segunda-feira, maio 03, 2004

Imensidão Azul
ou
Que mistérios tem Clarice
Ou
Para quem entende japonês tão bem quanto eu

Iruka (Golfinho)

irukairuka Há golfinhos?
inaikairuka Não há golfinhos?
inaiinaiiruka Não, não há golfinhos!
itsunarairuka Quando virão os golfinhos?
yorunarairuka Será que virão de noite?
matakitemiruka Os golfinhos voltarão de novo?

irukainaika Há golfinhos?
inaikairuka Não há golfinhos?
iruiruiruka Há, há golfinhos!
ippaiiruka Um monte de golfinhos!
neteiruiruka Os golfinhos estão dormindo!
yumemiteiruka Bons sonhos, golfinhos!

Autor: Shuntarou Tanikawa
Tradução livre: Ricardo Bittencourt
(Domo Arigato Gozaimashita, Ric-San!)





domingo, maio 02, 2004

Eles não usam black-tie

Essa noite sonhei com o Eduardo Galeano. No sonho, ele dizia que quando “As veias abertas da América Latina” foi lançado, ele realmente acreditava que o livro poderia mudar mundo, que as pessoas o leriam e, informadas, iriam para as ruas, mudariam o sistema.

Ontem foi primeiro de maio. Do carro de som que passou aqui no centro da cidade, eles gritavam no microfone:
Eu já falei, vou repetir,
O Lula é vendido, pro FMI


Em São Paulo, dois milhões de pessoas lotaram as manifestações da CUT e da Força Sindical. Claro, além de shows com Wanessa Camargo, Sandy e Júnior, Daniel, eles sortearam até apartamento.

Meu sonho fala um pouco de desilusão. O tom do Eduardo Galeano era de “olha que bobagem...”. E no fundo é uma bobagem mesmo. Mas a bobagem é minha, de me deixar envolver por essa superficialidade que hoje impera em algumas esferas da vida política. Por mais que as políticas públicas adotadas pelo governo Lula e a sua inércia sejam uma enorme decepção, por mais que movimentos sociais organizados, que apresentam uma estrutura tradiconal, como o sindicalismo não nos diga mais absolutamente nada, nem tudo está perdido. Em outros lugares, através de novas configurações, na maioria das vezes distantes da mídia, muitos ainda se reúnem, atuam, planejam, desenvolvem ações. Nesses espaços novos, onde uma nova mentalidade está sendo formada, permanece ativa a possibilidade de mudança, de participação e de desenvolvimento social.

Eu sei que um único livro não pode mudar o mundo. Agora, seria possível mudar qualquer coisa no mundo, se os livros não fossem escritos?







sexta-feira, abril 30, 2004

A Streetcar Named Desire

Você, sozinha, passeando por livrinhos à toa. De repente, esbarra numa coisa dessas:

ESTUPOR

Esse súbito não ter
Esse estúpido querer
Que me leva a duvidar
Quando eu devia crer


Esse sentir-se cair
Quando não existe lugar
Aonde se possa ir


Esse pegar ou largar
Essa poesia vulgar
Que não me deixa mentir


E pensa. É, tem uma coisa que a lógica não alcança: o desejo.




quinta-feira, abril 29, 2004

Irmão sol, irmã lua

Sem os radicalismos da Rosi, mas bem que o tímido solzinho que saiu hoje de manhã podia vingar.

Estou com saudade.

Saudade do povo da gaita.
Saudade de sair da casa do Max depois de sete horas da manhã.
Saudade da Obra.
Saudade do Paco na Álvares Cabral.
Saudade do domingo feliz.
Saudade de Santos. (do Gonzaga, do Orquidário, do meu mar)
Saudade dos meus irmãos.
Saudade da Carine, da Raquel, da Clara, da Mariana, da Fernanda, do Odilon.
Saudade da pizza da dona Maria José.
Saudade da minha joboticabeira.

Todas essas coisas me fazem muito bem.





terça-feira, abril 27, 2004

A volta dos mortos vivos

Antes que esse blog morra:

- Eu estou bem melhor, mas bronquite e sinusite ao mesmo tempo, ninguém merece.
- Curitiba é Laranja Claumann.
- Eu adoro viajar com a Clarice e a Rosi.
- Eu adoro conhecer pessoas bacanas como o Ricbit.
- E também é ótimo adorar uma viagem, voltar para casa e beber no Maleta.
- Eu não sou nerd.
- Quando eu comecei a disciplina da Rousiley o objetivo era clarear meu projeto. Até agora, no entanto, tudo está me parecendo cada vez mais confuso. Ainda não sei se isso é bom ou ruim.





sábado, abril 17, 2004

Fame



Dois shows do Deja Blue seguidos!
Além de ouvir música de primeira qualidade é muito bom ganhar camiseta de tiete, estar entre amigos, tirar fotos , tomar muita cachaça e bater altos papos.
Para a banda eu só posso dizer: Cavanha, Juliano, Kenji, Raquel e Zeferino, eu sou fan de vocês!!!
E para quem não assistiu nenhum dos shows, insisto: não perca a próxima oportunidade, porque por aí vem mais, com certeza.


quarta-feira, abril 14, 2004

Mar em Fúria

Sonhei que estava numa casa com o Kenji e um dos cômodos era o mar. Então, chegou a Adrianinha para nos visitar e nós três fomos assistir TV no quarto que ficava em alto mar.

Tinha uma TV, um sofá e alguma coisa mais alta (um banco, talvez, ou uma janela) onde o Kenji estava sentado, e tudo boiava tranqüilamente. Nós assistíamos um seriado de ação onde os protagonistas eram o Kleiton e Kledir (lembram?). A Adrianinha olhou o seriado, achou meio chatinho e resolveu dormir no sofá. O Kenji estava adorando o programa na televisão e eu resolvi pegar umas ondas.

Peguei uma prancha de surf amarela e fui nadando até onde as ondas quebravam. Como o quarto ficava em alto-mar não havia ondas (provavelmente para as coisas não balançarem muito). Eu consegui me equilibrar em algumas delas. Cheguei até a ficar em pé na prancha e fui me aproximando da praia. Quando eu já estava bem perto da areia, olhei para trás e tinha uma onda gigantesca atrás de mim. Em cima da onda, um ônibus, 9204, lotado. Eu pensei: vou me abaixar para a onda não me machucar e o ônibus passar pela minha cabeça. Fechei bem os olhos e quando abri o ônibus estava do meu lado, com as rodas totalmente enfiadas na areia.
Eu pensei: putz, escapei por muito pouco.
Quando as pessoas começaram a descer do ônibus, todas reclamavam do perigo que haviam passado, eu vejo a minha prima Mariana entre elas. Conversei um pouquinho com ela, queria saber se ela estava bem. De repente a minha prima Mariana se transformou na minha prima Daniela de São Paulo.

A Daniela me levou para uma cozinha onde meu tio Nino, pai dela, fazia alguma coisa com tomates e cebolas (não parecia uma salada, como se poderia imaginar). Ela então começou a fazer um mingau de neném e a reclamar do meu tio Nino. Nisso, chega meu pai, que fica indagando porque ela estava fazendo um mingau, já que não havia nenhuma criança ali. Quanto mais nós perguntávamos sobre o mingau, mais a Daniela reclamava do pai.
Aí eu pensei com meus botões: é, a minha prima ta doida mesmo. E foi isso.

Agora, será que quem está doida sou eu??





domingo, abril 11, 2004

Sonhos Molhados

Lavras Novas é, foi e sempre será:

- Úmida pra cacete. Você coloca uma peça de roupa pra secar, ela fica mais molhada.
- Cerveja, cachaça, vinho e rum.
- Angu com quiabo. (Meninas, eu quase trouxe um marmitex de carne de panela só para vocês)
- O Kenji detonando na gaita, tocando Mercedes Benz e impressionando a Carla Picorelli, que acompanhou no violão.
- Chuva, neblina, chuva e neblina.
- Casinhas coloridas, gente muito simpática, hippies e barracas.
- Uma cruz no início da rua, uma igreja no meio, um buteco no final.
- Uma das viagens mais bacanas que eu fiz na vida.





quinta-feira, abril 08, 2004

I Confess (ou A tortura do Silêncio)

Algumas declarações de fundo emocional-ressaquístico:

Só há um profissional no qual você pode confiar sua vida: o garçom.
Eu tenho dois, de minha total confiança, o Tião da Obra e o Dionísio do Xoc-Xoc.
Eu estou toda arregaçada, mas a Obra ainda é um lar para mim.
A internet é definitivamente um excelente lugar para se fazer amigos.
Isso não significa que você deve aceitar encontros obscuros marcados por icq, percebe?
Água é um santo remédio.
O mais divertido disso tudo: hoje tem mais!





segunda-feira, abril 05, 2004

Meu querido Presidente
Ou
Porque hoje acordei mais vermelha.

Eu estou com vontade de fazer uma campanha de outdoor, lá em Brasília, com os seguintes dizeres:

Lula,
Não tenha medo de ser feliz!

Alguém topa dividir comigo?

Aproveito a proximidade da semana santa e deixo um trecho do poema “O operário em construção” do Vinicius de Moraes:

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
— Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro de seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

— Loucura! — Gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
— Mentira! — disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Como o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.






sábado, abril 03, 2004

Samba Canção

Desde que o Samba é Samba..
Caetano Veloso

A tristeza é senhora.
Desde que o samba é samba é assim;
A lágrima clara sobre a pele escura,
À noite a chuva que cai lá fora.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.

O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou,
O samba não vai morrer,
Veja, o dia ainda não raiou.

O samba é pai do prazer,
O samba é filho da dor,
O grande poder transformador.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.

O samba é pai do prazer,
O samba é filho da dor!

A tristeza é senhora.
Desde que o samba é samba é assim;
A lágrima clara sobre a pele escura,
À noite a chuva que cai lá fora.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.

O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou,
O samba não vai morrer,
Veja, o dia ainda não raiou.

O samba é pai do prazer,
O samba é filho da dor,
O grande poder transformador.

A tristeza é senhora.
Desde que o samba é samba é assim;
A lágrima clara sobre a pele escura,
À noite a chuva que cai lá fora.

Solidão apavora,
Tudo demorando em ser tão ruim,
Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim;
Cantando eu mando a tristeza embora.
Cantando eu mando a tristeza embora.
Cantando eu mando a tristeza embora.



sexta-feira, abril 02, 2004

Nova Poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida.

O poema dever ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelhecem sem maldade.

Manuel Bandeira




quarta-feira, março 31, 2004

Um sonho distante

Essa noite sonhei que estava trabalhando em algum lugar e precisava pegar um avião e um navio para chegar e para voltar. Apenas a viagem levava um dia inteiro, então eu agendava meus compromissos sempre contando com dois dias: um para ir e outro pra voltar.

O fato é que ontem eu voltei a estudar na Federal.





segunda-feira, março 29, 2004

Back to Schooll II

Amanhã eu tenho aula! Oba! Oba!

O Jogador

Sonhei, sexta passada, que jogava cartas com a minha mãe. Mas era um jogo antigo, que já havia me esquecido das regras. Toda hora minha mãe fazia uma canastra, eu perguntava como e por quê e ela me respondia: “essa é regra”.
Em função disso, claro, ela ganhou a partida. Eu saí pensando: “o que eu posso fazer, não consigo me lembrar das regras”...

Santo inconsciente...




sexta-feira, março 26, 2004

Invasões Bárbaras

Porque não assistir:

É um filme triste.
O galã é feio.
A trilha sonora é fraca e a música final é simplesmente hor-ro-ro-sa.
Quase ninguém faz sexo.
Se o seu pai é socialista e mulherengo, cuidado: você pode chorar.

Porque assistir:

É um filme triste.
Os atores são bons, os diálogos melhores.
Se você tem uma noção mínima de história contemporânea vai rachar de rir.
Fala-se em sexo o tempo todo.
O título é de uma sutileza tocante.
Você pode chorar.





terça-feira, março 23, 2004

Short Cuts

Bem que Santa Bárbara podia ajudar de novo, né?

É, ler Grande Sertão: Veredas é sempre uma aventura...

Hoje eu descobri que eu posso ficar sem qualquer coisa, menos meu celular e conexão rápida.

Eu adoro Red Hot Chili Peppers (mesmo com esse sitezinho meia bomba).

Semana passada ouvi a seguinte frase: a vida só é dura pra quem é mole.
Quer saber? Rátifuder, mané!




segunda-feira, março 22, 2004

Deus e o diabo na terra do sol

Ah, tem uma repetição, que sempre outras vezes em minha vida acontece. Eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?

GS:V - JGR





quinta-feira, março 18, 2004

Hair

Noite retrasada eu sonhei que tinha experimentado um doce. A viagem era o seguinte: eu sentada num trono vermelho, alto, (tipo do papa, sabe?) e com o poder da minha mente eu era capaz de fazer brotar desse trono raízes de árvore muito grossas com uma seiva verde fosforescente.

Acontece, que por causa do doce eu estava má, muito má, muito brava e queria acabar com o mundo todo. Resolvi então começar meu extermínio pelo cantor Otto (sim, aquele bonitão que hoje é casado com a Alessandra Negrini). Não tenho a menor idéia porque o pobre rapaz foi vítima da minha fúria, mas eu pensava: sim, vou acabar com a carreira do Otto para começar, porque tenho certeza que com as minhas plantinhas eu posso fazer isso.

Interessante é que as coisas se misturaram na minha cabeça, o que era sonho, o quer seria a viagem dentro do sonho e acordei toda suada. Bicho, foi uma experiência.






segunda-feira, março 15, 2004

Smoking

Hoje de manhã, na padaria:

- Oi, me vê um maço de galaxy 5?
- Acabou....
- Ué, será que eu comprei todos??
A menina do caixa ri. O gerente que estava do lado:
- O pior é que eu acho que foi mesmo...




sábado, março 13, 2004


A terceira margem

Desde pequena eu vejo um quadro na casa do meu pai. É uma pombinha, cansada, carregando um ramo enorme de oliveira e bufando: UF...
O quadro tem uma dedicatória pro meu pai do Dom Paulo Evaristo Arns e uma frase do João Guimarães Rosa.
Hoje, lendo meu livro, encontrei a frase, no conto A hora e vez de Augusto Matraga que fecha Sagarana. E pude, finalmente, compreendê-la no seu contexto.

Agora que eu principiei e já andei um caminho tão grande, ninguém me faz virar e nem andar de-fasto!



sexta-feira, março 12, 2004

Medo e Delírio

Essa noite tive um sonho estranho. Eu morava numa casa com muitas pessoas, não sei bem se uma pensão. Lá também moravam um senhor, feio de dar dó, com um monte de algodão na boca e a Letícia Sabatella (?) que no sonho estava ruiva (aliás, no sonho, ela ficou linda ruiva... talvez funcionasse na vida real, o que vocês acham?)

O velho ficava cantando a Letícia Sabatella e ela dava a maior bola. Num determinado momento ela marca um encontro com o velho. Eu ouço e olho pra ela com aquela cara de "meu, ficou doida??? Esse cara é assustador!" Mas ela sorri pra mim e vai embora.

Tá, eu não quero interpretações psicanalíticas, ok? Fiquei com medo....




quarta-feira, março 10, 2004

Tron

Para você que ainda não sabe, agora eu tenho um gravador de cd-room, uma impressora Hewlett-Packard e um drive de disquete novinhos.
Estou me sentindo uma pessoa tão.... tão... equipada!




terça-feira, março 09, 2004

A Igualdade é Branca

Sim
Branco porque essa é a cor da esperança.
Branco porque eu tenho muito a agradecer. Agradecer e saudar os novos, os velhos, os bons amigos. (principalmente à Rosi e à Clarice responsáveis por essa beleza)
Branco para festejar a vida, a luz e a renovação diária das nossas existências.
Branco porque essa é a somatória de todas as cores.
Branco porque sem sonhos a vida não vale a pena.
Branco para dizer não à obscuridade das mentes.
Branco porque esse espaço é nosso, você que está ao meu lado.
Branco para lembrar que a escuridão da noite se renova na claridade do novo dia.





Il Posto

Rolou! (Aê Santa Bárbara!)

O carnaval acabou, o ano começou, as engrenagens voltam a funcionar, porém o mais importante dessa história toda e que a tia Lud aprendeu direitinho:

Não há bem que sempre dure, não há mal que não se acabe!



Vamos comemorar?



segunda-feira, março 08, 2004

Em nome do pai

Para as meninas (e os meninos), boas e fortes de coração!

Oração de Santa Bárbara

Santa Bárbara,
que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões,
fazei que os raios não me atinjam,
os trovões não me assustem
e o troar dos canhões não me abale a coragem e a bravura.
Ficai sempre ao meu lado para que eu possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida,
para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza.
Este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras.
Santa Bárbara, rogai por nós.



(thanx, Marcelo)

sexta-feira, março 05, 2004

The day after

Acabou!

Depois de um mês de gemidos e ranger de dentes, correções e alterações a bichinha foi entregue, dentro do prazo previsto!
Agora é correr pro abraço e pro certificado! UHÚ!
E como diria minha colega Fernanda, vamos colocar a cabeça no travesseiro e saborear a deliciosa sensação do dever cumprido.





quinta-feira, março 04, 2004

Asas da Liberdade

- Melhor um pássaro voando do que dois na mão!...
Eis a versão do provérbio, para uso dos fortes, dos capazes de ideal...
- É a versão dos otários, também.


Minha Gente, conto de Sagarana, João Guimarães Rosa





quarta-feira, março 03, 2004

Poesia e Companhia

Essa noite eu sonhei com a Camilitcha Descontrol!
Nós conversávamos sobre poesia....

Poemetos – Paulo Leminski

I
É quando a vida vase
É quando como quase.
Ou não, quem sabe.

V
apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme

VIII
nunca quis ser freguês distinto
pedindo isso e aquilo
vinho tinto
vinho tinto
obrigado
hasta la vista

queria entrar
com os dois pés
no peito dos porteiros
dizendo pro espelho
— cala a boca
e pro relógio
— abaixo os ponteiros

IX
nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima




segunda-feira, março 01, 2004

Ensina-me a viver

Há uns três anos atrás, comprei em Curitiba um exemplar da 5a Edição de Sagarana, do Rosa, da editora José Olympio. Com as correrias da vida, estou lendo o livro agora e descobri no miolo várias páginas coladas. (Elementar... por isso foi tão barato) Ou seja, mesmo sendo impresso em 1958, 45 anos atrás, ninguém o havia lido até hoje. Fiquei com uma pena...
Aí eu lembrei da minha vizinha no prédio da Tenente Anastácio, uma velhinha baiana que vivia com a sua irmã mais velhinha ainda. Ela era solteira e se apresentava assim:
- Muito prazer. Eu sou a Nininha, vim da Bahia e sou moça. Invicta.
Coitado do meu livro, até ontem ele também era invicto, igual à Dona Nininha.



Essa noite eu sonhei que tinha um papagaio e uma arara de estimação.





sábado, fevereiro 28, 2004

Vertigo

Eu estava numa ponte com dois amigos, um homem e uma moça, mas não os reconheci como pessoas reais. Muito rapidamente, a ponte começa a levantar. Um barco enorme estava passando debaixo dela. Eu entrei em pânico e achei que iria morrer. A ponte levantou muito e eu me agarrei a um pedaço dela que lembrava mais uma pedra enorme.
Com a mesma rapidez que a ponte levantou, apareceu o resgate. Os meus amigos estavam muito calmos e logo largaram a ponte e foram embora com os bombeiros. Eu não sei muito bem como eram esses bombeiros, se eles voavam ou não. Não me lembro de nenhuma parafernália do lado deles como escadas ou helicópteros, sei apenas que eles chegaram rapidamente e ficavam do nosso lado com muita facilidade.
Eu continuava muito assustada, agarrada na ponte, com um bombeiro “flutuando” do meu lado. Ele tentava me passar orientações de como descer, mas eu não tinha coragem nem de abrir os olhos por causa da altura. Aí sem mais nem menos, o cara me empurra e eu caio. Na verdade ele tinha amarrado um pára-quedas em mim sem que eu percebesse. O pára-quedas abriu e eu caí no chão suavemente. As pessoas se aproximaram de mim, sorrindo, brincando com o meu susto. Aí eu disse: “É porque eu tenho medo de altura”.




Fiquei muito tempo sem publicar sonhos porque não me lembrava. Essa noite eu lembrei.
Eu sei, esse blog está parecendo o “Dizem...2”. Mas quer saber? Eu não ligo, porque ele é meu! Hahá!

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Fanny e Alexander

“Janela sobre a memória

A luz das estrelas mortas viaja, e pelo vôo de seu fulgor nós as vemos vivas.
A viola, que não esquece quem foi seu companheiro, soa sem que seja tocada por mão alguma.
Viaja a voz, que sem a boca continua.”

E.G.

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

It's All True

“Não é que me alegrei? Essa minha máquina de viver é muitíssimo bem feita, perfeita. Com qualquer fungada de cheiro, qualquer clamor de claridade, qualquer carinho bom, se alegra, vivaz. Viver é preciso e é gostoso, me levantei e vim cá pro escritório, conversar com você. Você também adora viver, não adora?”




sexta-feira, fevereiro 20, 2004

PI

Uma das melhores formas de se livrar de uma idéia fixa é realizando-a. Fiz isso e desde ontem eu, orgulhosamente, sou uma mulher marcada. Na pele.



Imensidão azul

Essa noite eu sonhei que eu era adestradora de golfinhos. Na verdade eu era professora de golfinhos porque minha função era ensina-los a ler. Eu usava uns livros enormes infláveis como bóia de criança. Meu desafio era exatamente aumentar a carga de leitura já que os golfinhos, mesmo muito inteligentes (os desses sonho um pouco mais que os reais), só queriam saber de nadar e brincar.

A melhor parte do sonho foi poder nadar agarrada num golfinho, aquele bicho lindo, que parece estar sempre sorrindo para você.





terça-feira, fevereiro 17, 2004

Quarup

Meu Migo:

Meu objetivo está em mim mesmo. No meu viver, gozoso ou sofrido. Em exercer-me como a antecoisa que sou, inclusive fantasiando bestagens. Seja assim, se é isto que me dá na gana, ou na gana do meu bestunto, de minha alma imaginosa, autônoma, que se desembesta nessas inconseqüências. É isto aí, vamos em frente. Sonho meu, me sonhe. Sonhe”.

Quem poderia escrever isso tudo, em tão pouco espaço?



Quem poderia ser bonito desse jeito?


segunda-feira, fevereiro 16, 2004

A Fraternidade é Vermelha

Lúúúúúúúúúúúúúúúúúúúúú
Ciiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Feeeeeeeeeerrrrrrrrrrrrrrrrr



No sábado, depois da Obra, sonhei que estava num bar todo de madeira em Florianópolis, mas Floripa ficava na Dinamarca (?). Todos no bar eram muito claros, inclusive alguns integrantes da banda estavam na nossa mesa, só que todos eram carecas ou tinham o cabelo bem curtinho, nada dos moicanos divertidos do show. Também nevava e fora do bar tudo era muito branco, coberto de neve. Quando eu saí do bar afundei na neve até a cintura, mas havia uma escadinha estrategicamente colocada. Subi os degraus que estavam embaixo daquele mar de neve e fui embora para casa, que por acaso, ficava ao lado do buteco.


sexta-feira, fevereiro 13, 2004

A Liberdade é Azul

Já que a internet voltou, um sonho de domingo passado:

Estava numa agência do Banco do Brasil. De repente os seguranças resolvem me enfiar dentro de um cofre enorme e eu penso: puta que pariu, eu vou morrer aqui dentro!
Fiquei perto da porta, de costas para o cofre, quando percebo outras pessoas atrás de mim. Volto a elocubrar: ô cacete, tem mais gente trancada aqui, quer dizer que o ar vai acabar mais rápido e eu vou morrer mais cedo.
MAS quando eu decido tirar a cara da porta e me virar, eu não estava dentro do cofre, eu estava fora dele! As pessoas que eu estava vendo, estavam andando pela agência resolvendo suas coisas. (o mito da caverna? Platão? L7?)
Bem na minha frente estava a porta de saída do banco, de vidro e dava para ver um dia lindo lá fora. Corri para saída, porque alguém podia inventar de me prender dentro de algum cofre de novo, abri a porta de vidro e ainda senti o calor do sol.




domingo, fevereiro 08, 2004

Perseguição

Tive um sonho ridículo essa noite. Um cara saía da tela do computador, que fica no meu quarto e me atacou. Esse cara era um vírus de computador!


segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Hapiness

Mais pílulas de “Felicidade” (Eduardo Giannetti)

“O prazer do sono e do sonho constitui uma espécie de férias da consciência conscienciosa – uma viagem cotidiana à selva subterrânea e ao simples existir com que sonha acordado o poeta. No mito prometéico, a regeneração do fígado de cada dia ocorre durante a noite. Ela é o trabalho silencioso e noturno da mente adormecida.”

“No fundo do coração humano, entretanto, algo surdo e obstinado resiste; algo indomado protesta a nos dizer que há alguma coisa indefinível pela qual existimos e aspiramos, algo por que vale a pena viver e sofrer. A imaginação selvagem que nos habita em segredo insinua esperanças e inspira sonhos que a razão desautoriza. Os dois lados do embate têm suas armas, têm o seu apelo, têm o seu direito. O grande equívoco é supor que um deles precise ou devia sair vitorioso. A qualidade da tensão é o essencial.”

(Thanx, Cláudio)


sexta-feira, janeiro 30, 2004

Nasce uma estrela

Essa noite, no meu sonho, um senhor, parecido com o Christopher Lloyd, me oferecia um trabalho como atiz. Era uma peça de teatro, acho que uma comédia. Eu disse que até toparia, mas por brincadeira, só para me divertir. Mas ele me disse que não, se eu fosse trabalhar com ele, teria que me transformar em atriz, trocar de carreira profissional e tudo mais. Eu fiquei pensando, “puta merda, cada proposta que me aparece...”.

Não sei, mas acho que o Maleta ontem influenciou meu sonho. Ô povo bobo e paiaço...ha ha ha!






quinta-feira, janeiro 29, 2004

A felcidiade não se compra

Cláudio, o feliz noivo da Angélica, me deu um livro chamado Felicidade, do Eduardo Gianetti. São três filósofos discutindo a dita cuja. Um trecho bacana:

“O que parece ter ficado claro, apesar de nossas naturais divergências, é que, uma vez resolvidas certas carências básicas ligadas a bens de primeira necessidade, o desafio da felicidade se torna muito mais uma questão de psicologia e de ética do que propriamente de economia. Eu não iria tão longe quanto Mozart, a ponto de afirmar que “a felicidade exite somente na imaginação”; mas diria, sim, que a partir de certo nível de renda, felizmente não muito alto, ela passa a depender mais do temperamento e da fantasia do que do tamanho da casa e da conta bancária. A vida dos povos, não menos que a dos indivíduos, é vivida em larga medida na imaginação”.

Pois é, a felicidade está lá, na imaginação e para festejá-la nada melhor do que uma ode pra lá de criativa de outro filósofo, o único Fábio Júnior:

Felicidade

Um jeito, um gesto, um golpe de ternura e a vida volta logo pro lugar
Uma palavra é uma coisa dura só sentimento pode libertar
O tempo faz o jogo dos desejos eu sei que você sabe esperar
O dia amanhecer por entre os dedos, e aí saber que o sonho é bom demais

Felicidade, brilha no ar, como uma estrela que não está lá
É uma viagem, doce magia, uma ilusão que a gente não escolhe
Mas que espera viver um dia
Felicidade, quando estou em sua companhia
Brilha no ar, e nos seus olhos me deixou bilhar
Felicidade, eu vejo aquela estrela fantasia, mesmo sabendo que ela não está lá

Felicidade, brilha no ar, como uma estrela que não está lá
Conto de fadas, história comum, como se fosse uma gota d' água
Descobrindo que é o mar azul
Felicidade, brilha no ar, como uma estrela que não está lá
Conto de fadas, história comum, como se fosse uma gota d' água
Descobrindo que é o mar azul



A Marcela bateu o martelo: hoje, no maleta, a partir das 20h.
Isso é que é felicidade!
Ó, e eu vou levar meu primo, ok?





segunda-feira, janeiro 26, 2004

O Aprendiz

Essa noite eu sonhei que a Miriam Hansen, autora do texto “Estados Unidos, Paris, Alpes: Kracauer (e Benjamin) sobre o cinema e a modernidade”, me obrigou a comer uma água-viva, viva. Eu comi, fiquei toda queimada e a minha língua, de tão queimada, caiu. Depois eu sonhei que a minha prova era em Santos (a cidade, lá em São Paulo) e que para chegar no local onde ela seria aplicada, eu pegava um “táxi de mar” que na verdade era um pedalinho (sim, igual aos pedalinhos do Parque Municipal).

Mas o fato é que, pelo menos, a prova já passou.

Meu primo Beto está na cidade, com a Carol e o Boizinho, quer dizer, o Reinaldinho, seus filhos. Tia Lili deve estar chegando, no máximo, em duas semanas.

Por falar em duas semanas, deve ser mais ou menos o tempo que tenho para começar, produzir e finalizar minha monografia.




sexta-feira, janeiro 23, 2004

Dogville

Meninas, eu vi.

Uma bela alegoria sobre poder, arrogância e vingança. Ou melhor, um belo exemplo. He He He.
Na minha humilde opinião, inclusive, ultrapassa a questão dos Estados Unidos e da atualidade. Mesmo sendo uma alfinetada no tio Sam, a crueldade toda está em mostrar os riscos da dependência nos mais diversos âmbitos da vida, passando do controle econômico ao emocional e é nesse último que o bicho pega...
O Kenji tem uma teoria interessante sobre o masoquismo nos filmes dele que faz bastante sentido.
Bom, não dava para esperar menos do tio Lars Von Trier, e acredito que o filme mostrou o quanto ele é coerente na sua compreensão do cinema.
Quanto ao cenário achei bacana mas me lembrou muuuito o teatro engajado, tipo Antunes Filho, sabe? Não deixa de ser uma boa referência...

Não falta papo pro buteco, hein? Quem se habilita? Eu topo. :)



(Camila, o site do filme é realmente bacana)


quarta-feira, janeiro 21, 2004

My Life

“Enquanto a teoria estruturalista privilegia o papel dos valores-notícia, a teoria etnoconstrucionista privilegia o papel das práticas profissionais e as rotinas criadas para levar a cabo o processo de produção das notícias”.





terça-feira, janeiro 20, 2004

Dying Young

Eu esdou gom zinusite. Eu denho gue domar remédios grandes e gue dão um zoniinho...
Gual o broblema? O broblema é gue eu denho gue ezdudar, ezdudar muuuito, e eu zó gonsigo dormir...

Ô garma......






segunda-feira, janeiro 19, 2004

Ma vie en rose

Des yeux qui font baisser les miens
Un rire qui se perd sur sa bouche
Voilà le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens

Refrain
Quand il me prend dans ses bras,
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose,
Il me dit des mots d'amour
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose
Il est entré dans mon coeur,
Une part de bonheur
Dont je connais la cause,
C'est lui pour moi,
Moi pour lui dans la vie
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.
Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat.

Des nuits d'amour à plus finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des ennuis, des chagrins s'effacent
Heureux, heureux à en mourir
(Edith Piaf)





quinta-feira, janeiro 15, 2004

Back to School

Sonhei que estava fazendo prova de matemática para uma disciplina e o professor era o Léo, veterinário da Zen. Meu pai era meu colega de sala. Na noite anterior à prova nós dois estávamos enchendo a cara até de manhã (a idéia de beber foi do meu pai...). O resultado foi que eu cheguei atrasada para prova.






sexta-feira, janeiro 09, 2004

A Clockwork Orange

SONETO CÉTICO [2.79]

Não creia em tudo aquilo que está lendo.
Duvide até da própria assinatura.
Não cante sem reler a partitura.
Recuse poesia com remendo.

Se um cego diz ser seu calvário horrendo,
coloque mais pimenta, que ele atura.
Se ser um masoquista é o que ele jura,
no máximo masturba-se escrevendo.

Cantando espalharei por toda parte,
mas sei que poucos vão acreditar
que sou Átila, Nero ou Bonaparte.

Vá lá, não sou guru nem superstar.
Na dúvida, porém, nunca descarte
que onde há fumaça o fogo pode estar.

Glauco Mattoso, na veia.




quinta-feira, janeiro 08, 2004

Os Pássaros

Os presos políticos uruguaios não podem falar sem permissão, sorrir, cantar, caminhar rápido e nem cumprimentar outros presos. Tão pouco podem desenhar e nem receber desenhos de mulheres bonitas, mariposas, estrelas e nem pássaros.

Didasko Pérez, professor de escola, torturado e preso "por ter idéias ideológicas" recebe num domingo a visita de sua filha Milay, de cinco anos. A filha lhe traz um desenho de pássaros. Os censores proíbem sua entrada até a cela.

No domingo seguinte, Milay lhe traz um desenho de árvores. As árvores não estão proibidas, e o desenho passa. Didasko elogia a obra e pergunta o que são os círculos coloridos que aparecem nas copas das árvores, pequenos círculos entre os galhos:

- São laranjas? Que frutas são?

Sua filha pede para falar baixo:

-Ssshhhh.

E, em segredo ela lhe explica:

- Bobo. Não vê que são ovos? Os ovos dos pássaros que te trouxe escondido.

Em "Memoria do fogo/O século do vento" de Eduardo Galeano