sexta-feira, março 03, 2006

Dia 13 - Sampa

Totoro,

Agora é oficial: na próxima sexta, dia 10 vou pra Bienal do livro em São Paulo.
Volto no domingo com muita propaganda, alguns livros e, certamente, calos nos pés.
Mas tem que ser assim, senão, não tem graça, né?

quinta-feira, março 02, 2006

Dia 12 - um tapinha não dói

Totoro,

Depois de conversar com você fui assistir, finalmente, Fale com Ela.
Engraçado, porque à época, eu estava com um pouco de canseira do Pedro Almodóvar, achando filmes como Tudo sobre a minha mãe e A flor do meu segredo sensíveis demais.
Voltei a assisti-lo quando vimos no cinema o Má Educação, que nesse sentido eu tinha achado ótimo, porque voltava para tema mais masculinos: sexo, violência, desejos.
E descobri, para minha surpresa absoluta que havia perdido, exatamente o elo entre as duas coisas: Fale com Ela.
Filme instigante esse, incômodo, difícil de enquadrar, de classificar.
Até porque ele utiliza umas técnicas que eu não via há muito tempo no cinema contemporâneo, como falar de arte apresentando a arte;
mas consegue escapar de longe de qualquer, qualquer, qualquer clichê.
Como um filme consegue usar tanto de uma linguagem clichê e ser uma obra absoluta anti-determinismo? Não sei, mas é exatamente isso que Fale com Ela é.
A feminilidade, a masculinidade, a vida, a morte, a suavidade, a violência, a paixão, o ódio, estão todos lá, todos confrontando-se e, eu juro,
não há um único momento em que você diz: ha-há! Peguei você! Olha o determinismo aí, olha a obviedade surgindo, olha as convenções... nada, nada.
Na verdade, é o filme pega você o tempo todo. O filme joga na sua cara toda hora: ah, pensou que isso? Não, é aquilo.
Detalhe: o filme não é do Igmar Bergman. Não tem discussões filosóficas, chatonildas, pra intelectualzinho punheteiro se divertir não.
O filme é sobre a vida cotidiana. Como sempre. A vida cotidiana que é surpreendente, que pode acordar você, que pode tirar qualquer um do sono profundo.
Tem um diálogo perfeito já no final do filme, que uma senhora diz para o protagonista:
- Um dia nós temos que conversar.
Aí ele responde:
- Sim, temos sim, mas vai ser simples.
Ela:
- Simples? Eu sou dançarina e sei, nada é simples.
Aí você lembra da frase do Fred Astaire, que dizia que os outros dançarinos treinavam 7, 8 horas para fazer bem feito, ele treinava, 10, 12 horas para parecer fácil.
Aliás, acho que o Almodóvar conseguiu com esse filme chegar lá. Ele surpreende o espectador o filme inteiro, e ainda faz parecer que se trata da coisa mais natural e simples do mundo.

quarta-feira, março 01, 2006

Dia 11 - Cinzas

E não é, Totoro, que me fizeram trabalhar hoje, depois de meio-dia?
O divertido é ver a cara dos outros, comerciários, motorista de ônibus, trocador, colegas de trabalho,
Todo mundo com aquela cara de "cinzas" assumida.
Eu nem teria ligado, se não fosse a chuva. Porque aí eu já acho meio demais.
Ressaca, trabalho, preguiça, pouco ônibus, e ainda pé molhado?

Dia 10 - Reação Felina


Totoro,

O último dia de carnaval teve cara de domingo. Dormi muito e, de atividade mesmo, só o baralho.

Agora, um capítulo a parte, tem sido a companhia das gatas.
A Zen reage à sua maneira natural. Primeiro ficou ranzinza. Eu chegava em casa ela imediatamente:
- Miaaaaaauu.
- Oi Zen.
- Miaaaaaauu. Miaaaaaauu.
- Eu sei Zen, eu também.
- Miaaaaaauu. Miaaaaaauu. Miaaaaaauu.
- Não Zen, calma, volta sim.

Agora, passada uma semana, ela está em um momento solidário. Eu chego, ela deita na minha barriga, coloca a pata no meu rosto e começa:
- Miau?
- Tô bem sim, Zen.
- Miau? Miau?
- Tô, Zen, eu tô comendo sim.
- Miau. Miau. Miau?
- Viu, Zen, eu sei que nós vamos superar.

Já a Zul demonstra a carência tendo crises adolescentes. Outro dia ela tentou fugir de casa e saiu pela porta da rua. O problema é que diferentemente da Zen ela corre.
Mas felizmente, ela correu para fora e em alguns segundos correu para dentro.

Outro dia acordei com um barulho na janela. Era a Zul tentando subir no parapeito de uma janela fechada. A cena que vi foi digna de desenho animado, a Zul escorregando pela parede, tentando usar as garras para se segurar.

Ontem mesmo, estava na cozinha, a Zul na copa, imóvel, com a cabecinha virada quase 130 graus olhando a parede branca. Fui lá, olhei a parede, nada. Pensei, pronto deram um doce pra minha gata e ela está tendo uma alucinação.
Fiquei de olho, esperei uns minutinhos (e ela completamente imóvel) quando, repentinamente, sai uma formiga de um buraquinho invisível (pelo menos pra mim) entre o chão e a parede. A Zul, triunfante, foi torturar o brinquedo novo e eu respirei aliviada.

O difícil é quando a Zul resolve me contar alguma coisa.
- Miaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau?
- Oi Zul, é, eu sei que são 5 horas da manhã e o sol acabou de aparecer na janela. Não precisa me acordar.

- Miaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau?
- Oi Zul, é, eu sei, são 3h30min da manhã e ele ainda não chegou. Vai demorar um pouquinho mesmo. Não precisa me acordar.

- Miaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau? Miaaaaaaaaaaau?
- Não Zul, não é uma boa idéia a gente aproveitar que está de madrugada e miar desesperadamente pra ver se ele escuta. E, pelo amor de deus, volta a dormir.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Dia 9 - Vale quanto pesa

Totoro,

Ontem fomos assistir ao filme Capote. Não é exatamente um cine-biografia. Ou é, só que daquelas espertinhas.
O roteiro foca apenas quatro anos da vida do escritor Truman Capote e não se preocupa em dar muitas explicações além deles, por exemplo, não há flash backs.
Mas fica evidente que a essência do moço está lá. E os quatro anos em questão foram realmente muito bem escolhidos.
É o período em que ele realiza 'a pesquisa' para escrever "A sangue frio" seu livro mais importante, talvez o primeiro livro-reportagem da história (ou jornalismo literário, se você preferir).
A direção é correta e uma coisa muito legal, o roteiro não faz concessões e é absolutamente enxuto. Ah, não entendeu não? Vai pesquisar na Internet, nos livros, mas me poupe, eu estou aqui para contar uma história.
E essa história, não apenas do Capote, mas da construção da sua obra, é realmente muito boa. Até porque levanta uma bola interessante: até onde um escritor/jornalista deve ou pode ir para conseguir a sua obra prima?
Capote foi longe, tão longe que praticamente não voltou depois. Apagou-se.
Além de enxuto, o filme ainda tem um pilar claro: a atuação.
Se o Philip Seymour Hoffman finalmente ganhou o papel que ele merecia desde, sei lá, Happiness, Magnólia, ou Boogie Nights, os demais atores também não deixam nada a desejar.
Destaque absoluto para Clifton Collins Jr., o assassino que conta sua história a Capote.
Filme elegante, inteligente e que utiliza o potencial de seus atores ao máximo. Resumindo, valeu cada centavinho do ingresso.

Depois fomos pro Café com Letras jogar conversa fora.


Truman Capote

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Dia 8 - O Buraco

Pois então Totoro, hoje foi o dia de buraco. Entre amigos é sempre bom e rolou muita risada.

Lembrei daquele texto antigo, sobre o amor e o jogo de buraco, lembra?

Pois é, resgatei-o e coloco aqui, para posteridade. Inclusive com uma bela ressalva, a amiga citada na micro-crônica ainda está lá, jogando com o mesmo parceiro.
Pelo menos no outro jogo, porque buraco, hoje, eles não quiseram jogar.


O AMOR E O BURACO

Conversando com uma amiga cheguei a conclusão que existe uma estreita ligação entre o relacionamento amoroso e o jogo de buraco. Em primeiro lugar, todo mundo conhece os dois. Quem não conhece, que não leia, vai comer feijão e arrumar mulher, ou homem. Não tenho paciência para aqueles que abdicam dos prazeres da vida. Ambos são jogos, mas um se joga com o baralho e o outro... Bem... Com um material bem menos convencional.

O problema da minha amiga era simples. Deveria baixar a guarda e acreditar nas palavras do pretendente? Deveria confiar? Eu, que sempre gostei de um buraquinho entre amigos e sou conhecida pela minha fé na humanidade, não pensei duas vezes. Argumentei que durante a partida a gente precisa de vez em quando abrir o jogo, mostrar as trincas, ou como ela se transformarão em canastras? Como pegar o morto sem descer todas as cartas? Impossível! Concluí que, para não atravancar o jogo, é necessário entregar um pouquinho para o adversário. No caso do relacionamento, inclusive, essas entregadinhas até que não são ruins... Bem, espero que a minha amiga tenha se entendido com o rapaz e esteja feliz. Quanto a mim, continuei com as elucubrações sobre os jogos distintos e cheguei, juntamente com meu parceiro preferido em ambos, a mais algumas conclusões!

Pegar o morto e fazer uma real:
Dar uma chance para aquele carinha que vivia cantando você, sem gracinha de tudo tadinho e descobrir que ali estava o namorado gentil e tarado que você e a Rita Lee viviam pedindo ao papai do céu.

Pegar o lixo só para ter descarte:
Ficar com aquele boyzinho infeliz só para não voltar para casa no zero a zero.

Segurar a real do adversário na mão:
Dar uma de difícil.

Evitar fazer alguns pontos só para o jogo não terminar na próxima rodada:
Iiihhhh, você está apaixonada.

Algumas frases que podem ser usadas entre parceiros. No amor ou no buraco:

- Por que você não abre o jogo?
- Como eu ia saber, se você estava escondendo?
- Aí não! Põe em outro lugar que é melhor...
- Você descartou uma coisa que era importante para mim.
- Outra vez? Mas eu estou cansada... Então tá, só mais uma partidinha e depois a gente vai dormir.

domingo, fevereiro 26, 2006

Dia 7 - Porque tudo na vida tem uma primeira vez

Totoro,

Fomos eu e Naoto para o hits da Up! Jogamos 3 partidas de sinuca equilibradíssimas e numa delas eu encaçapei quatro bolas se-gui-das. Foi a glória.
dançamos horrores de depache mode a 'tô ficando atoladinha', passando por Placebo, Morcheeba e Abba. Eu, Naoto e noventa e nove vírgula... sete? por cento dos gays simpáticos de Belo Horizonte.
P.S. bunitinho: tocava Spice Girls e eu gritava: Gente, isso é uma gaita! É uma gaita!!

sábado, fevereiro 25, 2006

Dia 6 - Bateu II - A missão

ressaca {verbete}*

Datação
1554 cf. NautTM

Acepções

Houaiss: Regionalismo: Brasil. Uso: informal. mal-estar causado pela ingestão de bebidas alcoólicas. Regionalismo: Brasil. Uso: informal. mal-estar produzido por uma noite passada em claro.
Ludmila: tudo aquilo que sobra quando a parte boa de ingerir bebidas alcoólicas vai embora. Dor de cabeça incapacitante. Fim de festa.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Dia 5 - A véspera da véspera

Totoro,

Nessa terra quente, a proximidade do carnaval começa a se fazer presente.
Amanhã, creio eu, ninguém vai querer nada com nada.
HOje o Max ligou e avisou que tem um povo bom na área. Ivan, Adriana e ele devem ficar por aqui.
Carolzinha também chegou hoje. Vamos ver se eu aprendi alguma coisa com a visita da Maya.

Cortei meu cabelo e ficou fresquinho. Fui ao salão que a minha mãe frequenta.
As frescuras são meio estranhas, mas o papo do cabelereiro é ótimo.
Ele me contou tudo sobre o ex. Contou as baixarias nas boates que o namorado aprontava, as chantagens que ele fazia pra conseguir dinheiro, contou que ele foi trocado por um argentino velho e metido a ricaço, que uma vez esse
mesmo ex-namorado quebrou o apartamento dele todo por causa de ciúme. Discorreu sobre todos os detalhes sórdidos do relacionamento e suspirou de saudade.
Disse que nunca teve um namoro tão bom.

O ser humano é um bichinho danado, ou não é?

quarta-feira, fevereiro 22, 2006


Dia 4 - o ó do ócio


Aí você fica com mais tempo, e o que vai fazer com ele?
O óbvio, nada que preste.
Até televisão aberta eu assisti ontem.
Peguei um pedaço de O Observatório da Imprensa, aquele programa da TV Cultura com o Alberto Dines, aliás, tadinho,
cada vez mais parecido com o Tutan Kamon, depois de mumificado.
Nesse programa fiquei sabendo que as escolas de samba do Rio estão vendendo os seus sambas enredos.
Quer dizer, vendendo não, veja bem, estão angariando patrocinadores para os mesmos, uma coisa completamente diferente.
Nessa brincadeira a 'Vila Isabel' desclassificou o samba enredo composto pelo Martinho...*da Vila* porque não estava de acordo
com os interesses do patrocinador.
Tem cabimento? Imagina só, daqui alguns anos, os sambas enredos:
Portela: 'Mais que o possível' - patrocinador Banco Real
Beija Flor: 'Amo muito tudo isso' - Mac Donald's
Vem aí, patrociada pelas Casas Bahia, a Mangueira, com o samba-enredo: "Quer pagar quanto?"
Olha que eu já achava um saco aqueles sambas invariavelmente sobre o período colonial brasileiro, pretexto básico para colocar índia pelada, homem com roupa dourada e peruca branca, ou então, vestido de bandeirante. Façam-me o favor...

Antes disso eu ainda tentei assistir Big Brother, mas não dei conta. O que é aquilo? Um senhor já, carequinha, de barriga, carregando uma vassoura e uma pá de lixo pra baixo e pra cima, um povo com pinta de 'profissional do sexo' dentro de uma banheira de hidromassagem, o que significa aquilo?
Juro, parece cenário de filme pornô. Assustador.
Eu vou é tocar pandeiro.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Dia 3 - Bateu


ressaca
{verbete}*

Datação
1554 cf. NautTM

Acepções
substantivo feminino
1 forte movimento das ondas sobre si mesmas, resultante de mar muito agitado, quando se chocam contra obstáculos no litoral
1.1 a vaga que se forma nesse movimento

Etimologia
esp. resaca 'retrocesso das ondas', este das f. do esp. saca e resaca (1492), que se aplicavam ao fluxo e refluxo do mar, quando este lança e torna a sugar os objetos que estão junto à orla; ver sac-; f.hist. 1554 resaca, 1640 ressaca, 1727 reçafa

Não sei porque todo mundo odeia segunda-feira, eu odeio a terça. Dia sem graça, sem charme. O que é a terça-feira? A véspera da quarta, no máximo.

*Fonte: Houaiss

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Dia 2 - Eles estão entre nós

Totoro,

Sabe que voltar a andar, tanto a pé como de ônibus, tem suas vantagens? Posso fazer uma coisa que adoro: olhar os outros.
Presto atenção em tudo: na dona que está quase dormindo, quase dormindo e perde o equilíbrio, coitada. O cahorro de rua que atravessa a Raja na faixa de pedestre. Até na mensagem de celular que o rapaz que está sentado na minha frente:
"A gente não pode ver, mas sabemos que eles existem". Os espíritos? O establishment? Os políticos honestos?
Não sei, só sei que reparei.

Claro que é animação inicial. Provavelmente em três ou quatro dias vou achar essa história de ônibus um saco.

Mas o i-pobre ajuda pra caraaambaaa. Acordei hoje, segundona, primeirona sozinha, tomei café, encontrei a Roze e fui subir o morro. Coloquei o fone no ouvido e foi só ouvir os dois primeiros versos: You and me we're meant to be / Walking free in harmony...
Morcheeba mudou meu astral. Aliás pra você, Totoro, porque eu adoro essa música e cá entre nós, tem tudo a ver.

Rome Wasn't Built In A Day.

Morcheeba

You and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll fly away
Don? t you know that rome wasn' t built in a day

In this day and age it's so easy to stress
'cause people are strange and you can never second guess
In order to love child we got to be strong
I'm caught in the crossfire why can't we get along

'cause you and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll fly away
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

I'm having a daydream, we're getting somewhere
I'm kissing your lips and running fingers through your hair
I'm as nervous as you 'bout making it right
Though we know we were wrong, we can' t give up the fight
Oh no

'cause you and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll run away
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

You and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we' ll fly away
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

You and me (you and me) we're meant to be (meant to be)
Walking free (walking free) in harmony (in harmony)
One fine day (one fine day) we' ll ran away (we gonna ran away, we gonna ran away)
Don' t you know that rome wasn' t built in a day

You and me (you and me) we're meant to be (meant to be)
Walking free (walking free) in harmony (in harmony)
One fine day (one fine day) we' ll fly away (we gonna ran away, we gonna ran away)
Don' t you know that rome wasn' t built in a day


domingo, fevereiro 19, 2006

Diário de Bordo


Totoro,

Eu sei que meios de comunicação não vão faltar, mas também não custa inventar. Muito inspirada nos 73 bichos da Índigo,
vou tentar fazer aqui, nesse discreto blog, os 42 dias de viagem ao contrário: a história de quem ficou.

Dia 1 - Nós estamos na moda

Só saí de casa para ir à Boníssima e descobrir que comprar legumes numa padaria chique não é a pior das idéias. Comprei um alface hidropônico, quatro tomates e uma bandeijinha de quiabo. Já tenho janta pra semama por menos de R$ 5,00.
Aí fui assistir TV e me pego acompanhando as Olimpíadas de Inverno no SporTV. E descobri que nós estamos na moda.
Sabe aqueles casais com uniformes barangos que dançam no gelo? Pois então, por uma definição dos organizadores, na categoria 'dança original' eles tinham que se apresentar ao som dos ritmos latinos: bolero, samba, rumba e o escambal (que, estranhamente, não se enquadra em ritmo latino) Um casal da Europa Oriental dançou 'Manhã de Carnaval' e foi até bonito.
Mas o melhor das apresentações foi da dupla japonesa que dançou "Mamãe eu quero". Juro.
Mamãe eu quero,
Mamãe eu quero mamar
Me dá chupeta, me dá chupeta
Pro beber não chorar.

No meio de piruetas, plumas, aquele gelo todo e, é claro, muita gente branca sem entender nada.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

A Lei do Desejo

Motiva-me observar um movimento a favor (do que quer que seja), um movimento de abertura, de tolerância, de esperança, de coragem. Motiva-me a ponto de voltar a escrever aqui. :)

terça-feira, janeiro 03, 2006

O pagamento final

Esse ano me fiz uma promessa:
Não me prometo nada.
O que vier está ótimo, o que vier é lucro.
Cansei de me impor metas, me cobrar resultados e sofrer por antecedência.
Em 2006 gostaria, apenas, de curtir o que vier de bom e sofrer o que é sofrível, já que problemas sempre existirão.
Mas também só eles. Nada de prever o pior, nem almejar o melhor. A gente sempre fica no meio a meio mesmo...
Pronto. Eu quero é o meu barquinho. A minha terceira margem.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Miracle on 34th Street

A agenda não compromete. Sábado eu me dedico à minha única contribuição na festança de natal: uma sobremesa não muito complicada, mas fina. Às 18 horas, do mesmo sábado, comilança na casa Shikida e 20 horas comilança na casa Pizarro. Domingo, almoço na tia Neuta Penido.
Os presentes estão comprados, o panetone da colega do prédio garantido, pronto.
Eu gosto de Natal assim, com a menor cara de Natal possível.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Barfly

Meu Deus, o que será que me deu essa ressaca toda?
Será que foi a cerveja, o rum ou a vodka?


segunda-feira, dezembro 19, 2005

Os Excêntricos Tenenbaums

As coisas nunca acontecem como as imaginamos. As coisas são sempre diferentes.
Nem sempre piores, as vezes apenas diferentes.
Ou então, quando menos se espera, elas são melhores.
E aí, colega, é partir para o abraço e curtir.

Miragem Do Porto
Lenine & Marcos Suzano

Eu sou aquele navio no mar, sem rumo e sem dom
Tenho a miragem do porto pra reconfortar meu sono
E flutuar sobre as águas da maré do abandono

Ê lá no mar, eu vi uma maravilha
Vi o rosto de uma ilha numa noite de luar
Ê tal luar lumiou o meu navio
Quem vai lá pro mar bravio
Não sabe o que vai achar

E sou a ilha deserta, onde ninguém quer chegar
Lendo a rota das estrelas na imensidão do mar
Chorando por um navio ai ai ô ô
Que passou sem lhe avistar

Ê lá no mar, eu vi uma maravilha
Vi o rosto de uma ilha numa noite de luar
Ê tal luar lumiou o meu navio
Quem vai lá pro mar bravio
Não sabe o que vai achar (2x)

tum tum tum ti ti pá tu tum tum...

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Stranger Than Paradise

Hoje fazem 10 anos que eu namoro o Kenji

Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drumond de Andrade

quinta-feira, dezembro 15, 2005

A primeira noite de um homem

Bom, como ninguém vem mesmo aqui e se alguém vem é muito próximo, divulgo:

Dia 18/12 - domingo - a partir das 16 horas - na Serraria Souza Pinto

Eu estarei entre os pandeiristas em uma apresentação de fim de ano da galera do Tambor Mineiro.
Estarão lá: Mauricio Tizumba, Tambolelê e os convidados:
Chico César (sim, aquele do matinho na cabeça) Marina Machado, Paula Santoro e Amaranto.
Ingresso: parece que vai ser R$ 10,00 mais uma Kg de alimento não perecível

Se você animar, estarei lá. :-)

segunda-feira, outubro 10, 2005

A dupla vida de Veronique
Ou simplesmente
Paráfrase


Estou aqui me devendo escrever nesse blog. Nunca escrevo, mesmo com tantos assuntos saltitando aos meus olhos. O país, o trabalho, a análise, as armas de fogo, as relações humanas, o resto do mundo, a simulação dos prazeres, os valores obsoletos, a depreciação dos sentimentos, a opressão ao beijo, os amigos. Hoje eu encontrei a Patrícia Valle, amiga de velhos e bons tempos.

Mesmo assim o blog continua aqui, solitário.

Talvez a vida seja aquilo que acontece entre um post e outro.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Mon Trésor

Sanguinho Novo
Arnaldo Baptista
(versão: Akira S e as Garotas que Erraram)

Se você curtir minha música eu posso curtir você
Então bata palmas e reze pra não acabar
Teu beijo de baton, manequim, é meu mel
Você tem todo um balanço nesse seu sanguinho novo
Pois deixe cair
Não parta o coração
Largue suas armas e take it easy
& deixe a energia fluir
É nadar na eletricidade, twist na cidade
Deixe o grande irmão se afogar na pia
Batom nele ? se é que você me entende
Você curte, hey garota chegue mais
Derreta o coração ao sol
Quero sanguinho novo (uá uá)
Sanguinho novo
(nánáná....)


sexta-feira, setembro 16, 2005

Alta Fidelidade

Estava lendo não sei onde sobre música romântica e como ela é subjetiva. Depois eu sonhei (essa noite) com o Let's get it on do Marvin Gaye. Então eu decidi fazer uma coisa que eu nunca fiz até porque eu sei que vicia: meu top 5 de músicas românticas. Perigo isso, não?

5 Charlotte - Young Gods
4 Rainy Rainy Day - Brownie McGhee
3 Soul On Fire - Laverne Baker
2 Universally Speaking - Red Hot Chili Peppers
1 Let's Get It On - Marvin Gaye

quarta-feira, agosto 24, 2005

Encontro Marcado

Saldo do Salão do Livro:

Dois livros da Margarida Kunsch, para provar que eu sou uma moça séria e não compro só bobagem.

O terceiro volume de Memórias do Fogo: Século do Vento Eduardo Galeano, com o qual fui presenteada e fiquei duplamente feliz.

Ao Homem que não me quis, obra mais recente da Ivana Arruda Leite (link ali, ó) que eu não canso mais de ler e procurar livros para comprar e babar ovo. Mulher porreta.

São Cristóvão

Eu sozinha nesse bar, um pires de azeitona à minha frente e uma cerveja quente pela metade. Largada nesse canto da vida é difícil acreditar que o Rodrigo Santoro vai passar por aqui e se apaixonar por mim. Mas vai.


Ivana, em Ao homem que não me quis

quarta-feira, agosto 17, 2005

Patch Adams

Algumas vezes eu me sinto uma palhaça tomando remédio.
Atualmente é o tal do antibiótico. Eu realmente o detesto.
Ele é amarelo, foi caro pra cacete, difícil de engolir, não me permite beber coisas alcoólicas, e o pior de tudo: me deixa com um gosto amargo de remédio na boca o dia inteiro. Eu acabei de escovar os dentes e está lá, aquele gosto insuportável de coisa doente.
Meu antibiótico é o chefe que eu não tenho.
É a resignação que eu não tenho.
É o freio que eu não preciso.
É um castrador social.
É uma dose extra de realidade.
É a representação diária, em pílula, que eu sou muito mais susceptível do que gostaria.


Raios duplos.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Como água para chocolate

Dentro do universo gastronômico tem uma composição que acho fantástica:
o molho de mel com mostarda.

Além de versátil, já que cai bem, de salada verde a carne de porco, ele tem a magnífica propriedade de manter plenos os sabores de seus dois elementos. Quer dizer, o picante da mostarda está tão presente quanto o dulçor do mel. Mesmo independentes, eles se completam. O mel suaviza o azedume da mostarda, que em contrapartida, apimenta a delicadeza do mel. Sem desmerecer as propriedades de dois condimentos tão nobres e saudáveis, o fato é, que juntos, ficam muito melhor que sozinhos.

Não se trata, evidentemente, de um molho ordinário, encontrável em qualquer boteco. Restringe-se a alta culinária, aos sábios chefes de cozinha que sabem reconhecer o seu ponto exato e o utilizam para dar a qualquer prato, arroz com ovo, pão com manteiga, alface com tomate, um ar bastante sofisticado. Com esse molho, tem-se o prazer de transformar estas refeições diárias, corriqueiras, algumas vezes até insossas, numa experiência agradavelmente única, um jantar à luz de velas, uma breve orgia gastronômica.

Aqueles que degustam essa improvável união, já que tanto ela, mostarda, com ele, mel, são ingredientes fortes, com sabores peculiares e utilidades diversas, percebem que nem sempre é necessário abrir mão daquilo que é intrínseco a cada elemento para o surgimento de uma mistura perfeita. Algumas vezes, raras vezes, é mais gostoso assim, unir sem perder, e para não perder, ambas as unidades. Muito provavelmente, essa característica seja essencial para que nos deleitemos, todos os dias, se possível todas as horas, por anos a fio, sem nem pensar em enfastiarmo-nos, e cada vez mais apaixonados, pela mesma e saborosa união.

Feliz Aniversário.

quarta-feira, agosto 03, 2005

segunda-feira, julho 25, 2005

Papai Ganso

O fim de semana foi recheado pela visita do meu pai.
Dois dias inteiros de fofocas familiares, análises políticas, papos filosóficos, cerveja e sinuca.

Para ele, coloco um trecho do seu poema preferido, Navio Negreiro, de Castro Alves. Aliás, essas duas últimas estrofes do poema, de certa forma, refletem muito do que conversamos esses dias. Os atores e a situação mudaram, mas, infelizmente, a indignação e a bandeira continuam as mesmas. O que é assustador.

Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!


São Paulo, 18 de abril de 1869.
(O Poeta, nascido em 14.03.1847,
tinha apenas 22 anos de idade)

Leia o poema completo, disponível no Jornal de Poesia, link ao lado.

quinta-feira, julho 21, 2005

Réquiem para um sonho

Como eu não consigo publicar nada nos comentários do meu próprio blog, respondo ao dr. Omni aqui mesmo:
Omni, coisa de sonho. O quadro era grande, como de um colégio, ocupando toda uma parede e a Zul era exatamente do tamanho dela mesmo. Uma das questões do sonho era exatamente se eu conseguiria entender a letra da Zul. Mas entre os rabiscos que ela fez no quadro era possível ler um 'não'. Psicanalítico isso...

Tive uma idéia brilhante. Vou vender camisetas com uma montagem: a imagem do Che Guevara, com boina de estrelinha e tudo mais, mas o rosto do Saddam Hussein. Vai vender horrores!


pena que eu não tenho os conhecimentos photoshopísticos para tacar a cara do Saddam aí no meio. Ficaria ótimo.

segunda-feira, julho 18, 2005

Festa de família

Como era de se imaginar a Soap Party foi ótima. Marcila Camèlo está de parabéns pelo mega evento e pelos aniversários.

Existe uma possibilidade do senhor meu pai vir nos visitar no próximo fim de semana e ainda trazer o Pedrinho, meu irmão caçula. Eu só acredito vendo.

Sonhei que a Zul (minha gata preta) escrevia alguma coisa em um quadro negro. O objetivo era se fazer entender. Como ela não fala, resolveu escrever. Talvez Freud explique. Talvez não.

segunda-feira, julho 11, 2005

Party Monster

Amigos leitores desse blog:
Para lavar a alma, estejam convidados:

SOAP PARTY
Dia 15.07, sexta-feira - 22h
Showtime - Av. do Contorno, 3849
DJs Barbado, Crowbar, Gota e Marckye
Pocket Show Lady Catuaba
R$ 10,00



Aviso de antemão: Eu vou! E será muito bom!

terça-feira, julho 05, 2005

Psicose

Aí eu até sonhei com a música Every you Every me do Placebo, vocês acreditam??
(No sonho quem cantava era uma versão não tão loura da Dido e a música estava meio folk melosa)

Sucker love is heaven sent
You pucker up, our passion's spent
My heart's a tart, your body's rent
My body's broken, yours is spent
Carve your name into my arm
Instead of stressed i lie here charmed
'Cuz ther's nothing else to do
Every me and every you
Sucker love, a box i choose
No other box i choose to use
Another love i would abuse
No circumstances could excuse
In the shape of things to come
Too much poison come undone
Chorus: 'Cuz there's nothing else to do
Every me and every you
Every me and every you
Every me... he

Sucker love is known to swing
Prone to cling and waste these things
Pucker up for heaven sake
There's never been so much at stake
I serve my head up on a plate
It's only comfort,calling late

'Cuz there's nothing else to do
Every me and every you
Every me and every you
Every me...he
Every me and every you
Every me...he

Like the naked leads the blind
I know i'm selfish,i'm unkind
Sucker love i always find
Someone to bruise and leave behind
All alone in space and time
There's nothing here but what here's mine
Something borrowed,something blue

Every me and every you
Every me ...he
4x



Essa é a Dido. A Sandra, namorada do Zeferino, é a cara dela.

quinta-feira, junho 30, 2005

Uma babá quase perfeita

Depois de tanto tempo, cá estou novamente oferecendo meus sonhos estranhos com situações esquisitas. Essa noite minha vítima foi o dr. Omni diga-se de passagem, o melhor cat sitter que as minhas gatas poderiam ter.

No sonho, estávamos eu e o Kenji indo ao novo apartamento do Lúcio. Mesmo sendo um apartamento, ficava no final de uma longa estrada de terra, no meio do nada, como se fosse uma chácara afastada.

Chegamos e entramos no apartamento que era, inclusive, muito parecido com as primeiras fotos que o Omni postou no blog dele, quando as paredes ainda eram brancas. Estávamos lá para cuidar dos 10 gatos que moram com o Lúcio, porque ele estava viajando.

Para nos explicar como cuidar dos gatos, o Omni havia produzido uma fita de vídeo.
Na gravação tinha a imagem do Lúcio dizendo assim:
- Oi, eu sou o Omni, eu moro aqui e tenho 10 gatos.
Na seqüência do vídeo aparecia uma imagem dos gatinhos andando pelo apartamento, ilustrando a fala dele.
Eu assistia e pensava:
- Gente, que maluquice é essa do Omni de gravar vídeo... Gravar vídeo não é coisa de gente normal...


Vocês acreditam que isso existe? Quero esse livro pra mim.

segunda-feira, junho 27, 2005

Alta Fidelidade

Viu neném, mamãe não prometeu?

Aí estão, novos links!
Atualizados,
Vitaminados,
Visitados diariamente.
Não deixem de conferir, ali ao lado!

sexta-feira, junho 24, 2005

A Roda da Fortuna

Lembrei que uma cena hilária:
O Murilo meio bêbado falando comigo e com o Kenji, num churrasco:
- Vocês não estão vendo? Não estão vendo os fantasmas? Estamos todos aqui, todo mundo namorando...

Pausa 1: Isso já tem pelo menos 5 anos, mas realmente, 99% dos casais presentes a esse churrasco casaram, juntaram, ou continuam se enrolando mutuamente.

Voltando:
- Vocês não conseguem ver os fantasmas que rondam esse lugar?
Nós:
- Fantasmas?
- Os fantasmas dos nossos filhos! Vocês não enxergam que em alguns anos nós vamos nos casar, vamos procriar e os churrascos ficarão lotados de crianças correndo? Olha lá, olha os fantasminhas correndo em volta da mesa!
Aí a Ludmila abriu o bueiro e começou a chorar

Pausa 2: Sim pessoas, eu também choro. Nessa época da minha vida, então, se alguém fizesse Bú pra mim eu abria a boca e chorava dias.


Evidentemente, o Murilo ficou todo sem graça e dizia assim:
- Calma Lud, também não é assim, sem contar que isso ainda vai levar aaaaaanos para acontecer.

Pausa 3: É, demorou. Uns cinco anos mais ou menos.

E até hoje acho que uma pergunta que as três pessoas envolvidas nessa conversa se fazem é por que, raios, eu chorei tanto.
Acho que foi única e exclusivamente porque era verdade. Não que fosse uma verdade ruim, ou assustadora. Apenas tratava-se de uma verdade tão escancaradamente óbvia, que se tornava quase palpável, como fantasmas. O Murilo bêbado (vejam vocês..) criou uma imagem tão certeira que me tocou, e por isso eu chorei.

Lembrei-me disso tudo porque hoje, 24 de junho, dia de São João e do aniversário da minha mãe, nasceu a Carolina, filha da Ju e do Shuruda (Juliana e Gustavo). Outros nenéns nasceram depois dessa conversa, mas talvez a Carolina seja a concretização mais perfeita dos nossos fantasminhas, uma vez que sem Murilo e Cíntia, provavelmente não existiria Ju e Shuruda e conseqüentemente, nada de Carolina. Sem contar que estávamos, todos, nesse mesmo churrasco.

Isso me lembra que há 61 anos atrás nascia a minha mãe e que sem ela não existiria Lud, que proporcionou, para o bem ou para o mal, muitos encontros e desencontros.

Também me lembra que amanhã a minha irmã Luana, que está no alto dos seus 11 anos e acredita que já decifrou o mundo e agora resta apenas devorá-lo, vai estrear no teatro, primeiro passo de um tortuoso caminho para quem deseja ser atriz.

Isso tudo junto me leva a refletir sobre a grande roda que é o mundo (que não é redondo à toa) e o nosso papel em fazer as coisas acontecerem, mudarem, voltarem acontecer um pouco diferentes, cruzar caminhos e proporcionar, inclusive, o surgimento de novas criaturinhas que até outro dia não passavam de fantasmas.

Para que toda essa reflexão? Para nada. Ela surgiu, na verdade, do meu desejo profundo de dizer:
Parabéns mãe, pelo seu aniversário e por tudo que você já me proporcionou, o que é muito, diria tudo, se é que você me entende.
Parabéns Luba*, pela estréia e pela energia de quem ainda vai proporcionar muito, pra muita gente.
Parabéns Ju e Shuruda, por fazer a roda girar.
Parabéns Carolina, por não ser mais uma promessa e seja muito bem-vinda.

*esse é o apelido 'jovem' da minha irmã Luana.

quarta-feira, junho 22, 2005

Star Wars III - A vingança dos Sith

Todo mundo já viu, todo mundo já comentou, mas não consigo apagar as muitas dúvidas existenciais que me perseguem desde que eu o assisti:

De onde o George Lucas tirou que é um bom diretor?

Como uma mente capaz de criar uma história tão interessante, um universo paralelo que encanta o planeta inteiro, obriga bons atores* passarem por aquele mico cinematográfico?
* Sim, porque pelo menos a Natalie Portman, o Ewan Mcgregor e o Samuel L Jackson já provaram em outras oportunidades que são bons atores

Como gastar uma fortuna em efeitos especiais e não conseguir uma barriga de grávida falsa convincente?

Para que preocupar-se tanto em manter a coerência com o episódio IV se, dentro do filme, não há coerência nenhuma?

Por que o Anaquin Skywalker tem um cabelo tão feio e ensebado?

Será que o George Lucas nunca leu nenhum daqueles livros bacanas, escritos após a primeira-segunda trilogia, que aprofundam a visão do Darth Vader e o consideram um monstro burocrata, o vilão que utiliza a violência de forma técnica, profissional e por isso perde a sua humanidade?

Se leu, porque não utilizou? Por que fez um Darth Vader tão superficial?

Por que gastei meu rico dinheirinho assistindo Star Wars?

Ah, essa eu sei responder! Porque se eu não assistisse, não poderia ter tantas dúvidas. Se eu não tivesse tantas dúvidas o que eu faria na mesa de buteco? De que vale uma mesa de buteco se você não tem questionamentos pertinentes para fazer a si mesmo?


Haja força para segurar esse filme

segunda-feira, junho 20, 2005

Batman Begins

A cena:
O Coringa no telhado de um Prédio e o Batman no telhado do prédio ao lado com uma lanterna. O Batman propõe ao Coringa:
Vou acender a lanterna e você atravessa pelo feixe de luz.
Você acha que eu sou louco? Responde o Coringa.
Por quê? Pergunta o Batman
Porque você pode desligar a lanterna a hora que quiser.

Não, essa cena não está no Batman Begins. É de um quadrinho que eu li há séculos, Piada Mortal (como bem lembrou o Kenji).
Acontece que depois de ver Batman Begins esse quadrinho não saiu mais da minha cabeça. Porque ele, para mim, é a essência do Batman, a explicação de porquê eu gosto do homem morcego. O Batman é o dark side, a raiva, o medo, a dúvida, a angústia, a vingança, a loucura, tudo aquilo que só nos atrapalha e não dá certo na vida real, transformado em herói-vingador que luta pelo bem e pela justiça e derrota as forças do mal. Se o Batman vinga alguma coisa, é a nossa insatisfação com a imperfeição humana. Ele redime todos nós que estamos muito longe de sermos perfeitos e ainda usamos nossos defeitos como motivação.

Batman Begins respeita tudo isso. Finalmente, um filme que considera o que o Batman é, para quem o leu. Poço, pérolas, Arkam, retratos, revólveres, está tudo lá, no lugar certinho (se você não entendeu o que eu quis dizer, você não leu os quadrinhos certos). Diretor e atores à altura: Gary Oldman, Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, até o Rutger Hauer, estão todos excelentes.

A mesma importância que O Cavaleiro das Trevas do Frank Miller teve ao reinventar o Batman nos quadrinhos, terá Batman Begins por levar ao cinema, com honestidade e competência, o universo, a estética e as implicações que povoam a cabeça dos batmaníacos.

quinta-feira, junho 16, 2005

O maior espetáculo da terra

Falando em Brasília....
Que tristeza, hein? Em que nível chegamos? A postura, a linguagem, os trejeitos, a interpretação, tudo tão típico de bandido, aquele ar de cafa... que tristeza... deputado federal, pôxa, podia ter ao menos decência, compostura...

Eu me sinto responsável, sabe? Eu olho e penso: como nós deixamos chegar onde chegou? Como eu deixei? Será que pra mudar tem que ser na base da revolução mesmo? Será que não é possível realizar melhorias reais, profundas, nesse país utilizando as próprias instituições democráticas e melhorá-las? Será que o único caminho possível é a ruptura completa? Eu olho para o Congresso Nacional, eleito pelo mesmo povo que elegeu o Lula, e essas dúvidas surgem....


A pinta da figura. Não é um energúmeno??

terça-feira, junho 14, 2005

Mamãe é de Morte

Querido blog,

Sei que não tenho sido muito assídua e isso o deixa magoado. Não tiro sua razão. Muitas vezes a correria, as falsas prioridades, não permitem que nos dediquemos ao que realmente importa.
Mas ainda é possível salvar nossa relação, eu quero acreditar nisso! Não vamos esquecer todos os nossos momentos, dos mais bonitos aos mais difíceis, a cumplicidade, os sonhos compartilhados.
De hoje em diante, eu prometo, terei novidades pelo menos a cada dois dias, divulgarei para os amigos que reatamos, atualizarei os links e colocarei novos. Nós voltaremos a ter comentários, eu prometo a você!
Então enxugue suas lágrimas e sorria para a mamãe.

Com amor,

Lud


quarta-feira, maio 11, 2005

Dogville

Leiam! Leiam! Leiam!

Uma cúpula irrelevante?

Se não pelo conteúdo, excelente na minha opinião, porém não necessariamente na sua, pelo menos pela possibilidade de conhecer, uma única vez, tão rara, tão escassa, opinião contrastante a unanimidade da mídia brasileira.

Aliás, as unanimidades nunca, na história do mundo, foram tão burras como são hoje.

sexta-feira, maio 06, 2005

Orlando

Às vezes o tempo engana.

A velocidade é tanta que aguardar algumas horas, qualquer coisa, é insuportável. O mês já passou, mas não chega a porra do dia 6, o cabelo não cresce, o remédio não acaba, não tem pão fresquinho. Fresquinho, daqui a 5 minutos? Ah, vai pra puta que...

Aí não tem blog, não tem cerveja, não tem papo jogado fora, não tem à toa.
Do que vale uma festa se não discorremos sobre ela?

quarta-feira, abril 06, 2005

Hero

Lindíssimo filme de Kung Fu.
Ouvi várias pessoas comentando que o filme era maravilhoso esteticamente mas não sabiam se haviam gostado ou não. Acho que é por causa da estrutura narrativa, muito oriental. Sabe o que me pareceu? Um daqueles filmes de Kung Fu super tradicionais que passam na Band terça à noite, só que com uma produção riquíssima.
Bom, eu gosto dos filmes de Kung Fu que passam na Band. Eu gosto de ver o Jet Li fazendo papel de herói inverossímil e sem fala. Ele fez isso a vida inteira, oras!
Depois de O Tigre e o Dragão e Kill Bill, finalmente foi possível realizar um filme que incorpora de vez a estética e a narrativa chinesas de filmes de Kung Fu. O tigre e o Dragão ainda traz referências, quer dizer, ainda explica muita coisa para que o público ocidental não fiquem completamente perdido, sem noção de o que está acontecendo.
Herói não, ele é um tradicional filme chinês de Kung Fu do início ao fim, sem concessões.
Aí vem tanto chororô, diálogos inacreditáveis (para um ocidental), aquelas regras absurdas (para um ocidental) de honra que definem quem tem que lutar com quem ou matar quem ou morrer e porquê. E os nomes? E a falta deles? A música, a caligrafia, o soberano decifrando o enigma-do-ideograma-espada, tudo isso é muito filme chinês de Kung Fu que passa na Band! Uma mistura de filme de ação, com filosofia de pastelzinho da sorte, pitadas de budismo e uma história que, pelo menos para nós, que nascemos do lado de cá do planeta, não faz muito sentido. Pense bem, como é possível não achar essa miscelânea divertida?!
Agora quero ver o Clã das Adagas Voadoras para me certificar que filmes chineses de Kung Fu com grandes orçamentos estão na moda e irão nos divertir por algumas temporadas. Eu vou ver todos.


meu personagem preferido foi o moço ali da direita

terça-feira, março 29, 2005

Laços de Família

Por essas coisas da vida, ontem eu estava com o atestado de óbito da minha avó paterna, Dona Josepha. Descobri, então, que tive um bisavô chamado Cornélio Alves de Oliveira e que minha bisavó chamava-se Balbina Pereira da Silva, tadinha.
Dona Josepha morreu de um AVC (acidente vascular cerebral) hemorrágico causado por arterioesclerose e hipertensão, em casa, no dia dois de março, há quase trinta anos atrás. Era diabética, assim como é meu pai hoje.
A avozinha deixou seu segundo marido, o vô Clementino, mas quando morreu já era viúva do verdadeiro pai do meu pai. Seu nome era José Alves Silva. José Alves Silva. Existe nome mais genérico do que José Alves Silva? Tem sim, o nome de solteira da minha avó materna: Maria José da Silva.
Dona Josepha, Seu Cornélio, Dona Balbina, Seu Quelé, Dona Maria ou Dona Zezé, Seu Zé.
Minha ascendência é o povo brasileiro.


Foto de Sebastião Salgado

quinta-feira, março 24, 2005

Reds

"tudo o que nasce traz dentro de si o germe de sua própria destruição"

A dialética citação foi retirada do artigo Anacondas Municipais - Vitória das forças populares de Mylton Severiano publicado na revista Caros Amigos.

quinta-feira, março 17, 2005

Constantine

Eu não diria que o filme é ruim, mas bom ele também não é.

O ritmo e o suspense são bons, eu senti mêda (como diz o dr. Omni) mas eu sinto mêda fácil. Também é legal como o filme trabalha nossos medos infantis incutidos pela igreja católica do tipo: não faça isso porque Deus castiga ou você vai para o inferno se tentar aquilo.

De resto, sobra um amontoado de clichês vindos de um amontoado de outros filmes do gênero ação/terror/ficção. Eu poderia descrever exatamente as cenas "inspiradas" em outros filmes, mas perderia a graça para quem ainda não assistiu.

Vou, portanto, apenas citar os filmes dos quais, em algum momento, me lembrei durante a sessão de Constantine:

Matrix - essa referência é óbvia, então posso comentar. Não agüento mais ver Keanu Reeves no papel de o-último-serenata-de-amor-da-caixa-de-bombons-Garoto, ou de a-última-esperança-da-humanidade, ou de o-último-cigarro-do-último-maço-da-ilha-deserta, sabe como?

Além dele, o filme lembra em alguns momentos:
O Grito (mas O chamado também serve);
X-Men;
Alien;
Anjos Rebeldes;
A Múmia (e dessa vez não é por causa da mocinha)
Advogado do Diabo.

Essas são referências diretas, sem contar, é claro, os chavões genéricos: padres, estudiosos religiosos, profecias, textos em sânscrito, blá, blá, blá...

Mudo completamente de assunto para fazer uma pergunta, aos meus amigos que fumam, de cunho filosófico-butequístico ainda influenciada pelo Jim Jarmush:

Você fumaria o último-cigarro-do-último-maço-da-ilha-deserta??

quarta-feira, março 16, 2005

The Majestic

Coffee and Cigarrettes
Excelente! Melhor ainda para quem já conhece o estilo e o humor do Jim Jarmush. Aliás o filme é fidelíssimo ao seu estilo. Muito provavelmente porque ele se sentiu mais à vontade na hora de filmar os curtas. São 11 historinhas. A última é linda. Por que esses diretores sempre deixam o melhor para o final?

Barravento
Finalmente assisti o primeiro longa do Glauber Rocha. Lembra um documentário antropológico. Nos primeiros 10 minutos de filme tem roda de samba ancestral (com direito até a umbigadas) luta de capoeira e candomblé.
A história é interessante e já são bem perceptíveis as maluquices do Glauber, mesmo sendo esse um filme mais careta, por exemplo, que Cabeças Cortadas ou A idade da Terra. Eu não acho isso necessariamente ruim, nem bom. Gosto do Glauber do qualquer jeito, mais ou menos comedido, não importa.
Destaque para o personagem Firmino, vivido pelo Antônio Pitanga novinho e muito bonito. Firmino auto-intitula-se um "agente subversivo". O detalhe é que se trata de uma vila de pescadores, onde todo mundo é paupérrimo e, como o mesmo personagem diz, "analfabeto". De onde que o Firmino tirou o agente subversivo dele é que eu não sei. Quer dizer, sei: são as maluquices do Glauber.


cena de Barravento

segunda-feira, março 14, 2005

O pagador de promessa

Filmes que quero assistir em breve e pretendo comentar nesse blog:

Coffee and Cigarettes - Jim Jarmush.
Imperdível. Eu e Kenji devemos assistir ainda hoje. Eu só não sei se é um bom filme para assistir depois de 20 dias sem cigarro....sinta a força em você, Ludmila-san...

Constantine
Não é só porque eu gosto de heróis de revistas em quadrinhos. Mas também.
Não é só porque tem o Keanu Reeves. Mas também.
Não é só porque de vez em quando eu quero assistir a um filme que não use toda minha capacidade intelectual. Mas também.

Hora de voltar
Parece que infelizmente não estreou na minha roceira Belo Horizonte. Verei assim que sair.
Eu não daria um centavo por aquele rapaz da série Scrubs da Sony, ator-diretor-roteirista do filme, mas o Max indicou e as aparências enganam (na maioria das vezes, felizmente).

Acho que Sideways e Em Busca da Terra do Nunca ficaram para o DVD....


um dos curtas que compõem o "coffee and cigarttes" do Jarmush. Esse inclusive eu vi, na sala Humberto Mauro.

quarta-feira, março 09, 2005

Marnie, Confissões de Uma Ladra

Na minha adolescência, quando estava descobrindo poemas e poetas, confundia o Dalton Trevisan com o Lauro Trevisan.

Sim, eu tenho muita vergonha de assumir isso assim, em público, mas é verdade.

Depois de um tempo, até pelas críticas, descobri que eram duas pessoas diferentes, mas já estava naquela fase de hum... um dia compro um livro do Dalton pra conhecer... mas sempre voltava para casa com um Drumond ou Quintana básicos. Puro medo de arriscar.

Semana passada finalmente, li um livreto do Dalton Trevisan. Que porrada eu levei. Primeiro porque eu me toquei que nunca havia lido antes. Sofri. Trinta e um anos nas costas, vividos sem Dalton Trevisan, sem a sua síntese. Um homem e uma poesia, sintéticos. Segundo porque é impossível lê-lo sem tomar muita porrada. Porrada mesmo, física, quase jorrou sangue do meu supercílio no quinto poemeto de quatro linhas.

Assustada, a velha pula da cadeira, se debruça na cama:
- João. Fale comigo, João.
Geme fundo, abre o olhinho vazio, um palavrão:
- Bruuuxa... Diaaaba...
- Ai, que susto. Graças à Deus.

Tristeza é ver florindo o vasinho de violeta no quarto da filha morta.


Mais uma vez por acaso, rebugenta pelo dia internacional da mulher, que eu acho uma boçalidade sem tamanho, me deparo no site paralelos.org
com um mulher chamada Ivana Arruda Leite que escreve textos maravilhosos e que eu nunca tinha ouvido falar. Li tudo que eu encontrei na internet dela, no blog, num outro site literário, se encontrar mais eu leio e vou comprar os livros. Vejam isso:

A CAIXA VAZIA

Afogados neste aquário, Ofélia e eu andamos de um lado pro outro entre bibelôs, panelas, artigos de limpeza, calcinha pendurada no box. O que é o casamento senão uma caixa vazia com tudo dentro?
Na churrasqueira, um marido girando no espeto enquanto a mulher vai ao forno com tomate na boca. Por sorte mantiveram-me a certa distância da brasa. Ofélia fica linda com esta peruca de fios de ovos.
- Me empresta seus óculos - ela pede ? minha vista tem piorado muito nos últimos tempos. Quando subir me leve um copo d?água, mas não acenda a luz, por favor.
Vinte anos tentando achar o pijama no escuro.
- Trouxe a água?
Quando eu me deitar, a Princesa ganirá. A cadela insiste em deitar no meu lugar. Tento me encaixar sem esmagar suas frágeis patinhas.
A mesa de jantar foi presente de um tio.
- Entre as cabeceiras haverá um monte de filhos ? profetizou.
O mais velho apareceu-me embrulhado num cobertor:
- É um menino!
A segunda passou anos martelando no piano a mesma lição, até que trocou o instrumento por uma bicicleta. De vez em quando me liga a cobrar dos Estados Unidos.
O terceiro nasceu doentinho. Nem eu nem Ofélia tivemos coragem de jogá-lo escada a baixo. Hoje está ai, de barba na cara, querendo casar.
Os prepúcios que enterramos no jardim viraram árvores frondosas. Uma nuvem de mariposas circunda o pau dos meus meninos. Algum dinheiro sempre some da minha carteira, mas nada que os desabone. Na mesa da cozinha tem sempre um fazendo o dever de casa: ca co cu. Para que tanto filho, meu Deus?
No púbis das meninas, uma penugem rala ao redor da rosa cor de sangue. Como sangram essas meninas!
- Não mexa no botão da rosa.
Com dedos engordurados, desmancho o frango pelas juntas. Deus também desfaria a criação se previsse o resultado.
- Quando subir não esqueça de me trazer um copo d?água. Quando descer apague a luz. Quando sair bata a porta. Quando entrar limpe os pés. Quando arrotar peça desculpas. Quando mijar levante a tampa da privada. Quando trepar goze. Quando gozar, gema, bem molinha pra comer com pão.
Abro a porta da garagem e tiro o carro em ponto morto. Se Ofélia acordar, vai querer saber aonde estou indo. Eu lhe direi que vou devolver o filme à locadora. Duvido que ela entenda a metáfora. Amanhã me encontram numa rua deserta com uma bala na cabeça. Estou levando os meus óculos. Sem eles, Ofélia não lerá uma palavra do bilhete que deixei sobre o criado-mudo.


Moral da história: não devemos nos acomodar com nossos poetas preferidos. Não podemos nos transformar em velhos sisudos e rabugentos que ficam relendo livros e autores e dizendo no-meu-tempo-era-melhor. A vida pode ser uma porcaria, mas há poetas. Isso não podemos negar. Aí está a Ivana que não me deixa mentir.



esse eu quero comprar

sexta-feira, março 04, 2005

A última sessão de cinema

Os filmes que ganhariam o Oscar 2005 de melhor filme, se eu fosse Deus e matasse todos os membros da Academia:

Código 46
Excelente ficção científica, de uma sutileza estarrecedora e pior: verossímil. A mais inteligente versão de 1984 (sim, esse filme é uma adaptação de 1984, não duvide). Atores excelentes. Imperdível. Uma pena que poucas pessoas tenham reparado nesse filme.

Mar Adentro
Pelo amor de Deus, não comparem esse filme com Menina de Ouro. Não estou tirando o mérito do grande vencedor do Oscar 2005 com os membros da Academia vivos, mas vejam bem, são duas coisas completamente diferentes. Menina de Ouro conta competentemente uma história. Mar Adentro é um filme poético. Os mais belos momentos de Mar Adentro são aqueles que o filme, o ator, a narrativa ultrapassam a condição de tetraplégico entrevado querendo morrer e mostram como aquele ser humano é capaz, complexo, sensível, inteligente, assim como os seres humanos costumam (ou deveriam) ser. Eu comecei a chorar na cena do vôo e só parei 30 minutos depois que o filme já tinha acabado. Impossível não mencionar: O Javier Bardem é estupendo. Lindo, lindo, lindo e um ator competentíssimo. Sonho de consumo.

Closer
Valeu a pena esperar. Como valeu. Mike Nichols demorou décadas para voltar a filmar, mas filmou com maestria. Perfeito. Diálogos perfeitos, atores perfeitos. O filme tem quatro atores. Só, exclusivamente, quatro rostos o filme inteiro e quando acaba você pede mais. Quatro personagens-protótipos e nenhum, em nenhum momento, caricatural. Não quero ser repetitiva, então vou falar só mais uma vez: perfeito. Dica: se você é mulher e mora em BH, destaque para o personagem de Jude Law. Você reconhecerá facilmente os traços da intrigante personalidade do nosso mais comum tipinho masculino que lotam nossas ruas, barzinhos e boates. Risível.


Olha isso...