quinta-feira, julho 21, 2005

Réquiem para um sonho

Como eu não consigo publicar nada nos comentários do meu próprio blog, respondo ao dr. Omni aqui mesmo:
Omni, coisa de sonho. O quadro era grande, como de um colégio, ocupando toda uma parede e a Zul era exatamente do tamanho dela mesmo. Uma das questões do sonho era exatamente se eu conseguiria entender a letra da Zul. Mas entre os rabiscos que ela fez no quadro era possível ler um 'não'. Psicanalítico isso...

Tive uma idéia brilhante. Vou vender camisetas com uma montagem: a imagem do Che Guevara, com boina de estrelinha e tudo mais, mas o rosto do Saddam Hussein. Vai vender horrores!


pena que eu não tenho os conhecimentos photoshopísticos para tacar a cara do Saddam aí no meio. Ficaria ótimo.

segunda-feira, julho 18, 2005

Festa de família

Como era de se imaginar a Soap Party foi ótima. Marcila Camèlo está de parabéns pelo mega evento e pelos aniversários.

Existe uma possibilidade do senhor meu pai vir nos visitar no próximo fim de semana e ainda trazer o Pedrinho, meu irmão caçula. Eu só acredito vendo.

Sonhei que a Zul (minha gata preta) escrevia alguma coisa em um quadro negro. O objetivo era se fazer entender. Como ela não fala, resolveu escrever. Talvez Freud explique. Talvez não.

segunda-feira, julho 11, 2005

Party Monster

Amigos leitores desse blog:
Para lavar a alma, estejam convidados:

SOAP PARTY
Dia 15.07, sexta-feira - 22h
Showtime - Av. do Contorno, 3849
DJs Barbado, Crowbar, Gota e Marckye
Pocket Show Lady Catuaba
R$ 10,00



Aviso de antemão: Eu vou! E será muito bom!

terça-feira, julho 05, 2005

Psicose

Aí eu até sonhei com a música Every you Every me do Placebo, vocês acreditam??
(No sonho quem cantava era uma versão não tão loura da Dido e a música estava meio folk melosa)

Sucker love is heaven sent
You pucker up, our passion's spent
My heart's a tart, your body's rent
My body's broken, yours is spent
Carve your name into my arm
Instead of stressed i lie here charmed
'Cuz ther's nothing else to do
Every me and every you
Sucker love, a box i choose
No other box i choose to use
Another love i would abuse
No circumstances could excuse
In the shape of things to come
Too much poison come undone
Chorus: 'Cuz there's nothing else to do
Every me and every you
Every me and every you
Every me... he

Sucker love is known to swing
Prone to cling and waste these things
Pucker up for heaven sake
There's never been so much at stake
I serve my head up on a plate
It's only comfort,calling late

'Cuz there's nothing else to do
Every me and every you
Every me and every you
Every me...he
Every me and every you
Every me...he

Like the naked leads the blind
I know i'm selfish,i'm unkind
Sucker love i always find
Someone to bruise and leave behind
All alone in space and time
There's nothing here but what here's mine
Something borrowed,something blue

Every me and every you
Every me ...he
4x



Essa é a Dido. A Sandra, namorada do Zeferino, é a cara dela.

quinta-feira, junho 30, 2005

Uma babá quase perfeita

Depois de tanto tempo, cá estou novamente oferecendo meus sonhos estranhos com situações esquisitas. Essa noite minha vítima foi o dr. Omni diga-se de passagem, o melhor cat sitter que as minhas gatas poderiam ter.

No sonho, estávamos eu e o Kenji indo ao novo apartamento do Lúcio. Mesmo sendo um apartamento, ficava no final de uma longa estrada de terra, no meio do nada, como se fosse uma chácara afastada.

Chegamos e entramos no apartamento que era, inclusive, muito parecido com as primeiras fotos que o Omni postou no blog dele, quando as paredes ainda eram brancas. Estávamos lá para cuidar dos 10 gatos que moram com o Lúcio, porque ele estava viajando.

Para nos explicar como cuidar dos gatos, o Omni havia produzido uma fita de vídeo.
Na gravação tinha a imagem do Lúcio dizendo assim:
- Oi, eu sou o Omni, eu moro aqui e tenho 10 gatos.
Na seqüência do vídeo aparecia uma imagem dos gatinhos andando pelo apartamento, ilustrando a fala dele.
Eu assistia e pensava:
- Gente, que maluquice é essa do Omni de gravar vídeo... Gravar vídeo não é coisa de gente normal...


Vocês acreditam que isso existe? Quero esse livro pra mim.

segunda-feira, junho 27, 2005

Alta Fidelidade

Viu neném, mamãe não prometeu?

Aí estão, novos links!
Atualizados,
Vitaminados,
Visitados diariamente.
Não deixem de conferir, ali ao lado!

sexta-feira, junho 24, 2005

A Roda da Fortuna

Lembrei que uma cena hilária:
O Murilo meio bêbado falando comigo e com o Kenji, num churrasco:
- Vocês não estão vendo? Não estão vendo os fantasmas? Estamos todos aqui, todo mundo namorando...

Pausa 1: Isso já tem pelo menos 5 anos, mas realmente, 99% dos casais presentes a esse churrasco casaram, juntaram, ou continuam se enrolando mutuamente.

Voltando:
- Vocês não conseguem ver os fantasmas que rondam esse lugar?
Nós:
- Fantasmas?
- Os fantasmas dos nossos filhos! Vocês não enxergam que em alguns anos nós vamos nos casar, vamos procriar e os churrascos ficarão lotados de crianças correndo? Olha lá, olha os fantasminhas correndo em volta da mesa!
Aí a Ludmila abriu o bueiro e começou a chorar

Pausa 2: Sim pessoas, eu também choro. Nessa época da minha vida, então, se alguém fizesse Bú pra mim eu abria a boca e chorava dias.


Evidentemente, o Murilo ficou todo sem graça e dizia assim:
- Calma Lud, também não é assim, sem contar que isso ainda vai levar aaaaaanos para acontecer.

Pausa 3: É, demorou. Uns cinco anos mais ou menos.

E até hoje acho que uma pergunta que as três pessoas envolvidas nessa conversa se fazem é por que, raios, eu chorei tanto.
Acho que foi única e exclusivamente porque era verdade. Não que fosse uma verdade ruim, ou assustadora. Apenas tratava-se de uma verdade tão escancaradamente óbvia, que se tornava quase palpável, como fantasmas. O Murilo bêbado (vejam vocês..) criou uma imagem tão certeira que me tocou, e por isso eu chorei.

Lembrei-me disso tudo porque hoje, 24 de junho, dia de São João e do aniversário da minha mãe, nasceu a Carolina, filha da Ju e do Shuruda (Juliana e Gustavo). Outros nenéns nasceram depois dessa conversa, mas talvez a Carolina seja a concretização mais perfeita dos nossos fantasminhas, uma vez que sem Murilo e Cíntia, provavelmente não existiria Ju e Shuruda e conseqüentemente, nada de Carolina. Sem contar que estávamos, todos, nesse mesmo churrasco.

Isso me lembra que há 61 anos atrás nascia a minha mãe e que sem ela não existiria Lud, que proporcionou, para o bem ou para o mal, muitos encontros e desencontros.

Também me lembra que amanhã a minha irmã Luana, que está no alto dos seus 11 anos e acredita que já decifrou o mundo e agora resta apenas devorá-lo, vai estrear no teatro, primeiro passo de um tortuoso caminho para quem deseja ser atriz.

Isso tudo junto me leva a refletir sobre a grande roda que é o mundo (que não é redondo à toa) e o nosso papel em fazer as coisas acontecerem, mudarem, voltarem acontecer um pouco diferentes, cruzar caminhos e proporcionar, inclusive, o surgimento de novas criaturinhas que até outro dia não passavam de fantasmas.

Para que toda essa reflexão? Para nada. Ela surgiu, na verdade, do meu desejo profundo de dizer:
Parabéns mãe, pelo seu aniversário e por tudo que você já me proporcionou, o que é muito, diria tudo, se é que você me entende.
Parabéns Luba*, pela estréia e pela energia de quem ainda vai proporcionar muito, pra muita gente.
Parabéns Ju e Shuruda, por fazer a roda girar.
Parabéns Carolina, por não ser mais uma promessa e seja muito bem-vinda.

*esse é o apelido 'jovem' da minha irmã Luana.

quarta-feira, junho 22, 2005

Star Wars III - A vingança dos Sith

Todo mundo já viu, todo mundo já comentou, mas não consigo apagar as muitas dúvidas existenciais que me perseguem desde que eu o assisti:

De onde o George Lucas tirou que é um bom diretor?

Como uma mente capaz de criar uma história tão interessante, um universo paralelo que encanta o planeta inteiro, obriga bons atores* passarem por aquele mico cinematográfico?
* Sim, porque pelo menos a Natalie Portman, o Ewan Mcgregor e o Samuel L Jackson já provaram em outras oportunidades que são bons atores

Como gastar uma fortuna em efeitos especiais e não conseguir uma barriga de grávida falsa convincente?

Para que preocupar-se tanto em manter a coerência com o episódio IV se, dentro do filme, não há coerência nenhuma?

Por que o Anaquin Skywalker tem um cabelo tão feio e ensebado?

Será que o George Lucas nunca leu nenhum daqueles livros bacanas, escritos após a primeira-segunda trilogia, que aprofundam a visão do Darth Vader e o consideram um monstro burocrata, o vilão que utiliza a violência de forma técnica, profissional e por isso perde a sua humanidade?

Se leu, porque não utilizou? Por que fez um Darth Vader tão superficial?

Por que gastei meu rico dinheirinho assistindo Star Wars?

Ah, essa eu sei responder! Porque se eu não assistisse, não poderia ter tantas dúvidas. Se eu não tivesse tantas dúvidas o que eu faria na mesa de buteco? De que vale uma mesa de buteco se você não tem questionamentos pertinentes para fazer a si mesmo?


Haja força para segurar esse filme

segunda-feira, junho 20, 2005

Batman Begins

A cena:
O Coringa no telhado de um Prédio e o Batman no telhado do prédio ao lado com uma lanterna. O Batman propõe ao Coringa:
Vou acender a lanterna e você atravessa pelo feixe de luz.
Você acha que eu sou louco? Responde o Coringa.
Por quê? Pergunta o Batman
Porque você pode desligar a lanterna a hora que quiser.

Não, essa cena não está no Batman Begins. É de um quadrinho que eu li há séculos, Piada Mortal (como bem lembrou o Kenji).
Acontece que depois de ver Batman Begins esse quadrinho não saiu mais da minha cabeça. Porque ele, para mim, é a essência do Batman, a explicação de porquê eu gosto do homem morcego. O Batman é o dark side, a raiva, o medo, a dúvida, a angústia, a vingança, a loucura, tudo aquilo que só nos atrapalha e não dá certo na vida real, transformado em herói-vingador que luta pelo bem e pela justiça e derrota as forças do mal. Se o Batman vinga alguma coisa, é a nossa insatisfação com a imperfeição humana. Ele redime todos nós que estamos muito longe de sermos perfeitos e ainda usamos nossos defeitos como motivação.

Batman Begins respeita tudo isso. Finalmente, um filme que considera o que o Batman é, para quem o leu. Poço, pérolas, Arkam, retratos, revólveres, está tudo lá, no lugar certinho (se você não entendeu o que eu quis dizer, você não leu os quadrinhos certos). Diretor e atores à altura: Gary Oldman, Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, até o Rutger Hauer, estão todos excelentes.

A mesma importância que O Cavaleiro das Trevas do Frank Miller teve ao reinventar o Batman nos quadrinhos, terá Batman Begins por levar ao cinema, com honestidade e competência, o universo, a estética e as implicações que povoam a cabeça dos batmaníacos.

quinta-feira, junho 16, 2005

O maior espetáculo da terra

Falando em Brasília....
Que tristeza, hein? Em que nível chegamos? A postura, a linguagem, os trejeitos, a interpretação, tudo tão típico de bandido, aquele ar de cafa... que tristeza... deputado federal, pôxa, podia ter ao menos decência, compostura...

Eu me sinto responsável, sabe? Eu olho e penso: como nós deixamos chegar onde chegou? Como eu deixei? Será que pra mudar tem que ser na base da revolução mesmo? Será que não é possível realizar melhorias reais, profundas, nesse país utilizando as próprias instituições democráticas e melhorá-las? Será que o único caminho possível é a ruptura completa? Eu olho para o Congresso Nacional, eleito pelo mesmo povo que elegeu o Lula, e essas dúvidas surgem....


A pinta da figura. Não é um energúmeno??

terça-feira, junho 14, 2005

Mamãe é de Morte

Querido blog,

Sei que não tenho sido muito assídua e isso o deixa magoado. Não tiro sua razão. Muitas vezes a correria, as falsas prioridades, não permitem que nos dediquemos ao que realmente importa.
Mas ainda é possível salvar nossa relação, eu quero acreditar nisso! Não vamos esquecer todos os nossos momentos, dos mais bonitos aos mais difíceis, a cumplicidade, os sonhos compartilhados.
De hoje em diante, eu prometo, terei novidades pelo menos a cada dois dias, divulgarei para os amigos que reatamos, atualizarei os links e colocarei novos. Nós voltaremos a ter comentários, eu prometo a você!
Então enxugue suas lágrimas e sorria para a mamãe.

Com amor,

Lud


quarta-feira, maio 11, 2005

Dogville

Leiam! Leiam! Leiam!

Uma cúpula irrelevante?

Se não pelo conteúdo, excelente na minha opinião, porém não necessariamente na sua, pelo menos pela possibilidade de conhecer, uma única vez, tão rara, tão escassa, opinião contrastante a unanimidade da mídia brasileira.

Aliás, as unanimidades nunca, na história do mundo, foram tão burras como são hoje.

sexta-feira, maio 06, 2005

Orlando

Às vezes o tempo engana.

A velocidade é tanta que aguardar algumas horas, qualquer coisa, é insuportável. O mês já passou, mas não chega a porra do dia 6, o cabelo não cresce, o remédio não acaba, não tem pão fresquinho. Fresquinho, daqui a 5 minutos? Ah, vai pra puta que...

Aí não tem blog, não tem cerveja, não tem papo jogado fora, não tem à toa.
Do que vale uma festa se não discorremos sobre ela?

quarta-feira, abril 06, 2005

Hero

Lindíssimo filme de Kung Fu.
Ouvi várias pessoas comentando que o filme era maravilhoso esteticamente mas não sabiam se haviam gostado ou não. Acho que é por causa da estrutura narrativa, muito oriental. Sabe o que me pareceu? Um daqueles filmes de Kung Fu super tradicionais que passam na Band terça à noite, só que com uma produção riquíssima.
Bom, eu gosto dos filmes de Kung Fu que passam na Band. Eu gosto de ver o Jet Li fazendo papel de herói inverossímil e sem fala. Ele fez isso a vida inteira, oras!
Depois de O Tigre e o Dragão e Kill Bill, finalmente foi possível realizar um filme que incorpora de vez a estética e a narrativa chinesas de filmes de Kung Fu. O tigre e o Dragão ainda traz referências, quer dizer, ainda explica muita coisa para que o público ocidental não fiquem completamente perdido, sem noção de o que está acontecendo.
Herói não, ele é um tradicional filme chinês de Kung Fu do início ao fim, sem concessões.
Aí vem tanto chororô, diálogos inacreditáveis (para um ocidental), aquelas regras absurdas (para um ocidental) de honra que definem quem tem que lutar com quem ou matar quem ou morrer e porquê. E os nomes? E a falta deles? A música, a caligrafia, o soberano decifrando o enigma-do-ideograma-espada, tudo isso é muito filme chinês de Kung Fu que passa na Band! Uma mistura de filme de ação, com filosofia de pastelzinho da sorte, pitadas de budismo e uma história que, pelo menos para nós, que nascemos do lado de cá do planeta, não faz muito sentido. Pense bem, como é possível não achar essa miscelânea divertida?!
Agora quero ver o Clã das Adagas Voadoras para me certificar que filmes chineses de Kung Fu com grandes orçamentos estão na moda e irão nos divertir por algumas temporadas. Eu vou ver todos.


meu personagem preferido foi o moço ali da direita

terça-feira, março 29, 2005

Laços de Família

Por essas coisas da vida, ontem eu estava com o atestado de óbito da minha avó paterna, Dona Josepha. Descobri, então, que tive um bisavô chamado Cornélio Alves de Oliveira e que minha bisavó chamava-se Balbina Pereira da Silva, tadinha.
Dona Josepha morreu de um AVC (acidente vascular cerebral) hemorrágico causado por arterioesclerose e hipertensão, em casa, no dia dois de março, há quase trinta anos atrás. Era diabética, assim como é meu pai hoje.
A avozinha deixou seu segundo marido, o vô Clementino, mas quando morreu já era viúva do verdadeiro pai do meu pai. Seu nome era José Alves Silva. José Alves Silva. Existe nome mais genérico do que José Alves Silva? Tem sim, o nome de solteira da minha avó materna: Maria José da Silva.
Dona Josepha, Seu Cornélio, Dona Balbina, Seu Quelé, Dona Maria ou Dona Zezé, Seu Zé.
Minha ascendência é o povo brasileiro.


Foto de Sebastião Salgado

quinta-feira, março 24, 2005

Reds

"tudo o que nasce traz dentro de si o germe de sua própria destruição"

A dialética citação foi retirada do artigo Anacondas Municipais - Vitória das forças populares de Mylton Severiano publicado na revista Caros Amigos.

quinta-feira, março 17, 2005

Constantine

Eu não diria que o filme é ruim, mas bom ele também não é.

O ritmo e o suspense são bons, eu senti mêda (como diz o dr. Omni) mas eu sinto mêda fácil. Também é legal como o filme trabalha nossos medos infantis incutidos pela igreja católica do tipo: não faça isso porque Deus castiga ou você vai para o inferno se tentar aquilo.

De resto, sobra um amontoado de clichês vindos de um amontoado de outros filmes do gênero ação/terror/ficção. Eu poderia descrever exatamente as cenas "inspiradas" em outros filmes, mas perderia a graça para quem ainda não assistiu.

Vou, portanto, apenas citar os filmes dos quais, em algum momento, me lembrei durante a sessão de Constantine:

Matrix - essa referência é óbvia, então posso comentar. Não agüento mais ver Keanu Reeves no papel de o-último-serenata-de-amor-da-caixa-de-bombons-Garoto, ou de a-última-esperança-da-humanidade, ou de o-último-cigarro-do-último-maço-da-ilha-deserta, sabe como?

Além dele, o filme lembra em alguns momentos:
O Grito (mas O chamado também serve);
X-Men;
Alien;
Anjos Rebeldes;
A Múmia (e dessa vez não é por causa da mocinha)
Advogado do Diabo.

Essas são referências diretas, sem contar, é claro, os chavões genéricos: padres, estudiosos religiosos, profecias, textos em sânscrito, blá, blá, blá...

Mudo completamente de assunto para fazer uma pergunta, aos meus amigos que fumam, de cunho filosófico-butequístico ainda influenciada pelo Jim Jarmush:

Você fumaria o último-cigarro-do-último-maço-da-ilha-deserta??

quarta-feira, março 16, 2005

The Majestic

Coffee and Cigarrettes
Excelente! Melhor ainda para quem já conhece o estilo e o humor do Jim Jarmush. Aliás o filme é fidelíssimo ao seu estilo. Muito provavelmente porque ele se sentiu mais à vontade na hora de filmar os curtas. São 11 historinhas. A última é linda. Por que esses diretores sempre deixam o melhor para o final?

Barravento
Finalmente assisti o primeiro longa do Glauber Rocha. Lembra um documentário antropológico. Nos primeiros 10 minutos de filme tem roda de samba ancestral (com direito até a umbigadas) luta de capoeira e candomblé.
A história é interessante e já são bem perceptíveis as maluquices do Glauber, mesmo sendo esse um filme mais careta, por exemplo, que Cabeças Cortadas ou A idade da Terra. Eu não acho isso necessariamente ruim, nem bom. Gosto do Glauber do qualquer jeito, mais ou menos comedido, não importa.
Destaque para o personagem Firmino, vivido pelo Antônio Pitanga novinho e muito bonito. Firmino auto-intitula-se um "agente subversivo". O detalhe é que se trata de uma vila de pescadores, onde todo mundo é paupérrimo e, como o mesmo personagem diz, "analfabeto". De onde que o Firmino tirou o agente subversivo dele é que eu não sei. Quer dizer, sei: são as maluquices do Glauber.


cena de Barravento

segunda-feira, março 14, 2005

O pagador de promessa

Filmes que quero assistir em breve e pretendo comentar nesse blog:

Coffee and Cigarettes - Jim Jarmush.
Imperdível. Eu e Kenji devemos assistir ainda hoje. Eu só não sei se é um bom filme para assistir depois de 20 dias sem cigarro....sinta a força em você, Ludmila-san...

Constantine
Não é só porque eu gosto de heróis de revistas em quadrinhos. Mas também.
Não é só porque tem o Keanu Reeves. Mas também.
Não é só porque de vez em quando eu quero assistir a um filme que não use toda minha capacidade intelectual. Mas também.

Hora de voltar
Parece que infelizmente não estreou na minha roceira Belo Horizonte. Verei assim que sair.
Eu não daria um centavo por aquele rapaz da série Scrubs da Sony, ator-diretor-roteirista do filme, mas o Max indicou e as aparências enganam (na maioria das vezes, felizmente).

Acho que Sideways e Em Busca da Terra do Nunca ficaram para o DVD....


um dos curtas que compõem o "coffee and cigarttes" do Jarmush. Esse inclusive eu vi, na sala Humberto Mauro.

quarta-feira, março 09, 2005

Marnie, Confissões de Uma Ladra

Na minha adolescência, quando estava descobrindo poemas e poetas, confundia o Dalton Trevisan com o Lauro Trevisan.

Sim, eu tenho muita vergonha de assumir isso assim, em público, mas é verdade.

Depois de um tempo, até pelas críticas, descobri que eram duas pessoas diferentes, mas já estava naquela fase de hum... um dia compro um livro do Dalton pra conhecer... mas sempre voltava para casa com um Drumond ou Quintana básicos. Puro medo de arriscar.

Semana passada finalmente, li um livreto do Dalton Trevisan. Que porrada eu levei. Primeiro porque eu me toquei que nunca havia lido antes. Sofri. Trinta e um anos nas costas, vividos sem Dalton Trevisan, sem a sua síntese. Um homem e uma poesia, sintéticos. Segundo porque é impossível lê-lo sem tomar muita porrada. Porrada mesmo, física, quase jorrou sangue do meu supercílio no quinto poemeto de quatro linhas.

Assustada, a velha pula da cadeira, se debruça na cama:
- João. Fale comigo, João.
Geme fundo, abre o olhinho vazio, um palavrão:
- Bruuuxa... Diaaaba...
- Ai, que susto. Graças à Deus.

Tristeza é ver florindo o vasinho de violeta no quarto da filha morta.


Mais uma vez por acaso, rebugenta pelo dia internacional da mulher, que eu acho uma boçalidade sem tamanho, me deparo no site paralelos.org
com um mulher chamada Ivana Arruda Leite que escreve textos maravilhosos e que eu nunca tinha ouvido falar. Li tudo que eu encontrei na internet dela, no blog, num outro site literário, se encontrar mais eu leio e vou comprar os livros. Vejam isso:

A CAIXA VAZIA

Afogados neste aquário, Ofélia e eu andamos de um lado pro outro entre bibelôs, panelas, artigos de limpeza, calcinha pendurada no box. O que é o casamento senão uma caixa vazia com tudo dentro?
Na churrasqueira, um marido girando no espeto enquanto a mulher vai ao forno com tomate na boca. Por sorte mantiveram-me a certa distância da brasa. Ofélia fica linda com esta peruca de fios de ovos.
- Me empresta seus óculos - ela pede ? minha vista tem piorado muito nos últimos tempos. Quando subir me leve um copo d?água, mas não acenda a luz, por favor.
Vinte anos tentando achar o pijama no escuro.
- Trouxe a água?
Quando eu me deitar, a Princesa ganirá. A cadela insiste em deitar no meu lugar. Tento me encaixar sem esmagar suas frágeis patinhas.
A mesa de jantar foi presente de um tio.
- Entre as cabeceiras haverá um monte de filhos ? profetizou.
O mais velho apareceu-me embrulhado num cobertor:
- É um menino!
A segunda passou anos martelando no piano a mesma lição, até que trocou o instrumento por uma bicicleta. De vez em quando me liga a cobrar dos Estados Unidos.
O terceiro nasceu doentinho. Nem eu nem Ofélia tivemos coragem de jogá-lo escada a baixo. Hoje está ai, de barba na cara, querendo casar.
Os prepúcios que enterramos no jardim viraram árvores frondosas. Uma nuvem de mariposas circunda o pau dos meus meninos. Algum dinheiro sempre some da minha carteira, mas nada que os desabone. Na mesa da cozinha tem sempre um fazendo o dever de casa: ca co cu. Para que tanto filho, meu Deus?
No púbis das meninas, uma penugem rala ao redor da rosa cor de sangue. Como sangram essas meninas!
- Não mexa no botão da rosa.
Com dedos engordurados, desmancho o frango pelas juntas. Deus também desfaria a criação se previsse o resultado.
- Quando subir não esqueça de me trazer um copo d?água. Quando descer apague a luz. Quando sair bata a porta. Quando entrar limpe os pés. Quando arrotar peça desculpas. Quando mijar levante a tampa da privada. Quando trepar goze. Quando gozar, gema, bem molinha pra comer com pão.
Abro a porta da garagem e tiro o carro em ponto morto. Se Ofélia acordar, vai querer saber aonde estou indo. Eu lhe direi que vou devolver o filme à locadora. Duvido que ela entenda a metáfora. Amanhã me encontram numa rua deserta com uma bala na cabeça. Estou levando os meus óculos. Sem eles, Ofélia não lerá uma palavra do bilhete que deixei sobre o criado-mudo.


Moral da história: não devemos nos acomodar com nossos poetas preferidos. Não podemos nos transformar em velhos sisudos e rabugentos que ficam relendo livros e autores e dizendo no-meu-tempo-era-melhor. A vida pode ser uma porcaria, mas há poetas. Isso não podemos negar. Aí está a Ivana que não me deixa mentir.



esse eu quero comprar

sexta-feira, março 04, 2005

A última sessão de cinema

Os filmes que ganhariam o Oscar 2005 de melhor filme, se eu fosse Deus e matasse todos os membros da Academia:

Código 46
Excelente ficção científica, de uma sutileza estarrecedora e pior: verossímil. A mais inteligente versão de 1984 (sim, esse filme é uma adaptação de 1984, não duvide). Atores excelentes. Imperdível. Uma pena que poucas pessoas tenham reparado nesse filme.

Mar Adentro
Pelo amor de Deus, não comparem esse filme com Menina de Ouro. Não estou tirando o mérito do grande vencedor do Oscar 2005 com os membros da Academia vivos, mas vejam bem, são duas coisas completamente diferentes. Menina de Ouro conta competentemente uma história. Mar Adentro é um filme poético. Os mais belos momentos de Mar Adentro são aqueles que o filme, o ator, a narrativa ultrapassam a condição de tetraplégico entrevado querendo morrer e mostram como aquele ser humano é capaz, complexo, sensível, inteligente, assim como os seres humanos costumam (ou deveriam) ser. Eu comecei a chorar na cena do vôo e só parei 30 minutos depois que o filme já tinha acabado. Impossível não mencionar: O Javier Bardem é estupendo. Lindo, lindo, lindo e um ator competentíssimo. Sonho de consumo.

Closer
Valeu a pena esperar. Como valeu. Mike Nichols demorou décadas para voltar a filmar, mas filmou com maestria. Perfeito. Diálogos perfeitos, atores perfeitos. O filme tem quatro atores. Só, exclusivamente, quatro rostos o filme inteiro e quando acaba você pede mais. Quatro personagens-protótipos e nenhum, em nenhum momento, caricatural. Não quero ser repetitiva, então vou falar só mais uma vez: perfeito. Dica: se você é mulher e mora em BH, destaque para o personagem de Jude Law. Você reconhecerá facilmente os traços da intrigante personalidade do nosso mais comum tipinho masculino que lotam nossas ruas, barzinhos e boates. Risível.


Olha isso...

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Que viva México!

Finalmente terminei o segundo volume do livro Memórias de Fogo - As Caras e as Máscaras de Eduardo Galeano. Não vou negar que fui obrigada a parar em determinada altura da leitura simplesmente porque não agüentava tanto sofrimento, tanta injustiça.

Gostaria de deixar claro, entretanto, que se trata de um livro belíssimo. Parece que o Mário Quintana incorporou o espírito do Florestan Fernandes e escreveu o livro. Quer dizer, Eduardo Galeano é acima de tudo um poeta, enriquecido com muito conhecimento histórico e uma pesquisa impecável. Cada historieta/poema traz a referência dos documentos pesquisados.

Recomendo para fortes e irresignáveis.



Galeano: poeta inconformado


terça-feira, janeiro 25, 2005

Jornada nas Estrelas: Dívida de Honra


O Livro:

O Sapo e o Príncipe: personagens e fábulas do Brasil contemporâneo.
Paulo Markun
Editora Objetiva

Acabei de ler. É muito importante obras que apresentem bons panoramas e esse é caso. Ou seja, se você não tem idéia de como o Lula e o FHC chegaram à presidência, se você não tem noção do passado de nenhum dos dois, esse livro é perfeito. Bem escrito, jornalisticamente impecável.

Agora, isso não significa que não tenha pontos fracos. Um deles é a utilização da imprensa como fonte recorrente. Não nego que é um trabalho hercúleo ficar lendo jornal velho, mas às vezes isso não basta. Acaba que a versão do livro fica sendo aquela que foi para os jornais e essa, convenhamos, a gente já ouviu falar. Resta um certo gostinho de chapa branca na boca após a leitura. Por outro lado, essa é a função do jornalista: ele conta, as conclusões ficam para o leitor.

Também discordei quando o autor diz que a participação do Lula na Constituinte foi inexpressiva. Acho que isso foi realmente uma infelicidade do livro. Tudo bem que o Lula declarou não ter gostado da experiência de legislador. Daí vai uma distância enorme entre fazer direito e fazer com prazer. A Assembléia Constituinte teve no Lula um dos mais atuantes e influentes parlamentares. Tanto que a Constituição de 1988 recebe críticas, até hoje, de ser avançadinha demais para o Brasil e a bancada progressista foi claramente liderada pelo nosso atual presidente, contra o que foi conhecido à época como Centrão.

Mas tirando essa única discordância tiro meu chapéu para o Markun e recomendo a leitura, principalmente para os mais novos que ainda não eram nem projeto de gente quando toda essa história se desenrolou.


A Pizza:


Aqui em BH até que temos boas pizzarias. Eu, particularmente, gosto muito da Più e da Olegário. Acontece que nesse fim de semana resolvemos experimentar a Especiale, que fica ali na Fernandes Tourinho. A pizza salgada é muito boa, mas as outras não ficam nada atrás. Veneno mesmo é a sobremesa: pizza de nutella (aquela mistura de chocolate com avelã que recheia bombons tipo o Ferrero Rocher). Digamos que a pizza de nutella está para as demais pizzas de chocolate como o haxixe está para a canabis: dá muito, muito mais barato. Só ficaria melhor se tivesse uma bola de sorvete de creme, para refrescar. Acho que eles não colocaram exatamente para não cortar o efeito e você sentir o chocolate inundando as suas veias. Um excesso!

Nota 10 também para o atendimento. Todo mundo é simpático e sorridente. Eu tenho uma teoria: você só reconhece o bom atendimento quando chega maltrapilho ao estabelecimento. Se você recebe o mesmo atendimento de camisa puída e chinelo de dedo, branco e sujo, que a patricinha com um colar gigante com 37.084 pérolas falsas e que o estrangeiro das mesas ao lado, está aí um bom lugar para voltar.


A caricatura é do site www.republicapizzabar.com.br, uma pizzaria de Campinas. Se a pizza for gostosa como as caricaturas são engraçadas, vale uma visita.


segunda-feira, janeiro 24, 2005

Quem tem medo de Virgínia Woolf??

Encontrei assunto para esse abandonado blog e agora pretendo esgotá-lo. Vamos lá.


Mulher Gato (DVD)

Não assista. Você não viu no cinema? Sorte sua, não pegue nem em DVD. O filme é todo ruim. A edição é ruim, os efeitos especiais são ruins, a fotografia é ruim. O único vilão respeitável do filme é o diretor. Ele não soube diferenciar a Mulher-Gato da Mulher-Lagartixa. Quase um crime. Além disso o enredo é ridículo e a direção de atores é péssima. Aliás, acredito que a Halle Barry nem tenha tanta culpa, foi mal dirigida mesmo. Por outro lado, bons atores costumam ser bons atores, mesmo mal dirigidos. Bem, o que eu estou querendo dizer com toda essa insistência? Simples: não assista.


Dirty Dancing (Telecine Emotion)

Um verdadeiro clássico da cinematografia mundial, não é mesmo? Ironias à parte, rever o filme foi interessante.
Eu tenho uma teoria sobre o seu sucesso: ele tem, intencionalmente, o objetivo de alavancar a auto-estima da mulher, ou melhor, das mocinhas adolescentes. Como?

Estratégia 1: A mocinha do filme é feia. Ela tem um nariz gigante, quase não tem boca e seu cabelo é ruim. Pronto: ela é exatamente como nós, pelo menos em algum defeito.

Estratégia 2: Coloque o Patrick Swayze para dizer ao seu ouvido: ó, tadinho de mim, eu sou pobre, ignorante, e aquelas mulheres malvadas abusam do meu corpão. Você cuida de mim? Ok, ok, nem a Hannah Arendt resistiria....

Estratégia 3: A mocinha dá pro mocinho e naaaaada de ruim acontece. O que eu quero dizer: ela assume a relação e encara o pai. Ela tem força moral, para dizer, é, dei mesmo, e daí? Antes ser honesta do que virgem! Ela é inteligente! Convenhamos, isso foge do padrão hollywoodiano e encanta qualquer mocinha sonhadora com mais de dois neurônios. Sem contar que hoje, em 2005, nos Estado Unidos falso-moralista do Bush, isso tudo é quase ofensa.

Estratégia 4: Coloque tudo no liquidificador e tempere com músicas/danças sensuais e uma mela-cueca grudenta:
Now I've had the time of my life
No I never felt like this before
Yes, I swear it's the truth
And I owe it all to you


Voilá! Um sucesso tremendo e uma pitada de feminismo de buteco que não faz mal a ninguém!


A sem-gracinha conquista o bonitão por meio de sua inteligência e sentido ético: é, não se fazem mais filmes como antigamente...

Amanhã (ou em um futuro próximo): Livro e pizza.



quinta-feira, janeiro 20, 2005

Férias do Barulho

Apêndice ao post abaixo

Livros

Cabeças Trocadas - Thomas Mann
Novela adaptada de uma lenda indiana. Começa com o velho papo: dois amigos, uma moça bonita e gostosa, um é inteligente e fraco, o outro é forte e meio burrinho, essas coisas.
O bacana é que a história que se desenvolve desse início padrão foge bastante do lugar comum. Principalmente a discussão que faz sobre a relação entre cabeça e corpo (ou razão e paixão, ou intelecto e sensualidade ou apolíneo e dionisíaco) e como cada uma das partes influencia a outra.
Ainda melhor é o desfecho da trama, quando fica claro que toda essa disputa entre os dois homens (que representam, no fundo, os dois componentes básicos de ser humano: corpo e cabeça) está totalmente subjugada a um terceiro elemento: o desejo do outro, ou no caso, outra, a mocinha gostosa!. Resumindo: nem a razão, nem a natureza, são soberanas quando uma mulher encasqueta com uma coisa! Ahá!



segunda-feira, janeiro 17, 2005

Comer, Beber, Viver

Saldo de Férias

Filmes

Harry Potter e o prisioneiro de Askaban (DVD)
Quem falou que esse filme era um Harry Potter diferente, mais sombrio, etc? Né não, igualzinho os outros com uma fotografia um pouquinho diferente... Diversão garantida, porém sem pretensões...

O Encontro (DVD)
Com a Cristina Ricci anoréxica. Legalzinho, mas sem brilhantismos. Um suspense normal.

O Enviado (DVD)
Filme debilóide sobre um menino clonado. Cachorro morto, não vou nem chutar.


Moça com brinco de pérola (DVD)

Sensível, bonito até doer, uma fotografia super bacana, atores excelentes, inclusive a esposa e a sogra que ninguém fala delas. Aprovado.


Mulheres Perfeitas (DVD)

É comédia, dirigida pelo Frank Oz, portanto, como diz o Kenji, "filme pra criança" com toques de humor negro. Mas tem seus bons momentos. Para assistir comendo pipoca.

Do outro lado da rua (VHS)

Talvez o melhor da lista. O ritmo é lento, mas faz sentido. É um filme com cara de suspense mas no fundo é uma delicada narrativa sobre solidão e terceira idade. A Fernanda Montenegro e o Raul Cortez dão um banho, mas ninguém espera menos que isso, portanto, as cenas, a direção sutil e os diálogos são o filé. Recomendo.

O Grito (cinemão)
Você gosta de terror japonês? Você quer levar muitos sustos? Então vá ver. Não espere nada além disso, mas para mim, particularmente, já é muito. Um aspecto legal: não tem um final estúpido, o que tem que ser, será, sem condescendências hollywoodianas. Ponto para o diretor japonês.


Party Monster (DVD)

Nas primeiras cenas pensei: Ih, mas um filme de bichinhas afetadas... Não é. Com o desenvolvimento da história vai ficando melhor, melhor, melhor, até chegar no máximo que são as últimas cenas. Destaque para a cena da banheira e para a do ratão (quem viu entendeu, quem não viu, vá ver para entender).

Gastronomia

Galeteria
Shopping Jardins. Um PF executivo mas muito, muito gostoso. Eu gosto do galeto com salada, mas segundo o Kenji, a picanha também é muito boa. Também gosto do clima, porque ele não fica dentro do Shopping, mas no jardim mesmo. Ideal para dias quentes.

Graciliano
Lembra São Paulo. Fui no Belvedere. Não digo que é barato, mas não é absurdamente caro como a cara e o público podem demonstrar. A comida é bem feita, sem economias porcas, sashimis feitos com enormes filés de salmão. Ainda tem saladas, massas, carnes, pãezinhos e salgadinhos, tudo uma delícia. A parte de doces é uma tentação, se tiver de regime, por favor, não vá.

República do Jambreiro
Disparado o melhor. Cogumelos, muitos cogumelos, um ambiente delicioso, toca-discos cheios de vinis de bossa-nova, esculturas de metal na entrada, chef simpático, artista plástico, elegantérrimo o negócio. E não duvidem: a melhor pedida de sobremesa é a compota de cogumelos com sorvete de creme. Eca! Cogumelo doce? É, cogumelo doce, uma delícia. Na entrada de Nova Lima, vale a pena reservar. Toda quarta tem rodízio de Cogumelos (Cogumelança) e eu já estou doida para voltar. Vamos?

Jay Rama
Vale a pena citar a clássica feijoada vegetariana do Jay Rama, sexta e sábado, na Getúlio Vargas, pertinho do McDonalds (irônico, não?). R$ 9,00 com direito a caipirinha.

Chico do Peixe
O melhor Peroá de BH. E com uma grande vantagem: sem frescura! Gaste R$ 15,00 e coma até enfartar. Um galpão lá no bairro Concórdia (eu acho que é esse, mas posso estar redondamente enganada), butecão com direito a todas as marcas de cerveja, menino passeando pelas mesas, famílias inteiras e aquele ar de ô lá em casa.

Quebradeira

HITS
Por que as pessoas continuam freqüentando a Obra?? Porque só lá você pode se divertir e ouvir música de primeira do início ao fim da noite. Hits da Obra ainda é o que há, mesmo com o calor que fez no sábado.





segunda-feira, janeiro 03, 2005

Bar Esperança

Entrei no esquema e caí na bobagem de fazer as intermináveis, mas indispensáveis
Promessas para 2005:

Tirar carteira de motorista.

Malhar.

Manter contatos com meus amigos legais, gente-fina e descolados.

Aprofundar o contato com meus novos amigos legais, gente-fina e descolados que conheci em 2004.

Não perder o contato com os velhos amigos legais, gente-fina e descolados que ressurgiram em 2004 (bendito Orkut!)

Aprender a tocar decentemente pelo menos uma musiquinha na minha gaita hohner em lá.

Estudar.

E principalmente: não me deixar abater! Porque:
Eu acredito na foto, não há bem que sempre dure, não há mal que não se acabe e, como todos sabem, a fila tem que andar!

2005 porreta pra todos nós!




quarta-feira, dezembro 29, 2004

Dying Young

Eu já quis ser a Susan Sontag quando crescesse.



* 16-01-1933
+ 28-12-2004

Trechos de uma entrevista:

Devo dizer que não sou contra metáforas. Mas venho me dedicando há muito tempo a dizer "isto é o que é, não alguma outra coisa". Desde meus escritos de quando tinha 20 anos até hoje me guio pelo interesse de mostrar as coisas como elas são. Assim é mais fácil entendermos melhor a vida. Não sou contra a metáfora na poesia, claro, mas essa figura de linguagem é muito poderosa e pode servir para demagogia e mistificação. Se você for para os EUA hoje não vai ver guerra alguma, só um país mais repressivo. Antes havia o "império do mal", a União Soviética. Depois eles se suicidaram. Por 20 anos os EUA não tiveram um "império" contra quem lutar. Agora eles têm novamente. E é um império virtual.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Femme Fatale

Acho importante dividir os momentos importantes da nossa vida com os amigos.
Acredito que divulgando minhas experiências posso auxiliar outras pessoas a procurar ajuda.
Por essa razão tenho a honra de dizer a todos:
Eu estou há 1 ano sem TPM!! E isso é muito bom!

Pode parecer marketing, mas não é: procure seu médico. ;-)




quarta-feira, dezembro 22, 2004

Minority Report

Vamos falar sobre gatos. Ontem a Zul passou a noite no hospital. O objetivo era fazer uma limpeza decente no ouvido dela, já que ela não nos permitiu fazê-lo em casa. Para tanto, o atual veterinário, já é o terceiro, precisou sedá-la.

Aliás, esse veterinário tem um comportamento diferente dos outros dois. Ele me parece mais prático. Só não sei se isso é bom ou ruim.

O que vocês, meus amigos que têm gatos, gostam de gatos e entendem de gatos, acham??

È melhor um veterinário mais pragmático, que não tem pudores em sedar para examinar, cobra caro e cuida de bicho de rico, mas tem apresentado resultados,

OU

Um veterinário mais 'humano', mais barato, ligado às causas dos bichos, como adoção, e utilização de exames menos estressantes (leia-se: se não der, não encoste), tratamentos alternativos como floral, e que até hoje, de fato, não fez nenhuma bobagem mas também não resolveu o problema?




terça-feira, dezembro 21, 2004

With A Little Help From My Friends

Ainda sem palavras para descrever como o fim de semana foi bom.
Ainda sem tempo para atualizar esse blog decentemente.
Ainda tem showzim do Max & Kenji essa quinta.
Ainda curtindo as coisas boas de 2004.




quinta-feira, dezembro 16, 2004



Eu não sou muito chegada a músicas românticas, mas dessa eu realmente gosto.

Universally Speaking

I saw your face
Elegant and tired
Cut up from the chase
Still I so admired
Bloodshot your smile
Delicate and wild
Give me she wolf style
Rip right thru me

Silveretta the jets of a lifetime
Go and get her I've got her on my mind
Nothing better the feeling is so fine
Simply put I saw your love stream flow

Come on baby 'cos cause there's no name for
Give it up and I got what I came for
Universally speaking
Take it back and you make me nervous
Nothing better than love and service
Universally speaking
I win in the long run

I saw your crime
Dying to get high
Two of a kind
Beat all hands tonight

Silveretta the jets of a lifetime
Go and get her I've got her on my mind
Nothing better the feeling is so fine
Simply put I saw your love stream flow

Come on baby 'cos cause there's no name for
Give it up and I got what I came for
Universally speaking
Take it back and you make me nervous
Nothing better than love and service
Universally speaking
I win in the long run

Silveretta the jets of a lifetime
Go and get her I've got her on my mind
Nothing better the feeling is so fine
Simply put I saw your love stream flow

Simply put I saw your love stream flow
Let's go!

Red Hot Chili Peppers; in: By The Way






segunda-feira, dezembro 13, 2004

Brilho eterno de uma mente sem lembrança

Gostaria de avisar que estou me devendo a atualização dos links ao lado. Eu sempre lembro, mas depois sempre esqueço de colocar naquela lista blogs ótimos, que eu sempre visito, mas não estão aí porque eu sou uma cabeça oca. Exemplos: o novo blog da Roberta, o da Lola, o da Lori, o do Omni e o imperdível Idéia de Jerico.
Prometo para breve.

Gêmeos, mórbida semelhança

Esse fim de semana eu tomei cachaça com hortelã no Sapujo e Absinto na Adrianinha.
Existe uma certa semelhança no paladar das duas bebidas, um certo je ne sais quois de Halls, sabe como?
Sinceramente, a cachaça com hortelã deu mais barato. Aliás...
Bem, o fato é que meu relacionamento com essa bebida genuinamente nacional, misturada como nós, está cada vez mais estreito. Viva o povo e a cachaça brasileira!





sexta-feira, dezembro 10, 2004

Z

Negativo. Tudo negativo. Nada de leucemia nem AIDS felina.
Nunca um não foi tão positivo!
A Zul e eu agradecemos imensamente, e de coração, toda torcida positiva dessa semana.
Além de mim, o Kenji e até a Zen, do jeito dela, estamos comemorando os resultados. Agora é continuar com o remedinho para que a caçula da casa fique bem de vez.




quinta-feira, dezembro 09, 2004

O Diário de Bridget Jones 2 ou
Bridget Jones: no limite da razão

Em homenagem ao filme que assisti ontem:

Diga não a mulher bibelô!
Diga não ao homem cristaleira! (aquele que adora exibir a mulher bibelô)
Antes acima do peso do que burra.
Antes bêbada do que hipócrita.
Antes fumante do que fútil.
Antes amante do que patroa.
Antes imperfeita do que falsa. (sim, isso também vale para próteses de silicone)
Antes um cérebro exercitado do que uma bunda durinha.

Momento TPM-radical-xiita para extravasar. Passageiro, mas necessário. ;-)




sexta-feira, dezembro 03, 2004

Fim dos dias

Pronto. Chegou dezembro. Agora é só ladeira abaixo, correria de um lado pro outro, comprar presente, combinar quem traz o chester, quem faz o salpicão. Parece que as formigas atacam os fundos de todas as pessoas que saem correndo e abanando as mãos para cima como loucas.

Bem, entramos no redomoinho.
Esse fim de semana, Santos - Lançamento do CD do Gaita-L V.
11/12 - Despedida do Sapujo e da Sheila que farão companhia ao Mário lá em Manaus.
18/12 - Churrasco Editora Fórum em Lagoa Santa e Lançamento do CD do Gaita-L V durante o Minas Harp, aqui em BH.
24/12 - Véspera de Natal.
31/12 - Véspera do Reveillon.

E que venha 2005.



Meu querido companheiro

Segunda-feira, 1o. de dezembro, dia internacional da luta contra a AIDS, a veterinária levanta a hipótese da minha menina caçula ser soropositiva. O resultado sai na próxima terça-feira e estamos torcendo. Meu coração está desse tamaninho.

Agora, se for positivo, vamos cuidar dela do mesmo jeito. E quer saber? Antes isso. Antes ela ter vindo parar nas mãos de dois doidos que adoram gatos, têm tempo e disposição. Tenho certeza que, diante das possibilidades, ela está ótima, crescendo linda, bagunceira e vai continuar assim.






domingo, novembro 28, 2004

A Missão

Finalmente terminei o primeiro volume de Memória do Fogo, coletânea de relatos históricos recontados e reinventados por Eduardo Galeano sobre a conquista da América. Durante toda a leitura, você se pergunta: Por que eles conseguiram? Como eles foram capazes? Quem permitiu??

Talvez seja essa a resposta:

1691
Placentia

ADARIO, CHEFE DOS ÍNDIOS HURÕES, FALA AO BARÃO DE LAHONTAN, COLONIZADOR FRANCÊS DE TERRANOVA

Não, já bastante miseráveis são os senhores; não imagino como poderiam ser piores. A que espécie de criaturas pertencem os europeus, que classe de homens são? Os europeus que só fazem o bem por obrigação, e não tem outro motivo para evitar o mal que o medo ao castigo...
Quem lhes deu os países que habitam? Com que direito os possuem? Estas terras pertenceram desde sempre aos algonquinos. De verdade, meu irmão, sinto pena de ti do fundo da minha alma. Siga meu conselho e faça-te hurão. Vejo claramente a diferença que há entre a minha condição e à tua. Eu sou meu amo, e o amo da minha condição. Eu sou o amo do meu próprio corpo, disponho de mim, faço o que me dá prazer, sou o primeiro e o último da minha nação, não tenho medo de ninguém e só dependo do Grande Espírito. Em compensação teu corpo e tua alma estão condenados, dependem do grande capitão, o vice-rei dispõe de ti, não tens liberdade de fazer o que te vier a cabeça; vives com medo dos ladrões, das falsas testemunhas, dos assassinos; e deves obediência a uma infinidade de pessoas que estão por cima de ti. É verdade ou não é verdade?
(Eduardo Galeano, Memória do Fogo, Vol. 1 - Os Nascimentos)

Quem sabe, a força-motriz de tanta violência e destruição não foi a inveja?








terça-feira, novembro 23, 2004

A Identidade Bourne

Eu acho muito engraçado quando percebo uma imagem minha formulada pelo outro. Na maioria das vezes não é uma imagem falsa, porém é diferente da que eu mantenho de mim mesma. Por esses dias, isso aconteceu em duas situações.

Na primeira, descobri que, dentro de um determinado universo, eu sou a Ludmila do MST. Explico-me: em função de uma situação, entrei em uma comunidade do ORKUT denominada Anti-MST. Minha intenção ao trocar idéias naquele espaço, não era exatamente defender esse ou aquele movimento, mas no fundo, apresentar a possibilidade àquelas pessoas de manter um diálogo civilizado e racional com outras pessoas que pensam diferente delas.

Aliás, acredito eu, atualmente essa tem sido uma das minhas principais bandeiras: a tolerância. As pessoas podem discordar sem se ofender ou abrir mão de preceitos éticos, morais, sociais e de boa convivência.

Voltando ao ponto. Depois de mais de um mês do ocorrido, algumas pessoas comentaram comigo sobre o fato, como se ele, de certa forma, definisse a minha identidade ideológica.

Isso é muito interessante porque, na verdade, eu não tenho nenhuma relação com o MST, minha simpatia pelo movimento é cercada de reticências, mas o fato é que expondo meus pontos de vista acabei recebendo uma nova identidade. Longe de mim rejeitá-la, confesso que a recebi com estranheza mas também com um certo orgulho.

O segundo caso é que, para minha surpresa, algumas pessoas me consideram uma apreciadora de cachaça. Não é que eu não goste realmente, acontece que agora sou tratada (muito bem, diga-se de passagem), como uma exímia conhecedora da marvada.

Fui agraciada com duas garrafas esse sábado. Uma diretamente de Florianópolis, presente de um verdadeiro apreciador da bebida. A outra ganhei do Fred, da fazenda do pai dele, ou seja, fabricação própria. Outro interessante detalhe desse fenômeno é que agora, quando me convidam para uma festa, alguém sempre comenta: "olha, vai ter uma cachacinha , da terra do meu avô (ou algo que o valha), você não pode perder, aparece por lá".

Se eu gosto de cachaça? Gosto sim. Se eu entendo? Sinceramente, muito pouco. Por que as pessoas acham que eu entendo do assunto? Não tenho a menor idéia. Tudo bem que eu tenho casos engraçados que envolvem cachaça. Tudo bem que eu já cheguei na Letras & Expressões e a garçonete perguntou: E você Ludmila, o de sempre? E o de sempre era uma dose de Lua Cheia. Isso não significa, entretanto, que eu saiba diferenciar cachaças além de: essa eu gostei e essa eu não gostei. Na verdade, eu entendo é de beber, só isso, e ficava até meio receosa de ficar com fama de bebum, desregrada, e tal. Quem diria que beber cachaça hoje em dia é cult...

Aproveito a oportunidade e aviso aos navegantes que, nesse segundo caso, eu faço fama e deito na cama. Não rejeito, pelo contrário, agradeço todas as garrafas e doses que ganhei e prometo continuar me esforçando para merecer um dia o respeito dos amigos e apreciadores que me presentearam.





segunda-feira, novembro 15, 2004

Todos dizem Eu te amo

Pela terceira vez, serei madrinha de casamento!
Fico muito feliz quando isso acontece.
Primeiro porque considero o convite uma demonstração de afeto dos noivos e segundo porque sempre tive a sorte de "casar" pessoas bacanas.

Sexta é a vez do Edson e da Zaine. Espero que eles sejam muito felizes.




quarta-feira, novembro 10, 2004

Laços de Ternura

Tem dias de sol que a gente acorda completamente cinza.

Tem notícias no jornal que bombardeiam qualquer bom humor.

O Bush vence, o Arafat piora...

Algumas perguntas teimam em continuar sem respostas.

Às vezes, até pessoas bacanas dizem bobagens sem tamanho.

Agora, de vez em quando, pra não ressecar demais, é bom lembrar de algumas palavrinhas como mesmo e assim.

Mesmo assim, a molecada continua crescendo e chegando.

Mesmo assim, sempre há novos amigos para se fazer.

Mesmo assim, sempre há velhos e bons amigos para se reencontrar.

Mesmo assim, namorar é muito bom.

Mesmo assim, depois de um dia trabalhoso, você pode chegar em casa e encontrar abacaxi e melancia na geladeira.

Mesmo assim, já dizia a minha avó, não há bem que sempre dure, não há mal que não se acabe.

Mesmo assim, a gente pode ser meio emotivo, otimista, até ingênuo mesmo, de vez em quando. Faz mal não. Faz bem. Para gente e para os que estão em volta.

Então, um sambinha do Paulinho para mim e para você.
Com votos que ele melhore.

Argumento
Paulinho da Viola

Tá legal
Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não maltrate o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim

Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar

Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Toca o barco devagar.





quinta-feira, novembro 04, 2004

Il Postino

Poema em Linha Reta
Álvaro de Campos

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.




quarta-feira, outubro 27, 2004

Bridget Jones's Diary

Boas

Ontem o jantar no Fred foi ótimo. Pessoas amigas, agradabilíssimas, comida deliciosa, champagne, um luxo.

Exames negativos. Gatinhas saudáveis alegram meu mafuá.

Más

Ficamos presos no elevador e deparei-me com o indizível, o medo agudo, a fobia. Tenho pavor de trancafiamento. Necessito de janelas.

Terei de escolher, para os próximos três ou quatro meses um sapato para usar todos os dias. Hoje meu instrutor soltou-me a pérola:
"Outra sandália, Ludmila?!"





terça-feira, outubro 26, 2004

Comer, Beber, Viver

Carpe diem quam minimum credula postero

aproveita o dia, colha as dádivas do momento, sem confiar no amanhã

Fonte: Coluna O berço da Palavra, por Márcio Cotrim. Jornal Correio Braziliense




sexta-feira, outubro 22, 2004

Terra em Transe

Algumas considerações sobre o recente escândalo Herzog:

Eu, como cidadã brasileira, tenho o direito de saber de quem são aquelas fotos publicadas no jornal Correio Braziliense.

Independente da identidade do retratado, os brasileiros merecem que os fatos sejam investigados a fundo.

Caso trate-se de Vladmir Herzog, então que os arquivos sejam abertos e mais informações desvendadas sobre a repressão durante a ditadura militar. E, por favor, não me venham com essa história de ah, o que passou, passou. Não, não passou não. Ou seria uma excelente idéia, depois de quase 60 anos do fim da II Guerra Mundial esquecermos os campos de concentração? Afinal, são águas passadas, não é mesmo?

Caso as fotos sejam do tal padre canadense Leopoldo D'Aslous então que essa palhaçada, essa falta de respeito com os familiares de Vladimir Herzog e, claro, com esse padre, esse joguinho político, essa barrigada histórica, ou sei lá que tipo de baixeza, seja resolvida e os responsáveis punidos.

Espero que o governo federal dê a devida importância ao caso e que esse país aprenda a respeitar seu passado. A intolerância é filha primogênita da ignorância. A verdade, por mais dolorosa que seja, ainda é a única luz que não nos permite cometer os mesmo erros.

À Clarice Herzog (que, evidentemente, não me conhece nem nunca vai ler esse blog) e seus familiares minha total e irrestrita solidariedade, até porque, de uma maneira ou de outra, eu devo uma a família Herzog.



Feio, né? Eu também acho.


segunda-feira, outubro 18, 2004

Todas as coisas são belas

Modéstia à parte, eu tenho a parede mais bonita de todas.
A parede dos meus sonhos.
Agora, a parede da minha casa. :-)






em breve, tiro uma foto da parede e coloco aqui,
vai ficar mais fácil visualizar... ;-)


quarta-feira, outubro 13, 2004

O Homem nu



Empinei papagaio, conversei com as galinhas, investi em mal traçadas linhas, falei "quede" no lugar de "cadê", estudei, matei aula, roubei jabuticaba do meu próprio pé, tive medo de azedar, tive medo de cair, aceitei-me mentecapta, me chamei de menino, chamei o menino pra brincar, ri de mim, ri dos outros, contei causo, conheci Minas por dentro, por fora e do avesso, troquei cartas, aprontei as piores gafes, vi a lua quadrada, num céu que não era meu, fui peralta e gostei. Tudo, tudo, tudo dentro de seus livros.

Foi ele quem perguntou: será o tabuleiro de damas preto com quadrados brancos, branco com quadrados pretos, ou de outra cor, pintado com quadrados pretos e brancos?
Eu nunca respondi e não tenho a resposta, mas, pelo menos, nunca mais parei de me perguntar sempre: é branco? É preto? Ou é de outra cor escondida?
Isso também, dentro de seus livros.

Morreu menino. Talvez o último, na sua idade, dos meninos da minha cidade.
Eu fui pra debaixo do ipê, chorar, coração, cotovelo e joelhos arranhados, minha última queda de bicicleta.