque.
segunda-feira, julho 26, 2010
"Fez porque é machista"
Entrevista imperdível com a promotora de Justiça Luiza Eluf
Achei esses trechos fantásticos:
"A lei permite que se prenda o sujeito que ameaça a vida da mulher. Mas os juízes não mandam prender."
"Para eles as mulheres que estão na fatia decaída da sociedade são lixo. Eles, que tanto as procuram, têm ódio e desprezo por elas. Vamos continuar dividindo a sociedade entre as mulheres honestas e as decaídas? Essa divisão prejudica todas as mulheres, tem de acabar. Como? Trazendo as prostitutas para o lado bom da sociedade. É preciso enfrentar e dignificar a prostituição, porque ela não vai acabar."
"O espaço público é perigoso para os homens, que são 90% das pessoas assassinadas na rua. Mas o espaço doméstico é perigosíssimo para a mulher. Ela é atacada em casa. É vítima do marido, do pai, do irmão, do padrasto. São os homens que vivem em volta dela que batem, espancam, estupram e matam."
O melhor de todos:
O Pimenta não sabia que não podia matar a Sandra Gomide? Ele fez isso porque passava fome quando era pequeno ou porque apanhou dos pais? Não, fez isso porque é machista.
Entrevista publicada pela Revista Isto É da semana passada.
sexta-feira, julho 20, 2007
Folha Online melhora o texto Saiba mais sobre o senador Antonio Carlos Magalhães e acrescenta:
Para ocupar a prefeitura, licenciou-se da Câmara em janeiro de 1967. Na ocasião ACM já estava filiado à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que dava sustentação ao governo militar e que fora criado no ano anterior.
Ao fim do mandato de prefeito, em 1970, reassumiu seu papel de deputado federal, cargo que exerceria por menos de um ano, já que, em 1971, foi indicado pelo presidente Emílio Garrastazu Médici para ser o governador da Bahia.
Eu e o Kenji enviamos um e-mail solicitando uma correção das informações e eles responderam em menos de 15 minutos.
Viu? Se a gente se mexe de cá, eles se mexem de lá também. De qualquer forma, ponto para a Folha Online.
Folha Online omite que ACM foi prefeito de Salvador e governador da Bahia por duas vezes 'biônico' ou seja, indicado pela Ditadura Militar ou eleito indiretamente.
Trechos da matéria 'Saiba mais sobre o senador Antonio Carlos Magalhães'
O senador Antonio Carlos Peixoto de Magalhães (DEM-BA), 79, nasceu em Salvador em 4 de setembro de 1927 e fez da Bahia seu reduto político.
(...)
ACM exerceu diversos cargos públicos, como deputado estadual, federal, senador, prefeito de Salvador e governador da Bahia por três vezes. Até a Presidência da República ele assumiu interinamente por uma semana, de 15 a 22 de maio de 1998, na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Seu primeiro mandato eletivo foi em 1954, quando conseguiu uma vaga na Assembléia Legislativa da Bahia pela UDN (União Democrática Nacional). Em 1958, se elegeu deputado federal, sendo reeleito mais duas vezes em 1962 e 1966. ACM se licenciou do cargo para assumir, em 13 de fevereiro de 1967, a Prefeitura de Salvador.
Dois anos depois, em 2 de abril de 1970, o então prefeito ACM deixou a Prefeitura de Salvador para se candidatar ao governo da Bahia, sendo eleito em 3 de outubro do mesmo ano.
(...)
Em setembro de 1978, foi eleito novamente governador da Bahia, desta vez pelo Arena. Ficou no cargo entre 15 de março de 1979 até 15 de março de 1983.
(...)
Em 3 de outubro de 1990 foi eleito novamente governador da Bahia. Ao deixar o cargo, em 1994, foi eleito senador pela Bahia, chegando à presidência do Senado para o biênio 1997/1999. Em 30 de maio de 2001 o senador renunciou ao mandato para evitar a cassação.
O pedido de cassação já havia sido aprovado pelo Conselho de Ética do Senado e, na ocasião, ACM decidiu renunciar antes que a Mesa aprovasse a abertura de processo contra ele. Com isso, o senador poderia perder o mandato e teria os direitos políticos suspensos por oito anos.
(...)
Apesar da renúncia, ACM foi reeleito novamente para o Senado em 2002.
Durmam com um barulho desses...
Não vou soltar foguete, nem festejar, nem gargalhar, por respeito.
A morte do senador Antônio Carlos Magalhães, no entanto, não me comove em absolutamente nada.
Minha única tristeza é saber que ACM não leva consigo a sua geração.
Mortes como a do Pinochet trazem aos que viveram suas atrocidades certo alívio porque enterram uma era de horror.
Enterram aquilo que mantemos a esperança de que não voltará.
A morte de ACM, infelizmente, não.
Ainda convivemos com a ganância, a mesquinhez, a impunidade, o abuso de poder, o desrespeito pelo povo e pelo bem público, que foram marcas registradas daquele que se considerava o 'coronel' da Bahia e tentou arduamente ser o do Brasil.
Convivemos com o poder de seus filhos e netos.
Convivemos com o seu 'legado'.
Eu gostaria, sinceramente, de não ter que esperar todos os ACMs (de nome ou só de ideologia) morrerem para enterrar o que eles representam.
que tenha o descanso merecido