sexta-feira, maio 18, 2007

Depois de Horas

Como o Kenji eu também queria falar sobre um monte de coisas aqui nesse blog:
do proibidão do Roberto Carlos
das mudinhas da janela
dos shows de gaita e workshops de pandeiro
do Rio de Janeiro, com os mil chopps da Lila e propagandas esdrúxulas
das Revistas que eu comprei
da aula de francês que não rolou, mas valeu a intenção
do sonho com o Zé Dirceu
E, nesse momento, da minha raiva absoluta de um funcionário da Caixa Econômica Federal

Mas não tenho tempo. Então, até a próxima e vamos tomar uma.


Mas essa eu não posso deixar passar: a melhor coisa dessa história de censura é ver o povo caindo de pau no Roberto Carlos chamando de maluco, histérico, bundão, cuzão, ganancioso e por aí vai. Bem feito. Dinheiro não compra tudo não, tremendão!

segunda-feira, abril 23, 2007

Les Temps Qui Changent

Então mudamos. Apê novo na José Cândido da Silveira, Cidade Nova. Saímos da Zona Sul, mas esse é nosso!

Ainda está uma confusão completa. Não tem fogão, o banheiro da suíte precisa de uns reparos, estamos sem telefone fixo e sem tv também. Ontem tentamos assistir com uma antena interna bastante antiga e, claro, não rolou. Essas coisinhas todas, no entanto, devem ser resolvidas super rápido, tudo muito simples.

O mais incrível é que estou achando isso tudo ótimo. Adorei a idéia de arrumar a casa desde o início, do nosso jeito. Sem contar que é incrível descobrir a loja Lar & Construção. Você sabia que existe uma aparelhinho eletrônico anti-mofo? Sabia que existem mil opções de interfone e de temporizadores de luz, com e sem sensor de presença? Eu também não. Nem poderia cogitar um dia ter uma enxada. Agora tenho e a adoro. Algumas pessoas podem até considerar certo exagero, uma vez que o que existe de terra, ou seja, de espaço para capinar efetivamente, ultrapasse por muito pouco um vaso. Mas não faz mal, não ligo para convenções sociais e estou feliz com ela.

Outro prazer é ver as gatas e a natureza agindo. Elas estão malucas pulando de um lado para o outro, tentando se adaptar a nova realidade, disputando territórios e dominância. Resumindo, estão se divertindo às pampas.

Relaxei bastante com relação às pendências. Incrível, entramos no apartamento e eu saquei o óbvio: agora temos todo o tempo do mundo. Então, sem pressa, sem pressão, sem ranger de dentes, vamos colocando as coisas no lugar. E vai ficar tudo muito bacana, tenho certeza.

Aguardem inaugurações em breve.


olha que bárbaro o breguetinho que a gente comprou para a cozinha

segunda-feira, abril 16, 2007

O Diário do Homem-Urso

Ontem, depois de muita espera assisti esse documentário do Werner Herzog sobre um homem, bem doido, que passou 13 anos de sua vida passando os verões com ursos selvagens no Alasca. Eu estava doida para assistir por dois motivos. Primeiro porque era um documentário do Herzog e segundo porque tinha ouvido em algum lugar que o cineasta, que também é bem doidão, tinha colocado a imagem do cara sendo morto por um urso. Se o segundo motivo fosse o principal eu estava lascada porque não tem nada disso. Em compensação, a primeira razão foi totalmente contemplada. O Herzog teve a manha de perceber na história do tal Timothy Treadwell muito mais coisa que a tragédia em si.

Resumindo a ópera: o Timothy era um cara meio problemático, sem muito lugar no mundo que um dia foi para o Alasca e resolveu anualmente passar o verão com os ursos pardos e filmar a experiência com o intuito de divulgar a vida selvagem para preservá-la e, teoricamente, protegê-los dos caçadores ilegais. Quando não estava no meio dos ursos (no inverno enquanto seus amiguinhos dormiam), ele ministrava palestras gratuitas nas escolas e tentava divulgar seu trabalho na TV. Até teve um certo reconhecimento, foi no David Letterman, virou uma pseudo-celebridade. Um dia já estava quase indo embora de mais um verão entre os ursos e um deles, mais velho, provavelmente faminto, comeu o Timothy e a namorada dele que justamente naquele verão resolveu ir junto. Na grande maioria das vezes ele ia sozinho.

Como todos sabem acidentes acontecem. Aconteceu com o Ayrton Senna, aconteceu com o Steve Irwin (mesmo que o Irwin morreu depois do Timothy) mas no caso do tal Homem-Urso rolou uma polêmica porque muitas pessoas acharam que ele tinha ultrapassado a barreira do bom senso. Há registros dele tentando passar a mão nos 'ursos amigos', ele dizia que queria 'ser um urso', 'viver como um urso'. Sem contar que o cara não tinha formação nenhuma, não era biólogo, nem veterinário, e mesmo essa coisa de 'defensor' dos animais era um tanto questionável porque, na verdade, ele passava os verões em uma reserva ambiental onde os 'caçadores ilegais', seus inimigos mortais, quase não apareciam. Só aí já dava para fazer um documentário bem legal.

Mas a gente tem que contar com a genialidade do Herzog. Porque ele não se restringiu àquela discussão boçal de 'ele estava certo?', 'ele estava errado?'. Mas também não fugiu da polêmica. Várias questões são tratadas no documentário inclusive essa, mas não apenas. Um ótimo exemplo de enfoque inusitado é o da morte de um cineasta. Herzog, que narra o documentário em primeira pessoa, apaixona-se pelas imagens capturadas durante esses 13 anos pelo Timothy. Tem uma cena super bonita de uma mata ao vento que na verdade é um ‘vazio’ para Timothy uma vez que a ela só existe porque o pseudo-documentarista, como viajava sozinho, ajeitava a câmera no tripé, se posicionava, depois conferia na câmera se estava bem enquadrado para voltar finalmente ao mesmo lugar e dizer seu texto. Nessa cena do 'vazio' a voz em off de Herzog diz que muito da beleza que Timothy captava ele mesmo não se dava conta. E era mesmo.

O mais bonito de tudo do documentário, no entanto, que eu inclusive deixei propositalmente para o final, foi a bem sucedida tentativa de Herzog de entender a natureza daquele homem, não a luta entre homem e natureza. A grande, brilhante, genial sacada do Herzog foi retirar das imagens, dos depoimentos, dos monólogos meio alucinados de um sujeito que estava sozinho no mato há quatro meses, a sua humanidade. Porque a conclusão óbvia seria: a natureza venceu o homem. E venceu mesmo, venceu principalmente a sua idealização, o seu desejo de ter na natureza um berço, um afago. A natureza não tem dó de ninguém. Ok, é isso mesmo. Porém – e é o olhar sensível do Herzog que mostra que há sim um porém – foi através dessa experiência, que aquele ser encontrou a sua humanidade. Na tentativa de se transformar em urso ele viveu intensamente a experiência de ser um homem. Tanto que durante as expedições Timothy Treadwell tem momentos de absoluta euforia (quando está com ursos ou raposas), emoção profunda (chora ao se despedir dos animais), de fúria (com quem eles estão pensando que estão falando, eu sou um guerreiro, eu conheço como ninguém esses ursos e essas terras e sou o protetor deles), de vaidade (ele está no meio do mato, sozinho, e pergunta para si mesmo, várias vezes, se o cabelo está arrumado, se deve usar a bandana verde ou a preta, qual é a mais sexy), de paranóia, de narcisismo, de bondade. É essa condição humana que Herzog consegue obter da tragédia e que é brilhante. Muitos críticos do homem-urso diziam que Timothy Treadwell era um idiota, que a sua relação com os ursos era muito mais desrespeitosa que bonita. Herzog mostrou, sem desmenti-los, que o ser humano é muito mais complexo para se deixar restringir apenas pelas atitudes lógicas e de bom senso e, principalmente, provou mais uma vez, para o meu deleite, que é um puta cineasta.


o doidão com seus ursinhos

sexta-feira, abril 13, 2007

Big Brother Brasil

O verdadeiro Big Brother Brasil é a camerazinha do elevador. Eu, por exemplo, só sei pensar falando e só sei falar gesticulando. Então, além de falar sozinha eu gesticulo sozinha, ando, bato palma, faço caras e bocas. Qual minha surpresa quando, ontem, saindo do serviço no elevador sozinha, chego ao térreo e encontro duas colegas de serviço dependuradas no balcão do porteiro, o cúmplice, morrendo de rir. Os três me espionavam pela câmera do elevador. E o pior é que não foi a primeira vez que me acontece.

Há cerca de uns quatro anos atrás trabalhei para uma Associação que ficava num prédio alto na rua da Bahia, pertinho da praça Afonso Arinos, com elevador e uma discreta camerazinha. Todos os porteiros me olhavam ironicamente, meio que rindo. Ainda por cima eu só lembrava da tal da câmera no meio do meu raciocínio, com a boca aberta, mãos levantadas acima da cabeça, como se proclamasse um trecho de Hamlet. Quando eu encontrava aquele olhinho preto rindo de mim, baixava o braço e tentava fingir alguma normalidade. Por uns quatro meses eu devo ter sido a diversão da portaria. Agora, instalaram essas maravilhas nos elevadores do meu atual serviço.

Eu fico imaginando se dois elevadores já garantem horas de diversão, imagina aquelas câmeras que ficam no Centro da cidade. Imagina o que tem de estagiário da Polícia morrendo de rir do povo falando sozinho, caindo, escorregando, tropeçando e xingando a pedra. Verdadeiros Boninhos que são pagos para ficar o dia inteiro assistindo video-cassetadas. Nem precisa de televisão em casa.

quarta-feira, abril 11, 2007

Filhos de Javé

Ontem eu fui pra análise puta. Trabalho, mudança, banheiro, espelho, registro em cartório, IPTU, ex-proprietário, reforma, o escambau. Falei, falei e decidi ir tocar tambor.

Foi a melhor coisa que eu fiz. Porque no tambor você desopila física e mentalmente. Une música, cultura, exercício e controle motor. Porque além de carregar um tamborzão, tem que aprender a bater no ritmo, de preferência direitinho, cantar e ainda dançar, nem que seja um passo pra frente e outro pra trás. Parece fácil, mas não é não.

E tem o Tizumba que é um fenômeno a parte. O cara ensina, dança, improvisa, você olha e fala meu, esse cara tem muito talento. O ensaio já vem com um show embutido. Além dessa proximidade com a raiz africana que é muito importante para mim. Num determinado momento o Tizumba dançou com as gungas (latinhas com sementes e chumbinho dentro) no tornozelo e me lembrei das procissões de Congado que assistia no Barreiro e que eu achava tão bonito.

A Zélia, filha do rei do Congado do Barreiro cuidava de mim quando criança e eu adorava ir até a casa dela porque além de gatinhos, tinha um quarto onde as roupas do Congado ficavam e as cores eram maravilhosas. A casa era super simples, os pilares eram feitos de lata de óleo Salada cheias de cimento. Então a entrada da casa era toda amarela, eu achava lindo. A Zélia também tinha um irmão, o Márcio que trabalhava na oficina do meu primo. Na procissão ele saía com uma roupa branca toda enfeitada e dançava com as gungas. Provavelmente um dia iria substituir o pai como rei do Congado e por isso tinha um porte meio de príncipe. Eles todos eram meio mágicos para mim, como se tratasse de alguma monarquia perdida da uma tribo africana longínqua, tipo o Nelson Mandela, sabe?

Então o tambor do Tizumba é uma espécie de reencontro com a minha infância e com as minhas raízes negras e sertanejas. E eu acho isso lindo, muito melhor que ficar brigando com gente chata, sisuda e pão-dura que insiste em me rodear e que na verdade eu quero bem longe de mim. Olorum, xô miséria!

quinta-feira, abril 05, 2007

Admirável mundo novo

Então, meu computador do serviço morreu e, como já estava mais ou menos planejado, ganhei um laptop para trabalhar. Por enquanto ele funciona como um computador normal, ou seja, nunca saiu da minha mesa. Mas vai ser bom para viagens e tal. Bem, ele tem várias vantagens. Entre as mais legais está justamente o fato de ter memória. Meu computador antigo, pasmem, tinha 256 de não sei o quê de memória. No fundo eu não tenho muita noção do que isso significa, mas eu sei que, antigamente, se eu digitasse inconstitucionalissimamente muito rápido meu computador travava.

E como ele tem memória, acho que isso animou o meu amigo Jefferson, o moço da manutenção dos computadores, a colocar uns programinhas diferentes nele. Qual é a minha surpresa quando, no segundo dia de trabalho no computer novo, abre uma janelinha no canto inferior direito do monitor com uma notícia sobre um jogo de futebol do Figueirense. Para mim, que vivo fuçando em portal de informação para ler jornal, fez pouca diferença, mas achei interessante.

Acontece que hoje eu descobri uma coisa mais legal ainda sobre esse programinha. Ele guarda os sites que eu vou com mais freqüência e manda atualizações deles! Quer dizer, na verdade, ele só fez isso com blogs, mas já é bem interessante! Foi muito bacana quando hoje eu recebi um bilhetinho do meu computador contando que o Kenji tinha escrito alguma coisa no Talk is Cheap! (link ao lado)

Mas por que ele teria essa preferência pelos blogs? A minha suspeita é que se trate de uma ferramenta de quem? Claro, do Google e como o blogspot também é do Google, as coisas se encaixariam. E por que eu suspeito que seja uma ferramenta do Google? Porque agora tem um ícone mínimo do lado do relógio do computador que chama Google Desktop.

Se eu fosse nerde eu caçava esse tal de Google Desktop e descobriria quais são as demais possibilidades dele, que devem ser muitas. Acontece que eu não sou nerde e tenho até um pouco de preguicinha dessas coisas. Mas do recadinho eu gostei. Valeu tio Larry!


Ok, ok, eu dei uma de nerde e fui procurar saber. Bom, parece que a idéia é ter um ‘buscador interno’ que ache documentos do office, tipo do word, excel e tal. Eu não entendi para que, já que o próprio computador já tem isso, mas tudo bem. Dizem até que essas duas lombrigas coloridas aí são uma alusão à janela-logo do Windows. As cores são realmente as mesmas, mas será??

quinta-feira, março 22, 2007

Dirty Pretty Things

Então, ontem fiquei de molho em casa lendo uma revistinha da Mente e Cérebro sobre filosofia. Algo do tipo Filosofia Clássica for dummies, tem Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Tomás de Aquino. Guardadas as devidas proporções e ressalvada a época em que os caras viviam e trabalhavam, tem muita coisa interessante. Principalmente se comparamos com a nossa realidade hoje.

O que será que nós fizemos com noções de bem, mal, do que é belo, do que é certo, de bem comum? Jogamos para o alto? Virou poeira cósmica?

Bem, ontem também assistimos o filme A Rainha do Stephen Frears. Um filme sutil, que discute temas atuais como verdade e versão, princípios e imagem, subjetividade e representação. Pena que uma coisa boa, a excelente interpretação da protagonista Helen Mirren, como a Rainha Elisabeth II, eclipsou o filme como um todo.

Uma coisa que chamou muito a minha atenção foi a constante presença de imagens da Diana no filme que vão ficando, no decorrer da narrativa, cada vez mais fantasmagóricas. E o que são imagens além disso? Representações do real, fantasmas. Umas das últimas aparições da Diana (o filme mistura filmagens com cenas de arquivo todo o tempo) - quando a crise já está instalada - é um olhar dela, Diana, para a câmera, como quem diz: e aí? O que você vai fazer comigo? Pareceu um filme de terror nessa hora.

E não tem nada dessa história de ‘ah, vamos mostrar a face humana da rainha’. O filme usa um episódio da história, uma situação factível, para questionar a nossa própria percepção do que é real (nos dois sentidos) e o que não é. Questionar o que são celebridades (aliás um outro filme que também toca nessa questão, e se utiliza de uma figura palaciana, é o Maria Antonieta da Sofia Copola, mas isso é outra história), o que é imagem, o que nós seres sociais desejamos e cobramos delas. Porque, se você parar para pensar, quem era a Diana? Quem e o que a matou? Quem é a Rainha Elisabeth? Quem e o que a mantém lá no trono até hoje? Não seriam as mesmas situações e as mesmas pessoas?

Aí vem o Stephen Frears e põe a gente pra pensar.


Até o cartaz já diz tudo

terça-feira, março 20, 2007

Efeito Colateral ou a via crucis do aciclovir

Como diz o Kenji, quando vem, vem junto, então hoje eu descobri que a minha herpes labial voltou. Ou seja, além de 10 dias sem beber serão, pelo menos, 3 sem beijar. Férias é isso aí!

Ainda tive a via-crucis do aciclovir. Como eu estava na dúvida resolvi ir a uma farmácia, nesse solão, confirmar com o farmacêutico se era mesmo herpes. Tudo bem, saí de casa 13h15 e fui primeiro na Drogaria Araújo do Gutierrez, cheguei por volta de 13h30. Lá eu descobri que hoje é o dia da Reunião-Geral-dos-Farmacêuticos-da-Drogaria-Araújo. Beleza, tentei, então a DrogaRaia, que fica em frente, e descobri que lá sempre ficam duas farmacêuticas, que fazem questão de almoçar no mesmo horário, ou seja, qualquer uma delas só depois de 14 horas. Tudo bem, sem pressa, tô de férias mesmo, no stress.

Vou eu andar, nesse solão, mais dois quarteirões para chegar na Drogaria Trade. Tem farmacêutico? Tem. Está em horário de almoço? Está. Volta às 14 horas? Por aí. Isso já são 13h45. Beleza, vou para a papelaria do lado e fico 15 minutos olhando papel. Às 14 horas chega a farmacêutica e vai trocar de roupa. 14h15 ela volta, exatamente com a mesma roupa que chegou e um jaleco branco por cima. Tudo bem, sem pressa, tô de férias mesmo, no stress.

Aí eu viro para ela:

- Acordei com uma feridinha na boca, mas tô na dúvida se é herp....

- É.

Na verdade, antes do ‘é’ ela ainda apertou os olhinhos por uns três centésimos de segundo fazendo uma profunda análise da minha ferida na boca. Essa praticamente consulta à farmacêutica deve ter durado, no máximo, 2 segundos. Até porque antes de eu agradecer e falar ‘ah, então a melhor pomada é aciclovir, né?’ Ela já estava do outro lado da loja.

Então eu me dirijo à vendedora da farmácia e peço uma pomada aciclovir ou zovirax, ‘o que estiver mais em conta’ como de costume. Ela simplesmente não tem. Pelo menos eu já tenho a confirmação do ‘diagnóstico’. Volto andando, nesse solão, para a Drogaria Araújo. Nisso já devia ser quase 14h30. Cheguei em casa de novo um pouco antes de três da tarde. Mais de uma hora e meia depois de pensar ‘ah vai ser mais rápido eu ir à farmácia e confirmar minha suspeita. Sem contar que tudo bem, sem pressa, tô de férias mesmo, no stress.

Rá...Rá...Rá...

segunda-feira, março 19, 2007

Vivre sa vie

Essa semana eu estou de férias! O que é muito bom para tirar alguns atrasos. Hoje mesmo fui ao médico e descobri que estou com sinusite. Na verdade eu já devia estar há algum tempo, mas como não ia ao médico, só descobri agora. O duro é ficar 10 dias sem beber, por causa do antibiótico, e ainda ter que pagar por isso! Pelo menos hoje nós temos os espetaculares genéricos! Só a caixinha de antibiótico que custa 74 reais acabou saindo por módicas 52 pratas. A soma toda, incluindo antialérgicos, foi menos de 63 reais, ou seja, mais barato que o antibiótico original.

Outra dica, quando você pressentir que os remedinhos não serão baratinhos, é pedir na Unifar (3339-2900). Eu não sei porquê, mas eles vendem os remédios com 20% de desconto e entregam em casa (sem taxa!) e ainda agendam o horário. Tipo, eu poderia receber o remédio na parte da manhã de 8h às 10h ou de 10h às 12h30. Não é muito fino? Deus salve as farmácias populares.

Também vou aproveitar essa semana para ler mais e quem sabe até cozinhar. De vez em quando um tempo à toa na sua própria cidade é bom para aproveitar promoções, comprar verdura fresca, visitar exposições. No mínimo a programação do Palácio das Artes “Encontro Marcado com Fernando Sabino” eu quero acompanhar. Vocês sabiam, caros leitores, que o Fernando Sabino foi meu primeiro grande herói?

Só não pretendo ir ao cinema porque o Kenji descobriu os prazeres do ‘vamos baixar o filme na internet’. Já vimos vários assim e eu estou adorando, até porque combina com a minha fase de absoluta austeridade fiscal.

O que me lembra um outro atraso que pretendo tirar nessas micro-férias: ir ao banco, contar as moedinhas, conversar com a gerente sobre como pagar menos tudo (taxas, cpmf, anuidades). Ir ao banco e conversar quase sempre é sinônimo de economia. Minha última descoberta foi que a Caixa, por exemplo, tem dois tipos de conta: a conta corrente e a conta poupança. Para quem não pretende usar o talão de cheques da Caixa (meu caso) a diferença entre a primeira e a segunda é que você não paga taxa nenhuma na conta poupança e ela ainda pode render alguma coisa. Depois que soube disso mudei imediatamente para conta poupança e economizei quase 20 reais por mês, ou 240 reais por ano. Isso sem fazer esforço nenhum e já dá para comprar pelo menos uns cinco livros muito bons!


Férias em BH é isso aí...

segunda-feira, março 12, 2007

O Processo

Algumas lições da semana

Pare de fumar, esse negócio faz mal para a saúde.
Faça, sempre, todos os exames.
Se você é homem apenas ouça o que a sua garota tem a dizer, na maioria das vezes é o suficiente.
Corte as garras dos seus gatos.
Confira os vazamentos, os canos e o tamanho das janelas.
Indicações podem ser tão boas quanto um mapa.
Sobrar é sempre melhor que faltar.

O mais importante de tudo: consulte um especialista antes de tomar qualquer atitude na vida. Dê preferência aos especialistas amigos.




O Encontro Marcado

Parabéns à Cíntia e ao Murilo que hoje têm muito mais que um projeto, um sonho, um ideal: têm o Max nas mãos!

segunda-feira, março 05, 2007

Minority Report

Como diria o Itamar Assumpção, venha até São Paulo relaxar, ficar relax. Foi o que fizemos, eu e Kenji. Cinco dias de pernas pro ar na minha terrinha.

A casa do Melk e da Renata é uma espécie de Pasárgada da gaita, da música, dos furões e da comida vegetariana. Eu adorei cada minuto que ficamos lá.

O festival no SESC, como sempre, foi excelente, não apenas pelas atrações, mas principalmente pelos amigos. Melhor ainda quando os amigos são as atrações, como esse ano. A Mari tocou e cantou, o Eisenger arrebentou com o trio gaita, violão e percussão e eu gostei muito, muito mesmo da apresentação do Vítor Lopes.

Também conhecemos a fábrica da Bends que fica em Ribeirão Pires, uma pequena e pacata cidade pertinho de Sampa. O Valdecir estava lá e me pareceu feliz, o que me deixou feliz também. Essa galera que dedica a vida a um instrumento, nesse caso a gaita, merece ser reconhecida.

Acho que a Bends tem tudo para dar certo e torço por isso porque o pessoal tem se esforçado um bocado para que as coisas aconteçam da maneira certa. Eu respeito pra caramba essa dedicação porque estou convencida que a perfeição só existe no campo do ideal, nada no mundo prático é perfeito, até porque a sua definição varia de cabeça para cabeça. Agora, desejar e atuar na realidade de maneira ética e responsável para alcançar o melhor resultado possível já são outros quinhentos. Acho que o pessoal da Bends tem feito isso o que já me parece bastante louvável e meio caminho andado para alcançar o objetivo.

A gente também visitou o abrigo para crianças que o pai da Renata mantém em Ribeirão Pires e foi muito legal. A meninada é linda, saudável e cheia de energia para brincar. Quem for conhecer a fábrica não deveria perder a oportunidade de ir ao abrigo também.

Enfim, conhecemos mais gaitistas e fizemos novos amigos. Como sempre.

Para fechar com chave de ouro ainda ganhamos, no show do Carlini na Livraria da Esquina, um pingüim gaitista da Beth. Eu nunca teria imaginado um presente melhor.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Rudolph

Estou me sentindo assim...



Odío quando meu nariz me prega peças.

domingo, fevereiro 18, 2007

Se meu apartamento falasse

Senhoras e Senhores,

Eu tenho a honra de informá-los que o contrato foi assinado. Em breve as gatas estarão de casa nova. E própria.

Que os anjos e a Caixa Econômica Federal digam amém. :-)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Brazil, o filme

Você sabia que o Código de Processo Civil está passando por uma reforma que começou em 2001 e culminou na aprovação de uma lei que muda quase tudo em dezembro do ano passado? Eu também não, até uns três dias atrás.
E você sabia que isso significa que qualquer processinho que você tenha que entrar na justiça tem regras totalmente novas? Incluindo comprar um imóvel, divorciar-se ou receber alguma indenização? Sabia?

E que o governador de São Paulo José Serra vetou um projeto de lei de Redução de Danos? E o prefeito da cidade de São Paulo Gilberto Kassab vetou um outro que pune a discriminação por orientação sexual na capital paulista? Alguém te contou?

E sabe quem não contou nada disso para ninguém? A mesma imprensa que nos anestesia diariamente com imagens cada dia mais chocantes de violência, com a exploração inclemente da desgraça alheia e com um repertório inacabável de desinformação, seja pelo meio impresso ou eletrônico.

Aproveito para recomendar fortemente que você entre no link ao lado do VotoLula. O Ric, tio da Clarice, seleciona e comenta notícias bastante interessantes da nossa política nacional. Aliás deveríamos renomear o site para Blog do Ric, porque pelo menos essa colaboradora está deixando muito a desejar.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Em nome de Deus ou
A diferença entre o crédulo, o fiel, o ateu, o cético, o agnóstico e o incrédulo

O crédulo é aquele que acredita, que contém a chama da crença seja no que for, Deus, homens, ciência, igualde, família. Ele crê e aquilo o ajuda de alguma forma a acordar de manhã.

O fiel é o crédulo em Deus. Nem todo crédulo é fiel, mas todo fiel é crédulo. Não confundi-lo com o religioso, porque entre esses muitos são incrédulos, não vale a pena nem classificar os religiosos pois aqui estamos falando de fé.

O ateu é o crédulo na não existência divina. O ateu não só acredita que deus não existe como ele quer convencer a humanidade que de acordo com a realidade objetiva não é possível a existência de um Deus. Como se a fé em Deus tivesse alguma coisa relacionada com a realidade objetiva ou mesmo com a existência dele.

O cético não acredita em nada antes de obter alguma comprovação objetiva. O cético só não é um incrédulo porque pode ter a sorte de acreditar em alguma outra coisa. Ou seja, podem existir céticos crédulos, mas são poucos, e procuram validar de alguma forma sua fé, seja através da ciência, do idealismo, até do romantismo.

Agnóstico é o apelido do cético quando estamos falando na crença em Deus. Ele não crê na existência divina, nem na sua não existência. Como o ateu, ele não consegue conciliar a idéia de um Deus com suas observações do mundo real, porém, diferentemente do ateu, tem a necessária humildade para concordar que as suas observações podem não captar todas as respostas do universo. Outra diferença essencial entre o agnóstico e o ateu é a falta de ânimo, de prazer e de argumentos para longos debates com os fiéis sobre o tema, ânimo, prazer e argumentos que sobram entre os ateus.

O incrédulo, bem, o incrédulo não acredita, ele perdeu a fé. Costuma ser uma figura cabisbaixa, deprimida, tristinha. Ou pior, o incrédulo pode tornar-se cínico, cruel e imoral, porque se nada tem jeito, porque ele teria?

Onde você se classifica? Como anda a sua fé?

Eu, por exemplo, não passo de uma agnóstica, portanto cética, insossa e pouco crédula.


Thomas Henry Huxley

terça-feira, fevereiro 06, 2007

A Chorus Line

Ontem recomeçaram as aulas de pandeiro. Nesse ano de 2007, começo a ensaiar em outro pandeiro, do luthier Fernando, aqui de Belo Horizonte. Trata-se de um pandeiro com o diâmetro maior, 10 polegadas, por isso mais grave, com acabamento bem melhor do que eu usava anteriormente. Na verdade eu já tenho esse pandeiro desde setembro, acontece que ele é mais pesado que o primeiro, então protelei até agora para tocá-lo. Mas depois que você pega um instrumento bom, principalmente com um som mais bonito, não quer soltar nunca mais. Agora preciso é me acostumar com ele e adquirir resistência.

Uma das coisas mais certas que o Caetano Veloso escreveu na vida dele foi "como é bom poder tocar um instrumento".

Costura Da Vida
Tambolelê. Composição: Sérgio Pererê

Eu tentei compreender
A costura da vida
Me enrolei pois
A linha era muito comprida

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar

Se na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Na linha das águas
Sou triste
Pelo fogo que um dia apaguei

Na linha do céu sou estrela
Na linha da terra sou rei
Mas na linha do fogo
Sou triste
Pelos mares que não naveguei

Mas como é que eu vou fazer
Para desenrolar
Para desenrolar



Update do post anterior: o Kenji já comprou os adesivos de reciclagem, vamos aproveitar (muito ecologicamente) uns baldes de plástico do Royal Canin que estavam lá em casa sem uso. Reciclagem djá!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Day After

Ontem apagamos a a chave geral do apartamento às 19h55. Na verdade poderíamos ter ligado às 20h, mas só o fizemos às 20h40. Foi uma forma de participar do movimento 5 minutos pela Terra, organizado por um grupo de ambientalistas franceses, a Aliança pelo Planeta. No Brasil a repercussão foi ínfima, até que na França eles conseguiram alguma divulgação. Fizemos, porém, mais pela proposta em si do que por resultados objetivos. A questão é que se não começamos a participar, esse tipo de ação não irá nunca alcançar resultados.
A partir da semana que vem, também começaremos a reciclar lixo. Mesmo tendo que sair de casa para entregar o lixo reciclável em postos de coleta. Incrível, mas no Gutierrez não tem coleta seletiva da prefeitura.
Acho que já é um começo.

terça-feira, janeiro 30, 2007

O maior espetáculo da terra

A coisa mais legal do lançamento do CD do Gaita-l é a sua premissa. Ela não está escrita em nenhum papel, ninguém a solicita verbalmente, acho até que a maioria da galera a adota sem nem perceber. Mas ela sempre está presente.

Essa premissa é o desprendimento.

Desprendimento de tudo: de medos, de preconceitos, de ambições, de dúvidas.
Porque no lançamento do CD do Gaita-l não existe medo de palco, não existe lugar bom ou ruim - seja para dormir, seja para tocar - ninguém quer ganhar nada, não tem estilo musical pré-definido, não tem regra e não tem frescura. Aí o povo que vem pela primeira vez fica com aquela cara de deslumbrado, de "como pode continuar sendo tão bom".
E a única resposta é que a premissa continua valendo.
Porque quando ninguém está preso, seja a convenções, seja às suas regrinhas internas, seja à timidez, as coisas acontecem de forma genuína.
E cada coisa, por menor que seja, que cada um faz, fica enorme, porque não havia expectativa alguma, muito menos cobrança.
Manter o desprendimento e a genuinidade tanto do CD como dos lançamentos foi a melhor estratégia para fazer com que cada um deles, seja em BH, em Santos ou no Rio, fosse único.
E essa grande sacada, se foi espertamente implementada pelo Kenji, contou com a colaboração de todo mundo, absolutamente todo mundo, que algum dia já participou de algum CD ou lançamento, para funcionar. Por isso que essas pessoas são tão bacanas e fazem esses encontros momentos tão especiais.
Espero que as coisas continuem assim e tenho certeza que continuarão.
Amém.


Alguns gaitistas presentes em BH esse fim de semana

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Gattaca

Ontem tive um insight: deve existir uma explicação genética para a escolha de alguns indivíduos pelo socialismo.

Explico-me. Quanto mais eu leio, mais me convenço que o capitalismo é o sistema hegemônico no mundo exatamente porque ele é o que melhor se encaixa nas características gerais da humanidade.
Porque vejamos, enquanto o socialismo (aos liberais de plantão aviso de antemão que estou falando do socialismo ideal, e não das experiências vividas em alguns países como a Rússia, muito menos a China) almeja uma sociedade com valores mais fraternos, (igualdade, fraternidade, desprendimento, altruísmo), o capitalismo suporta bem valores, digamos, mais individualistas como a ambição, o poder, a violência, a vingança. E o fato é que para a maioria dos mortais isso está ok. Isso acontece, provavelmente, porque a sociedade é formada por pessoas ambiciosas, violentas, vingativas e com sede de poder em uma proporção que permite ao grupo em geral, aceitar essas situações e conceitos com naturalidade. Estou, evidentemente longe de dizer que todos os membros das sociedades capitalistas são ambiciosos, violentos, vingativos e têm sede de poder, teorizo, apenas, que o contato com essas características no cotidiano, nas relações subjetivas, permite que elas sejam aceitáveis no âmbito macro.

O que a genética tem com isso? Chegarei lá.

De acordo com esse raciocínio, o socialismo teria alguma chance de existência se a maioria dos integrantes de uma sociedade percebesse em sua volta, nas suas relações cotidianas uma tendência à adoção destes valores altruísticos já citados. Essa possibilidade, aqui entre nós, é bem remota.
Sendo assim, o que faria alguns indivíduos da nossa sociedade insistirem tanto na construção de uma sociedade igualitária? O que motiva esses seres a indignar-se e ruborizar diante das injustiças do mundo desde a fome, a subnutrição infantil, a guerra, a ditadura, até a destruição do ecossistema, a circuncisão feminina ou mesmo a extinção do rinoceronte branco de um chifre só? E principalmente, o que faz com que esse grupo de seres humanos acredite na tendência da sociedade em adotar seus valores?
Vamos às suas características, i. eles são minoria absoluta no mundo, ii. em algumas regiões do planeta, entretanto, é possível observar aglomerações destes indivíduos, iii. muitas vezes são vários membros em uma única família, iii. argumentos, pressões e até tortura habitualmente não conseguem dissuadi-los de seus pensamentos, o que pode demonstrar que se trata de uma coisa intrínseca ao ser, e não apenas racional iv. a idade também parece não influenciar na condição específica.

A reposta pode, perfeitamente, ser um gene. O gene da utopia social. Não há pesquisas que apontam para o gene da crença religiosa? Poderia até ser uma mutação, o gene da crença na sociedade. Podem surgir, inclusive, especulações sobre a origem do gene. Talvez Russeau, ou mesmo Marx. Não é má idéia para pesquisa. Fica a sugestão para os amigos biólogos.

(post inspirado no artigo "Sejamos Lógicos" do economista Antônio Delfim Netto, publicado no Valor Econômico de ontem - 23/01 e provavelmente pela falta do Chico Lobo que foi para a Alemanha e agora não tenho com quem dividir teorias esdrúxulas)


Eduardo Galeano é um espécime a ser estudado para comprovar, ou não, minha teoria

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Conte Comigo

O importante nesse mundo é ter amigos. Quinta agora precisava contratar um jornalista no Rio de um dia para o outro. Na mesa do boteco, a Bárbara deu dois telefonemas e estamos aí com o jornalista. Na sexta, precisei de um fotógrafo para aquela hora exata. Vem o Beto e salva o dia. Hoje não sabia exportar imagens de um arquivo Corel e o Marcelo me ensinou. Quem tem amigo tem tudo.
E não estou falando dessa história de networking. Meus amigos são meus amigos, se eles quebram galhos de vez em quando ótimo, mas eu gosto deles por milhões de motivos diversos, além deste. Esse negócio de networking me dá uma certa coceira porque parece coisa de quem não tem vida pessoal, só profissional. Sabe esse povo que come, dorme, lancha, sonha e trepa pensando no futuro profissional, nas realizações e afins? Esse tipo de gente é que constrói uma networking. Gente como eu simplesmente recorre aos meus amigos e tudo bem.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

A Roda da Fortuna

Esse ano de 2007 terei que fazer uma coisa que nunca fiz na vida. Um planejamento financeiro. Vou colocar minhas despesas fixas no papel, saber quanto sobra, quanto pretendo guardar e o que eu vou priorizar de gasto. Quer dizer, como vou investir, financeiramente, em mim como pessoa humana individual e subjetiva, sabe como?
Lembrei da Luana, minha irmã, aos três aninhos. Quando perguntávamos o que ela seria quando crescesse, ela respondia:
- Pessoa!

Mal sabia ela, mal sabia eu, que o tal de virar "pessoa" é um processo e dos mais complexos. Fato é que feliz ou infelizmente, o ser humano é um bicho pra lá de complicado e mesmo passando pelo mesmo processo que todo ser vivo - nascer, crescer, amadurecer, procriar e morrer - adora meter (ato falho?) dúvidas, desejos, traumas, angústias e ansiedades nos entremeios de cada etapa.
Inveja da simplicidade dos cnidários.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Programão

Como a cidade está mesmo vazia e as opções culturais são quase nulas, me atrevo a dizer que o melhor programa do mês de janeiro em Beagá será:



Festa de Lançamento do CD Gaita-List
Data: 26 de janeiro de 2007, Sexta-feira
Horário: a partir das 20h
Local: Pau e Pedra
Av. Getúlio Vargas 489, Funcionários
Belo Horizonte / MG
Tel (31) 3284-2397

Maiores detalhes, aqui

segunda-feira, janeiro 15, 2007

FINDI

Um fim de semana pode ser (as possibilidades nesse caso são infindáveis) ranquiado de acordo com três medições:
os produtos culturais consumidos
o número de pessoas que você interagiu (1 ponto para as conhecidas, 2 pontos para novos contatos)
a quantidade de doses etílicas ingeridas

Dentro dessa perspectiva posso dizer que o fim de semana foi bem positivo.
O primeiro quesito foi o mais prejudicado, o que se explica pela priorização dos itens subjacentes. Sem contar que a leitura da (revista) Cult, com um dossiê sobre mito e verdade na tragédia grega é pouco, mas já é bom.
A interação foi o ponto alto nos dois dias. Tanto com os bons amigos, daqueles que você fica se perguntando incessantemente porque encontra tão pouco, como com figurinhas novas, agradabilíssimas, divertidas, daquelas que você fica se perguntando incessantemente como não as conheceu antes. Sem contar aquela terceira categoria de boas pessoas que você encontrou uma ou duas vezes, ainda não pode chamar de amiga, mas tem uma clara inclinação para tornar-se.
O terceiro ponto do ranque coroa o segundo e facilita a fluência e as risadas. A única desvantagem é que transforma a manhã de domingo em um suplício de dor de cabeça e fotofobia, mas passa. Que venga el próximo findi.

domingo, janeiro 14, 2007

MIGO

"Li hoje, embasbacado, o lamento do velho Frieiro. Leia comigo as palavras dele: tomei uma decisão suicida. Resolvi queimar e queimei ontem, chorando, meu velho diário. Vinte e dois cadernos, quatro mil páginas manuscritas cobrindo dez anos de escrita confessional e memorialística. Nelas relatava, minucioso, a vida cotidiana e as futricas provincianas de Belo Horizonte. Noêmia e eu, queimando os cadernos, chorávamos aos prantos:
- Era sua obra-prima, bem - me dizia ela.
Lendo esse lamento, decidi escrever, eu também, meus vinte e dois cadernos. Não para queimar - c'ê besta! -. Mas para me expressar e guardar. Quem sabe, publicar. Para isso se escreve."



Darcy Ribeiro - 1988


quinta-feira, junho 15, 2006

Ao mestre, com carinho

Alguns escritores específicos, com sua literatura, mudaram minha vida. Formei meus valores, alarguei meu pensamento, encontrei caminhos - que ainda sigo - em seus livros. Muitas vezes busquei até consolo, afago, em momentos difíceis de dor, ou inspiração para viradas, revoluções internas - e eu sempre encontrei. A eles, e as suas obras, dedico carinho e respeito imensos.

Pouquíssimos, entretanto, me ensinaram, o que quer que seja, pessoalmente.
Pouquíssimos, me deram além de seus textos, ensinamentos com o calor do hálito, sentados em um sofá baixo de uma quase redação.

Entre esses pouquíssimos está o Wander Pirolli.

Há menos de um mês o Wander morreu. É, morreu, pronto e acabou. Não o ofenderia com eufemismos. Uma coisa que ele me ensinou foi a não dourar a pílula. Ele nunca dourou. Como editor de polícia, como jornalista, como escritor, a lente dos olhos do Wander era cristalina. Adorava uma realidade nua e crua. Porém no papel, a verdade era enriquecida com sua ironia fina e aquela coerência, típica dos malucos, beberrões - de cachaça - e insones.

Em entrevista ao Felicíssimo ele dizia jornal só de notícias boas, isso não existe. Não é jornal, jornal se alimenta de desgraça, de dor. Isso aí não é jornal. Depois ria e tragava o Hollywood. Sempre colaborou para aquele não-jornal. Sempre freqüentou a nossa quase redação.

Pelo menos, ele ainda está aí. O papel. Leia-o. Principalmente se nunca o fez antes. Leia Wander Pirolli e compreenda, se for capaz, o que eu, e aqueles tiveram a minha sorte, sentimos agora.

quarta-feira, maio 17, 2006

Asas do Desejo

Algumas coisas nunca mudam. É mesmo. Outras coisas, entretanto, já passaram da hora de mudar.
Coisas que parecem imutáveis, intocáveis, intrinsecas à nossa realidade, elas podem mudar. Elas devem. Elas precisam.
Porque muitos repetem que algumas coisas nunca mudam e assim elas se perpetuam e mudá-las fica cada dia mais difícil.
E cada dia fica mais fácil para aqueles que não ganham com a mudança convencer aos demais que algumas coisas nunca mudam.
E quando alguém se permite convencer, a mudança fica mais distante e aquelas coisas, que nunca vão mudar, ganham força e ainda fortalecem aqueles que querem e podem tudo, menos que as coisas mudem.
Fato é que algumas coisas nunca mudam. E não vão mudar. Uma delas é que ainda tem gente que acredita na mudança.

http://votolula.blogspot.com/


quarta-feira, maio 03, 2006

O petróleo é deles

Um pouquinho de utopia e desbunde não faz mal a ninguém.

Sandina
Replicantes

Sábado todo, eu chorei de mágoa
Minha garota foi pra Manágua
Lutar pela revolução
Lutar pela revolução
Todo mundo vai embora
Todo mundo tem sua hora
Ela me deixou, me trocou
Por um sandinista especialista em granada de mão


domingo, março 26, 2006

Blackmail - cena 1


Ludmila está sentada no banquinho do banheiro esperando uma pausa no rock farofa para voltar para a pista.
Entram 2 mocinhos.
Mocinho 1 fecha as pernas e faz cara de 'tô apertado'.
Mocinho 2: Vai naquele.
Mocinho 1: Não tem porta...
Lud pro mocinho 1: Vai naquele que ele (apontando para o mocinho 2) vigia pra você.
Mocinho 1 pro mocinho 2: Você vigia pra mim?
Mocinho 2: Vigio.
Mocinho 1 e Mocinho 2 vão para trás da Ludmila que felizmente estava de costas para a privada sem porta.
Mocinho 1 vai embora com o mocinho 2 mas antes agradece pela ajuda.
Dois segundos depois volta o Mocinho 1:
- Minha roupa tá muito clara para esse lugar? Ele estava com uma calça jeans e uma camiseta branca com detalhes azuis.
- Não pergunte isso para mim, digo e sorrio. Na verdade todas, mas absolutamente todas as pessoas do blackmail estavam de preto ou jeans. Menos eu que, inacreditavelmente, estava com uma roupa absolutamente clara.
Ele sorri: "Ah! você tava na Joy também?
Respondi que não com a cabeça e ele continuou:
- Lá tava péssimo! Aí eu vim pra cá, já agarrei dois! Acredita menina?
- Uau, que sucesso! E eu aqui sentada nesse banquinho!
Ele gargalhou e foi embora, agarrar mais.
A mocinha que estava no banquinho ao lado do meu, provavelmente descansando ou esperando o banheiro vagar, me olhou e concluiu:
- E a gente ainda tem que ouvir isso.

segunda-feira, março 13, 2006

dia 20 - a véspera

Dia de viagem. Virei pra nossa amiga da limpeza e disse: não estarei em casa esse fim de semana. O que estiver na geladeira e for perder, joga fora, leva pra casa, mas não deixa aqui não. Cheguei em casa à noite e a geladeira nunca esteve tão limpa. Restaram as caixinhas de nuggets no congelador e um litro de leite recém aberto. Acho que a minha amiga tem intolerânia a lactose. O Almindo recomendou e comprei aquelas almofadinhas infláveis para o pescoço. Não é que o negócio funciona?

dia 21 - Primeiro dia de Bienal

Chegamos em sete horas. Mas Sampa é Sampa. Seis horas da matina a padaria, na esquina da casa da Clara, já estava aberta.
O caminho para o Anhembi foi tortuoso. Tudo errado. Mas a feira estava fantástica.
Um milhão de livros, pernas pra que te quero, empolgação absoluta. Percorremos apenas um terço da feira.
Assisti uma palestra sobre 'o papel da mídia para incentivar a leitura'. Péssima.
A conclusão nada surpreendente: se aquela é a mídia que incentiva a leitura, não está ajudando em nada.
À noite fomos, já exaustos, assistir um show da Jazz Sinfônica. Homenagem a Astor Piazzola. Não poderia ser melhor. De graça, no Memorial da América Latina, auditório maior e mais novo que o Palácio das Artes. A união entre orquestra e big band. Na última música o cara da percussão tocou um pandeiro honesto.
Totoro, você tinha que ver.
Uma outra figura lá (esqueci o nome do moço) tocou maravilhosamente o acordeom (ou acordeão, se preferir) e eu lembrei do meu avô. Meu avô que não tocava acordeom pra mim. Ele só fingia, e como eu era muito novinha, achava tudo lindo. E ganhava uma balinha após a apresentação.
Historinha de criança. Totoro, você tinha que ver. Sampa é Sampa.

dia 22 - O encontro

Levantei, fui pro banho esfregar bem as orelhas, tirar as remelas do olho, porque eu tinha um encontro.
Ia conhecer a Ivana Arruda Leite.
Entrei num cúbiculo lotado e além dela, estavam lá Luiz Ruffato, Marcelino Freire, Índigo e como ouvinte a Andréa Del Fuego.
Concordei e discordei de um monte de coisa e isso não teve a menor importância.
Estava ali pra ouvir, pra contar pros meus netos.
Lembrei do Wander Piroli. Lembrei das minhas tardes naquela salinha esprimida do Felicíssimo, quando ele ia nos visitar, ninguém ganhando nada com aquilo. Mas aquelas tardes valeram o que nenhum dinheiro nunca me pagou. Nem vai pagar.
E você tinha que ver, aquela gente inteligente, se expondo, se contorcendo. Escritor constrói a si próprio, cresce de dentro pra fora. Como disse o Marcelino, num dos seus atos dramáticos (ele é meio ator, sabe?) resumiu: "Dei! Dei e dou! Pimenta no cu dos outros é refresco". Ele não estava falando do processo criativo não, mas parecia.

Ao final, tirei meu livrinho de dentro da bolsa, super tímida, não queria incomodar pôxa, a gente não incomoda os expoentes do nosso olimpo particular, né? E pedi para a Ivana autografar. Acho que ela ficou feliz com o gesto e até me abraçou.
Saí do estande do SESC, que promoveu o encontro, e fui parar no da Cia. das Letras.
Lá um mulher enorme esbarrou em mim. Era a Malu Mader.
Quase falei: "Ih Malu, não adianta ficar encostando não. Ela abraçou a mim, feiosa, não você."

Comprei meus livrinhos, no saldo ficamos com:
Folhas das Folhas de Relva - Walt Whitman - Editora Brasiliense (prefácio do Paulo Leminski)
A Comédia dos Erros - Shakespeare - LePM
As 100 melhores histórias da Mitologia - Deuses, heróis, monstros e guerras da tradição greco-romana. - A. S. Franchini e Carmen Seganfredo - LePM
De lambjua ganhei do SESC:
Guia brasileiro de produção cultural 2004 - Edson Natale e Cristiane Olivieri - Zédolivro (sim, esse é o nome da Editora)
Pegamos o ônibus e eu encostei, na minha almofada inflável, uma cabeça renovada.

dia 23 - O reencontro

Primeiro com as gatas, que esse sim, conta.
Depois com a rotina. Evidentemente, relativizada pelas novidades que ainda rondam a mente e transparecem no rosto.
Por último, com a sua ausência. Você tinha que estar lá, tinha que ver. Mas não tem nada não, Totoro. Eu estava, eu vi e estou aqui pra te contar.

(Prometo todos os links amanhã, pode ser?)

Saindo da ordem para brincar com a Lila.

cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. e além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue. (*)

1) eu como sanduíches pelas beiradas.

2) dou pro mesmo cara há 10 anos e acho isso bom.

3) eu sei beliscar com o pé.

4) sinto cócegas quando assopram em mim.

5) eu acho a coisa mais engraçada do mundo aquele barulho que faz quando a gente aperta a bochecha alheia cheia de ar.

(*) aviso aos navegantes: fui liberada da 2a regra pela dona da brincadeira.

quinta-feira, março 09, 2006

Dia 19 - Chek list

Paguei as contas
Visitei mamãe
Escovei as gatas
Comi estrogonofe de soja (saudável e gostoso)
Peguei a correspondência.
Fiz a mala.
Dormirei cedo.

Fiz uma cruzinha em mais um dia do calendário.

Dia 18 - Da mulher

Infelizmente, o 08 de março, dia internacional da mulher, perde a cada ano o seu significado político.
Toda vez que eu leio um texto meloso ou recebo uma rosa murcha de algum estabelecimento comercial, imagino
os 129 cadaverzinhos se remexendo em suas tumbas. Sim, para quem não se lembra, estou falando dos
129 cadáveres das mulheres cabornizadas em uma fábrica em Nova Iorque (ou Chicago, não sei) num longínquo 8 de março do sec. XIX.
Provavelmente, há controvérsias, o episódio que inspirou a definição da data.
Isso posto, tenho pouco a comentar. Apenas:
. Não confundam o dia internacional da mulher com o dia das mães.
. De acordo com o Ipas-Brasil "na América Latina e Caribe, de 25% a 50% das mulheres são vítimas da violência doméstica; 33% sofrem abuso sexual entre os 16 e 49 anos; pelo menos 45% delas são objeto de ameaças, insultos e destruição de bens pessoais. Ou seja, em algum momento de suas vidas, metade das mulheres latino-americanas é vítima de alguma violência".
. Mulheres do mundo, honrem as calcinhas que vestem.

terça-feira, março 07, 2006

Dia 17 - A revanche

Pois é, Totoro,

Estava eu remoendo a segunda brava e vem a terça para lavar a alma.
Primeiro, influenciada pela sua sugestão, deixei um comentário no blog da Ivana.
E não é que me escritora favorita estará na Bienal? e Melhor, eu também!
Domingo às 15 horas. Imperdível.

Para completar, fui levar as chaves para o dr. Omni.
Começamos a tagarelar em pé, na Vetta mesmo, fomos parar numa mesa de buteco, no Otoni 16, e não paramos de falar até agorinha mesmo.
Olha que privilégio, papo de buteco, com o Omni!

Dia 16 - Segunda-feira

Típica. Reunião de trabalho às 8 horas da matina.
Aí vai a Ludmila para a aula de pandeiro. Ônibus, chuva e duas horas em pé batucando. É bom, mas cansa.

Dia 15 - Domingo em família

Um dia para a farra outro pra família.


Nesse, eu quero autógrafo

domingo, março 05, 2006

Dia 14 - Ponto Final

Pois é, Totoro, ontem assistimos, eu e Mônica, o Match Point
do Woody Allen.
Não que o filme seja ruim, mas eu esperava mais.
Ele se arrasta até os últimos 30 minutos que são excelentes. Mas eu não sei se um filme regular dois terços do tempo e ótimo no final deve ser considerado bom.
E muito cá entre nós, achei a atuação da Scarlett Johansson fraquinha e eu habitualmente gosto dela nos filmes.

Na verdade o mais divertido foi jogar conversa fora com a Mônica por horas a fio. Isso é bom. Aliás, nossos diálogos são melhores, mais divertidos, que os do Woody Allen.

PS - Também assisti ontem, na tv, Aos treze. Gostei do filme, porque é tipo um Kids mas sem a apelação e levanta as questões direitinho, os perigos e tal.
Ele me convenceu que a apelação não é necessária mesmo. Não adianta me dizer 'oh, mas o Kids mostra a crueza da realidade, por isso ele é mais legal'.
Mostra nada, realidade é realidade, filme é filme, é construção, é narrativa, é discurso.
Aos treze faz o que se propõe, coloca uma discussão em pauta.
Agora teve um aspecto que me chamou a atenção no filme que foi o "quando você vai perceber o óbvio".
Como é difícil enxergar que uma situação mudou, mesmo que você esteja em frente a ela, de olhos abertos e atentos.
E é verdade, a gente simplesmente não vê que a filha usa droga, que o pai não quer saber, que o namorado trai com a melhor amiga.
Óbvio que é só somar 2 mais 2, mas ninguém o faz. É preciso uma coragem quase sobre-humana para fazê-lo.
Mesmo sendo a coisa mais evidente do mundo.
Acho que faz parte da natureza humana isso. Uma espécie de instinto de preservação, que nos impede de ver o que a nossa cabeça ainda não consegue aceitar.

sexta-feira, março 03, 2006

Dia 13 - Sampa

Totoro,

Agora é oficial: na próxima sexta, dia 10 vou pra Bienal do livro em São Paulo.
Volto no domingo com muita propaganda, alguns livros e, certamente, calos nos pés.
Mas tem que ser assim, senão, não tem graça, né?

quinta-feira, março 02, 2006

Dia 12 - um tapinha não dói

Totoro,

Depois de conversar com você fui assistir, finalmente, Fale com Ela.
Engraçado, porque à época, eu estava com um pouco de canseira do Pedro Almodóvar, achando filmes como Tudo sobre a minha mãe e A flor do meu segredo sensíveis demais.
Voltei a assisti-lo quando vimos no cinema o Má Educação, que nesse sentido eu tinha achado ótimo, porque voltava para tema mais masculinos: sexo, violência, desejos.
E descobri, para minha surpresa absoluta que havia perdido, exatamente o elo entre as duas coisas: Fale com Ela.
Filme instigante esse, incômodo, difícil de enquadrar, de classificar.
Até porque ele utiliza umas técnicas que eu não via há muito tempo no cinema contemporâneo, como falar de arte apresentando a arte;
mas consegue escapar de longe de qualquer, qualquer, qualquer clichê.
Como um filme consegue usar tanto de uma linguagem clichê e ser uma obra absoluta anti-determinismo? Não sei, mas é exatamente isso que Fale com Ela é.
A feminilidade, a masculinidade, a vida, a morte, a suavidade, a violência, a paixão, o ódio, estão todos lá, todos confrontando-se e, eu juro,
não há um único momento em que você diz: ha-há! Peguei você! Olha o determinismo aí, olha a obviedade surgindo, olha as convenções... nada, nada.
Na verdade, é o filme pega você o tempo todo. O filme joga na sua cara toda hora: ah, pensou que isso? Não, é aquilo.
Detalhe: o filme não é do Igmar Bergman. Não tem discussões filosóficas, chatonildas, pra intelectualzinho punheteiro se divertir não.
O filme é sobre a vida cotidiana. Como sempre. A vida cotidiana que é surpreendente, que pode acordar você, que pode tirar qualquer um do sono profundo.
Tem um diálogo perfeito já no final do filme, que uma senhora diz para o protagonista:
- Um dia nós temos que conversar.
Aí ele responde:
- Sim, temos sim, mas vai ser simples.
Ela:
- Simples? Eu sou dançarina e sei, nada é simples.
Aí você lembra da frase do Fred Astaire, que dizia que os outros dançarinos treinavam 7, 8 horas para fazer bem feito, ele treinava, 10, 12 horas para parecer fácil.
Aliás, acho que o Almodóvar conseguiu com esse filme chegar lá. Ele surpreende o espectador o filme inteiro, e ainda faz parecer que se trata da coisa mais natural e simples do mundo.

quarta-feira, março 01, 2006

Dia 11 - Cinzas

E não é, Totoro, que me fizeram trabalhar hoje, depois de meio-dia?
O divertido é ver a cara dos outros, comerciários, motorista de ônibus, trocador, colegas de trabalho,
Todo mundo com aquela cara de "cinzas" assumida.
Eu nem teria ligado, se não fosse a chuva. Porque aí eu já acho meio demais.
Ressaca, trabalho, preguiça, pouco ônibus, e ainda pé molhado?

Dia 10 - Reação Felina


Totoro,

O último dia de carnaval teve cara de domingo. Dormi muito e, de atividade mesmo, só o baralho.

Agora, um capítulo a parte, tem sido a companhia das gatas.
A Zen reage à sua maneira natural. Primeiro ficou ranzinza. Eu chegava em casa ela imediatamente:
- Miaaaaaauu.
- Oi Zen.
- Miaaaaaauu. Miaaaaaauu.
- Eu sei Zen, eu também.
- Miaaaaaauu. Miaaaaaauu. Miaaaaaauu.
- Não Zen, calma, volta sim.

Agora, passada uma semana, ela está em um momento solidário. Eu chego, ela deita na minha barriga, coloca a pata no meu rosto e começa:
- Miau?
- Tô bem sim, Zen.
- Miau? Miau?
- Tô, Zen, eu tô comendo sim.
- Miau. Miau. Miau?
- Viu, Zen, eu sei que nós vamos superar.

Já a Zul demonstra a carência tendo crises adolescentes. Outro dia ela tentou fugir de casa e saiu pela porta da rua. O problema é que diferentemente da Zen ela corre.
Mas felizmente, ela correu para fora e em alguns segundos correu para dentro.

Outro dia acordei com um barulho na janela. Era a Zul tentando subir no parapeito de uma janela fechada. A cena que vi foi digna de desenho animado, a Zul escorregando pela parede, tentando usar as garras para se segurar.

Ontem mesmo, estava na cozinha, a Zul na copa, imóvel, com a cabecinha virada quase 130 graus olhando a parede branca. Fui lá, olhei a parede, nada. Pensei, pronto deram um doce pra minha gata e ela está tendo uma alucinação.
Fiquei de olho, esperei uns minutinhos (e ela completamente imóvel) quando, repentinamente, sai uma formiga de um buraquinho invisível (pelo menos pra mim) entre o chão e a parede. A Zul, triunfante, foi torturar o brinquedo novo e eu respirei aliviada.

O difícil é quando a Zul resolve me contar alguma coisa.
- Miaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau?
- Oi Zul, é, eu sei que são 5 horas da manhã e o sol acabou de aparecer na janela. Não precisa me acordar.

- Miaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau?
- Oi Zul, é, eu sei, são 3h30min da manhã e ele ainda não chegou. Vai demorar um pouquinho mesmo. Não precisa me acordar.

- Miaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau?
- Não Zul, não é uma boa idéia a gente aproveitar que está de madrugada e miar desesperadamente pra ver se ele escuta. E, pelo amor de deus, volta a dormir.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Dia 9 - Vale quanto pesa

Totoro,

Ontem fomos assistir ao filme Capote. Não é exatamente um cine-biografia. Ou é, só que daquelas espertinhas.
O roteiro foca apenas quatro anos da vida do escritor Truman Capote e não se preocupa em dar muitas explicações além deles, por exemplo, não há flash backs.
Mas fica evidente que a essência do moço está lá. E os quatro anos em questão foram realmente muito bem escolhidos.
É o período em que ele realiza 'a pesquisa' para escrever "A sangue frio" seu livro mais importante, talvez o primeiro livro-reportagem da história (ou jornalismo literário, se você preferir).
A direção é correta e uma coisa muito legal, o roteiro não faz concessões e é absolutamente enxuto. Ah, não entendeu não? Vai pesquisar na Internet, nos livros, mas me poupe, eu estou aqui para contar uma história.
E essa história, não apenas do Capote, mas da construção da sua obra, é realmente muito boa. Até porque levanta uma bola interessante: até onde um escritor/jornalista deve ou pode ir para conseguir a sua obra prima?
Capote foi longe, tão longe que praticamente não voltou depois. Apagou-se.
Além de enxuto, o filme ainda tem um pilar claro: a atuação.
Se o Philip Seymour Hoffman finalmente ganhou o papel que ele merecia desde, sei lá, Happiness, Magnólia, ou Boogie Nights, os demais atores também não deixam nada a desejar.
Destaque absoluto para Clifton Collins Jr., o assassino que conta sua história a Capote.
Filme elegante, inteligente e que utiliza o potencial de seus atores ao máximo. Resumindo, valeu cada centavinho do ingresso.

Depois fomos pro Café com Letras jogar conversa fora.


Truman Capote

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Dia 8 - O Buraco

Pois então Totoro, hoje foi o dia de buraco. Entre amigos é sempre bom e rolou muita risada.

Lembrei daquele texto antigo, sobre o amor e o jogo de buraco, lembra?

Pois é, resgatei-o e coloco aqui, para posteridade. Inclusive com uma bela ressalva, a amiga citada na micro-crônica ainda está lá, jogando com o mesmo parceiro.
Pelo menos no outro jogo, porque buraco, hoje, eles não quiseram jogar.


O AMOR E O BURACO

Conversando com uma amiga cheguei a conclusão que existe uma estreita ligação entre o relacionamento amoroso e o jogo de buraco. Em primeiro lugar, todo mundo conhece os dois. Quem não conhece, que não leia, vai comer feijão e arrumar mulher, ou homem. Não tenho paciência para aqueles que abdicam dos prazeres da vida. Ambos são jogos, mas um se joga com o baralho e o outro... Bem... Com um material bem menos convencional.

O problema da minha amiga era simples. Deveria baixar a guarda e acreditar nas palavras do pretendente? Deveria confiar? Eu, que sempre gostei de um buraquinho entre amigos e sou conhecida pela minha fé na humanidade, não pensei duas vezes. Argumentei que durante a partida a gente precisa de vez em quando abrir o jogo, mostrar as trincas, ou como ela se transformarão em canastras? Como pegar o morto sem descer todas as cartas? Impossível! Concluí que, para não atravancar o jogo, é necessário entregar um pouquinho para o adversário. No caso do relacionamento, inclusive, essas entregadinhas até que não são ruins... Bem, espero que a minha amiga tenha se entendido com o rapaz e esteja feliz. Quanto a mim, continuei com as elucubrações sobre os jogos distintos e cheguei, juntamente com meu parceiro preferido em ambos, a mais algumas conclusões!

Pegar o morto e fazer uma real:
Dar uma chance para aquele carinha que vivia cantando você, sem gracinha de tudo tadinho e descobrir que ali estava o namorado gentil e tarado que você e a Rita Lee viviam pedindo ao papai do céu.

Pegar o lixo só para ter descarte:
Ficar com aquele boyzinho infeliz só para não voltar para casa no zero a zero.

Segurar a real do adversário na mão:
Dar uma de difícil.

Evitar fazer alguns pontos só para o jogo não terminar na próxima rodada:
Iiihhhh, você está apaixonada.

Algumas frases que podem ser usadas entre parceiros. No amor ou no buraco:

- Por que você não abre o jogo?
- Como eu ia saber, se você estava escondendo?
- Aí não! Põe em outro lugar que é melhor...
- Você descartou uma coisa que era importante para mim.
- Outra vez? Mas eu estou cansada... Então tá, só mais uma partidinha e depois a gente vai dormir.

domingo, fevereiro 26, 2006

Dia 7 - Porque tudo na vida tem uma primeira vez

Totoro,

Fomos eu e Naoto para o hits da Up! Jogamos 3 partidas de sinuca equilibradíssimas e numa delas eu encaçapei quatro bolas se-gui-das. Foi a glória.
dançamos horrores de depache mode a 'tô ficando atoladinha', passando por Placebo, Morcheeba e Abba. Eu, Naoto e noventa e nove vírgula... sete? por cento dos gays simpáticos de Belo Horizonte.
P.S. bunitinho: tocava Spice Girls e eu gritava: Gente, isso é uma gaita! É uma gaita!!

sábado, fevereiro 25, 2006

Dia 6 - Bateu II - A missão

ressaca {verbete}*

Datação
1554 cf. NautTM

Acepções

Houaiss: Regionalismo: Brasil. Uso: informal. mal-estar causado pela ingestão de bebidas alcoólicas. Regionalismo: Brasil. Uso: informal. mal-estar produzido por uma noite passada em claro.
Ludmila: tudo aquilo que sobra quando a parte boa de ingerir bebidas alcoólicas vai embora. Dor de cabeça incapacitante. Fim de festa.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Dia 5 - A véspera da véspera

Totoro,

Nessa terra quente, a proximidade do carnaval começa a se fazer presente.
Amanhã, creio eu, ninguém vai querer nada com nada.
HOje o Max ligou e avisou que tem um povo bom na área. Ivan, Adriana e ele devem ficar por aqui.
Carolzinha também chegou hoje. Vamos ver se eu aprendi alguma coisa com a visita da Maya.

Cortei meu cabelo e ficou fresquinho. Fui ao salão que a minha mãe frequenta.
As frescuras são meio estranhas, mas o papo do cabelereiro é ótimo.
Ele me contou tudo sobre o ex. Contou as baixarias nas boates que o namorado aprontava, as chantagens que ele fazia pra conseguir dinheiro, contou que ele foi trocado por um argentino velho e metido a ricaço, que uma vez esse
mesmo ex-namorado quebrou o apartamento dele todo por causa de ciúme. Discorreu sobre todos os detalhes sórdidos do relacionamento e suspirou de saudade.
Disse que nunca teve um namoro tão bom.

O ser humano é um bichinho danado, ou não é?

quarta-feira, fevereiro 22, 2006


Dia 4 - o ó do ócio


Aí você fica com mais tempo, e o que vai fazer com ele?
O óbvio, nada que preste.
Até televisão aberta eu assisti ontem.
Peguei um pedaço de O Observatório da Imprensa, aquele programa da TV Cultura com o Alberto Dines, aliás, tadinho,
cada vez mais parecido com o Tutan Kamon, depois de mumificado.
Nesse programa fiquei sabendo que as escolas de samba do Rio estão vendendo os seus sambas enredos.
Quer dizer, vendendo não, veja bem, estão angariando patrocinadores para os mesmos, uma coisa completamente diferente.
Nessa brincadeira a 'Vila Isabel' desclassificou o samba enredo composto pelo Martinho...*da Vila* porque não estava de acordo
com os interesses do patrocinador.
Tem cabimento? Imagina só, daqui alguns anos, os sambas enredos:
Portela: 'Mais que o possível' - patrocinador Banco Real
Beija Flor: 'Amo muito tudo isso' - Mac Donald's
Vem aí, patrociada pelas Casas Bahia, a Mangueira, com o samba-enredo: "Quer pagar quanto?"
Olha que eu já achava um saco aqueles sambas invariavelmente sobre o período colonial brasileiro, pretexto básico para colocar índia pelada, homem com roupa dourada e peruca branca, ou então, vestido de bandeirante. Façam-me o favor...

Antes disso eu ainda tentei assistir Big Brother, mas não dei conta. O que é aquilo? Um senhor já, carequinha, de barriga, carregando uma vassoura e uma pá de lixo pra baixo e pra cima, um povo com pinta de 'profissional do sexo' dentro de uma banheira de hidromassagem, o que significa aquilo?
Juro, parece cenário de filme pornô. Assustador.
Eu vou é tocar pandeiro.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Dia 3 - Bateu


ressaca
{verbete}*

Datação
1554 cf. NautTM

Acepções
substantivo feminino
1 forte movimento das ondas sobre si mesmas, resultante de mar muito agitado, quando se chocam contra obstáculos no litoral
1.1 a vaga que se forma nesse movimento

Etimologia
esp. resaca 'retrocesso das ondas', este das f. do esp. saca e resaca (1492), que se aplicavam ao fluxo e refluxo do mar, quando este lança e torna a sugar os objetos que estão junto à orla; ver sac-; f.hist. 1554 resaca, 1640 ressaca, 1727 reçafa

Não sei porque todo mundo odeia segunda-feira, eu odeio a terça. Dia sem graça, sem charme. O que é a terça-feira? A véspera da quarta, no máximo.

*Fonte: Houaiss

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Dia 2 - Eles estão entre nós

Totoro,

Sabe que voltar a andar, tanto a pé como de ônibus, tem suas vantagens? Posso fazer uma coisa que adoro: olhar os outros.
Presto atenção em tudo: na dona que está quase dormindo, quase dormindo e perde o equilíbrio, coitada. O cahorro de rua que atravessa a Raja na faixa de pedestre. Até na mensagem de celular que o rapaz que está sentado na minha frente:
"A gente não pode ver, mas sabemos que eles existem". Os espíritos? O establishment? Os políticos honestos?
Não sei, só sei que reparei.

Claro que é animação inicial. Provavelmente em três ou quatro dias vou achar essa história de ônibus um saco.

Mas o i-pobre ajuda pra caraaambaaa. Acordei hoje, segundona, primeirona sozinha, tomei café, encontrei a Roze e fui subir o morro. Coloquei o fone no ouvido e foi só ouvir os dois primeiros versos: You and me we're meant to be / Walking free in harmony...
Morcheeba mudou meu astral. Aliás pra você, Totoro, porque eu adoro essa música e cá entre nós, tem tudo a ver.

Rome Wasn't Built In A Day.

Morcheeba

You and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll fly away
Don? t you know that rome wasn' t built in a day

In this day and age it's so easy to stress
'cause people are strange and you can never second guess
In order to love child we got to be strong
I'm caught in the crossfire why can't we get along

'cause you and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll fly away
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

I'm having a daydream, we're getting somewhere
I'm kissing your lips and running fingers through your hair
I'm as nervous as you 'bout making it right
Though we know we were wrong, we can' t give up the fight
Oh no

'cause you and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll run away
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

You and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll fly away
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

You and me (you and me) we're meant to be (meant to be)
Walking free (walking free) in harmony (in harmony)
One fine day (one fine day) we' ll ran away (we gonna ran away, we gonna ran away)
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

You and me (you and me) we're meant to be (meant to be)
Walking free (walking free) in harmony (in harmony)
One fine day (one fine day) we' ll fly away (we gonna ran away, we gonna ran away)
Don' t you know that rome wasn' t built in a day


domingo, fevereiro 19, 2006

Diário de Bordo


Totoro,

Eu sei que meios de comunicação não vão faltar, mas também não custa inventar. Muito inspirada nos 73 bichos da Índigo,
vou tentar fazer aqui, nesse discreto blog, os 42 dias de viagem ao contrário: a história de quem ficou.

Dia 1 - Nós estamos na moda

Só saí de casa para ir à Boníssima e descobrir que comprar legumes numa padaria chique não é a pior das idéias. Comprei um alface hidropônico, quatro tomates e uma bandeijinha de quiabo. Já tenho janta pra semama por menos de R$ 5,00.
Aí fui assistir TV e me pego acompanhando as Olimpíadas de Inverno no SporTV. E descobri que nós estamos na moda.
Sabe aqueles casais com uniformes barangos que dançam no gelo? Pois então, por uma definição dos organizadores, na categoria 'dança original' eles tinham que se apresentar ao som dos ritmos latinos: bolero, samba, rumba e o escambal (que, estranhamente, não se enquadra em ritmo latino) Um casal da Europa Oriental dançou 'Manhã de Carnaval' e foi até bonito.
Mas o melhor das apresentações foi da dupla japonesa que dançou "Mamãe eu quero". Juro.
Mamãe eu quero,
Mamãe eu quero mamar
Me dá chupeta, me dá chupeta
Pro beber não chorar.

No meio de piruetas, plumas, aquele gelo todo e, é claro, muita gente branca sem entender nada.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

A Lei do Desejo

Motiva-me observar um movimento a favor (do que quer que seja), um movimento de abertura, de tolerância, de esperança, de coragem. Motiva-me a ponto de voltar a escrever aqui. :)

terça-feira, janeiro 03, 2006

O pagamento final

Esse ano me fiz uma promessa:
Não me prometo nada.
O que vier está ótimo, o que vier é lucro.
Cansei de me impor metas, me cobrar resultados e sofrer por antecedência.
Em 2006 gostaria, apenas, de curtir o que vier de bom e sofrer o que é sofrível, já que problemas sempre existirão.
Mas também só eles. Nada de prever o pior, nem almejar o melhor. A gente sempre fica no meio a meio mesmo...
Pronto. Eu quero é o meu barquinho. A minha terceira margem.